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29 de outubro de 2015

Oposição? Quem é a oposição?

Mudaram as maiorias, não mudaram os "fazedores de opinião"

É preciso insistir, de forma simples e clara, para que a direita, os comentadores e jornalistas não consigam continuar a confundir os telespectadores.

Os factos:
A direita, perdeu a maioria. Teve, menos votos e menos deputados que a esquerda.

Se considerarmos oposição, quem se opõe à maioria, a esquerda tem mais votos, e mais deputados na Assembleia da Republica. A oposição é a direita.

Na base desta mudança está a mudança que o PS anunciou na campanha eleitoral, de não continuar a apoiar a política de direita. Isso abriu a possibilidade de unir a esquerda.
O povo votou na mudança e retirou a maioria ao Governo do PSD+CDS.

O PCP de imediato tomou a iniciativa de propor ao PS a formação do Governo. BE fez o mesmo.
A direita, sem a maioria, está apavorada, e tenta manipular.
Até já promove manifestações de rua.


O papel das Televisões

Os Governos montaram uma poderosa máquina ideológica na comunicação social, em especial nas Televisões, para ludibriar e fazer campanha ideológica da direita.
Encheram-se de comentadores e jornalistas de direita, conservadores, agora, cada vez mais agressivos na defesa dos argumentos do Governo PSD/CDS.

A esquerda, tem urgentemente que tomar medidas para defender a democracia, a liberdade de expressão e a sanidade pública.

25 de outubro de 2015

Cavaco e seus comentadores

Que querem eles dizer? Estabilidade ou Instabilidade. Continuidade ou Mudança?
Querem confundir-nos?


Uma nota prévia:
O PS, depois da eleição de Costa e na campanha eleitoral, informou que não daria apoio à política de direita. Isso alterou muita coisa, incluindo a expressão do voto dos eleitores.

Cavaco, no desespero de querer voltar a colocar o seu partido no Governo, contra o resultado das eleições, mete medo aos portugueses com a instabilidade, que ele próprio criou ao indigitar Passos Coelho para formar um governo com apoio minoritário.
Antes das eleições disse que só empossaria um Governo que desse garantias de estabilidade e acabou, depois das eleições, por decidir empossar a Coligação do seu partido, em minoria. Portanto sem garantir a estabilidade que o País precisa.
Logo vieram às Televisões,  jornais e os comentadores da falange ao serviço de Cavaco, lançar a confusão entre estabilidade e instabilidade argumentando que a maioria dos deputados constituída por PS+BE+PCP+PEV não garantia a estabilidade.
O desenho que Cavaco e seus comentadores não querem perceber

Quem forma o Governo é a Assembleia da República

Pergunta-se muito simplesmente:
Se a maioria dos deputados não garante a estabilidade como é que a minoria garante?
Não faltaram argumentos imbecis. Os  principais são dois, que estão interligados:
- Os partidos da esquerda ainda não apresentaram um documento que garanta a estabilidade e,
- Não está garantida que essa estabilidade seja para quatro anos.
Esta dúvida, que parece rasoável, é, na verdade, muito capciosa, falsa e enganadora. Porquê?
Se aplicarmos a mesma pergunta ao partido de Cavaco, a dúvida fica desfeita:
- A coligação, que está em minoria, não tem nem terá um documento que garanta a estabilidade porque a maioria dos deputados já declarou que não o aceita.
- Não o aceita hoje, o que fará cair o Governo e, portanto, nem para amanhã quanto mais para quatro anos. Como garantem a estabilidade?
Pelo lado da coligação, do "presidente da república", o caso estará arrumado se os deputados dos partidos de esquerda, em maioria, cumprirem o que anunciaram aos eleitores. O Governo cai e lá se vai a estabilidade da cadeira onde Cavaco se apoia.

As confusões para enganar

Mas então onde estão as confusões que Cavaco e comentadores, querem criar?
São também claras se recordarmos o (miserável, criminoso, e antipatriótico) discurso de Cavaco Silva.
A confusão que ele quer lançar aos portugueses é que pensem em Estabilidade quando ele pensa em Continuidade. Rima mas não são a mesma coisa. Ele e os seus falangistas comentadores, não podem falar de Continuidade porque é evidente que as eleições traduziram a vontade de Mudança. Por isso tentam baralhar com a Estabilidade. As referências que faz à nossa submissão à Europa, aos tratados europeus e aos "mercados" mostra exactamente o que Cavaco quer. Mas... o seu problema é que, o que ele quer, não foi aceite pelos portugueses, que votaram pela mudança.
 
Gato escondido com rabo de fora!

Não é a Estabilidade que ele, Cavaco, quer para o Governo, mas simplesmente a Continuidade das políticas de empobrecimento, de austeridade como lhe chamam, para continuarem a roubar os salários dos trabalhadores, as pensões, para dar esse dinheiro aos Bancos, aos "mercados" e, portanto, aos que cada vez estão mais ricos à custa do continuado aumento da pobreza dos portugueses.
Esse Cavaco que, no Governo, destruiu a nossa Agricultura, as Pescas, a Indústria, as Empresas nacionais para as entregar aos ricos da Europa, a quem temos que comprar o que precisamos, quer agora que o seu partido continue a fazer o mesmo com o argumento de termos que nos submeter aos "mercados" e decisões que os portugueses nunca votaram, porque eles impediram que fossem referendadas.

Esse Cavaco e os seus falangistas de comentadores instalados e bem pagos nas Televisões, querem que os portugueses, que votaram pela Mudança, sejam obrigados a aceitar a Continuidade desta política de desastre.

Concluindo:
A Continuidade que eles não se atrevem a nomear foi firmemente regeitada pelos portugueses que, nas eleições de 4 de outubro, retiraram a maioria à coligação PSD+CDS e deram-na aos partidos de esquerda, que assim estão em melhores condições para garantir a estabilidade e a mudança que os portugueses desejam.

15 de outubro de 2015

Notas sobre os resultados das eleições (II)

Os contos da carochinha que os eleitores enterraram

Na publicação anterior fez-se um ensaio sobre a expressão dos resultados eleitorais e também da abstenção.

Nestes dias, saudavelmente agitados pelo debate democrático, a direita, que tem a capacidade de dominar a comunicação social privada (quase toda), tem tornado pública uma campanha para amedrontar os portugueses que votaram maioritariamente por políticas de esquerda e, mais expressivamente, contra a política de austeridade desenvolvida pela coligação PSD/CDS.

Ainda no tempo da “outra senhora” se contavam contos que moldaram as consciências. Quase todos contos de terror, do Inferno e seus Diabos, de injecções atrás da orelha, de criancinhas comidas ao pequeno almoço e outros do mesmo estilo. Para muitos esses contos poderiam parecer de atrasados mentais. No entanto a panóplia era muito variada e estava ajustada para entrar nos mais variados cérebros.

Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, muitos desses contos ficaram adormecidos face à dinâmica desses tempos. No entanto a direita, a contra revolução, aguardava a oportunidade de ir ao sótão buscar as velhas arcas dos contos de Salazar, António Ferro (e sua Política do Espírito), e outros Goebbels, mais ou menos modernos.

Com as devidas adaptações, apoiados pelo IV Poder, a Comunicação Social, voltaram esses Goebbels a acordar os medos escondidos nos subconscientes dos vários estratos sociais. A pobreza, cada vez mais acentuada, o desemprego, a instabilidade, o pessimismo quanto ao futuro, foram entre outros o caldo onde seriam refugados os contos antigos, para que fossem bem ingeridos. Aos poucos foram fervendo preconceitos que temperaram a propaganda de papas e bolos destes últimos 40 anos. As recentes eleições foram ricas em exemplos. Nesta ementa a ordem de entrada na panela é arbitrária.

Primeira estória: O “arco da governação”

O que está a acontecer pôs a nu as mentiras e a manipulação que a direita tentou nas eleições, condicionando o voto aos partidos do “arco da governação”, como se para além desta troika PSD, CDS e PS, nada mais houvesse. O avanço da Esquerda colocou em causa o conceito de "arco da governação". Esta estória do “arco da governação” está morta e enterrada.

Segunda estória: A bipolarização ou um jogo a dois

Decorrente do modelo “arco da governação” as eleições seriam para escolher um de dois: PS ou coligação. A Comunicação Social foi ao ponto de só ouvir Passos e Costa e só eles tiveram direito a primeiras páginas. A Televisão no canal generalista, o mais visto, apenas promoveu um debate entre os dois.
A derrota da direita e a ausência duma maioria absoluta, desmascarou a ficção deste conto.

Terceira estória: As eleições para primeiro ministro

É fácil de ver que este contos de fadas envolve a mesma ideia cujos resultados pretendem ser a alternância entre, sempre os mesmos. Apesar de criado o engano das eleições para Primeiro Ministro, ou para o governo, a realidade mostrou que são os deputados eleitos de todos os partidos que vão decidir. Mais um conto que foi arrumado na arca das velharias.

Quarta estória: O voto “útil”

Na continuação da anterior, a comunicação social e comentadores de serviço, apoiados nas “sondagens” estimularam o combate entre os dois principais partidos. Estímulo acompanhado de ingredientes como o “arco da governação” a bipolarização, as eleições para primeiro ministro. Também esta estória foi desmascarada pelos acontecimentos que mostraram as eleições são para eleger deputados e são os deputados que decidem qual o governo a formar.

Quinta estória: Fantasmas e papões

Mais que uma estória da carochinha “Fantasmas e Papões é um livro de contos. … “um entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, seria um absurdo”, uma “batota política”, “um assalto ao poder”, “uma revolução”, “um mergulho no desconhecido”; a “instauração da miséria”, uma “irresponsabilidade antieuropeísta”, um “pandemónio ingovernável”, uma “aberração”, uma “vergonha nacional”, um alvo da “chacota internacional”, “mudar as regras e a tradição”, “uma conspiração”, um “delírio”, a “restauração do gonçalvismo”, “um golpe de Estado” e muitas outras que os jornalistas e comentadores inventaram. Uma evidente chantagem, que ainda não terminou para manter no governo a coligação que foi fortemente condenada pelos eleitores.

Sexta estória: O prestígio de Portugal na Europa

Cavaco, o mais desprestigiado presidente que a democracia teve, o máximo expoente do ridículo, invoca que uma maioria de esquerda desprestigia de Portugal. Para Cavaco e Passos, o prestígio de Portugal no estrangeiro é a submissão do país a Merkel, ao Junker, (a Durão Barroso que continua a conspirar) e aos “mercados”. Agora, que tiveram uma derrota estrondosa, com os piores resultados de há muitos anos, mais uma vez, estala o verniz e caem as máscaras dos que se dizem defensores da democracia, do diálogo e concertação. Perante a possibilidade de serem afastados do poder que não largam há quase 40 anos querem amedrontar com ameaças externas. Desprestigio foram as políticas que causaram o desemprego, o aumento da dívida externa, a pobreza, a corrupção dos governantes e de altos cargos políticos. Prestigiar Portugal é corrigir os erros desta política, só possível com um governo de esquerda.

Sétima estória: A estabilidade ameaçada

Novamente uma estória de medo assente nos preconceitos antigos da Política do Espírito de António Ferro. A direita não quer admitir que perdeu e que em Democracia há alternativas que defendem o país e os portugueses. A direita sabe que foi a sua política que acentuou as injustiças sociais e que desestabilizou.
Passos Coelho, agarra-se desesperadamente a Cavaco Silva que há muito perdeu a vergonha e exerce os poderes de Presidente da República para servir interesses partidários. Isso e violar a Constituição, é que desestabiliza. Cavaco que tentou influenciar as eleições com os apelos à maioria absoluta, não a teve por vontade dos portugueses. Ao contrário as eleições geraram uma maioria de esquerda que permite a estabilidade. PSD e CDS, tiveram uma grande derrota e para governar precisam de apoios. Onde estão eles?

Oitava estória: Os exemplos da Europa

Cavaco, agora “esqueceu-se” que a Europa, tem governos formados por partidos minoritários mas que estabeleceram consensos entre si para garantir a estabilidade no Parlamento. Independentemente dos exemplos que Cavaco esquece o nosso sistema político tem o Parlamento como centro. O povo elegeu deputados e é aos partidos que cabe negociar e chegar a um entendimento.

Nona estória: O partido com mais votos é que deve governar

Para além do que já se viu e dos exemplos europeus, quem manda é o povo e a vontade do povo foi a mudança de política expressa maioritariamente pelos votos nos vários partidos de esquerda.
Apesar da direita ter insistido que "a crise e a austeridade" estavam vencidas e ainda que tenham ganho votos com mais essa mentira, perderam mais de 700,000 votos. Ainda assim foram os que isoladamente tiveram mais votos. Por isso a direita, insiste numa outra mentira, de que quem "fica à frente" deve governar. Essa mentira cai pela base face à falta de apoio de um governo minoritário no Parlamento, apesar de ter “ficado à frente.”
O primeiro-ministro será quem tiver mais apoios e quem os deputados que elegemos quiserem.

Décima estória: Os comunistas empurram o PS para a direita

As declarações do BE, do PCP e do PEV mostram que ao contrário do que a direita do PS dizia, não é a esquerda que empurra o PS para a direita. Essa acusação feita principalmente ao PCP é desmentida face ao apoio para que o PS forme governo com uma política de esquerda consensual.

Décima primeira estória: A Europa connosco. A Europa é progresso para Portugal

Cada vez mais cidadãos, estão a descrer das promessas feitas com a entrada para a União Europeia e desejam uma mudança de política também na Europa. As desigualdades na Europa são cada vez maiores e muitos povos de países europeus desejam também mudanças de política.

Ficam muitas mais estórias por desmascarar. A vida se encarregará de trazer a verdade ao de cima.

14 de outubro de 2015

Notas sobre os resultados das eleições (I)

Sobre a derrota que a direita pretende esconder e o estado de espírito do povo

Sem referir a campanha eleitoral que parece já ir longe, os dias do pós eleições têm sido de uma riqueza política como já há muito não víamos.

O que se está a passar dá para dizer tanta coisa que poderia encher páginas e páginas, ou neste caso muitos Megabytes de memória.

Limito-me a retirar algumas conclusões e, ainda que haja o risco de repetição é importante que seja sublinhado, contribuindo para arrumar de vez as mentiras, as atoardas, as deturpações que têm sido feitas ao longo dos tempos, que têm influenciado negativamente o voto dos portugueses e que, agora estão a ser utilizadas para deturpar o resultado das eleições e, ainda mais grave obstaculizar a formação de um governo de esquerda que traduza o sentimento da população que, maioritariamente, votou contra a política de direita.

Na campanha eleitoral o PS, desta vez, assumiu-se como esquerda que pretendia romper com a política de direita, mais identificada com a austeridade.

Os votos do PS são votos de esquerda, de quem confiou nessas promessas. 
Os votos de direita foram para a coligação.

Os votos do BE são indubitavelmente de esquerda.

Os votos do PCP estão bem identificados. São de esquerda como ninguém duvida.

Os votos noutros partidos são de quem não está com a coligação e quer mudanças, para a esquerda ou, eventualmente, para a direita.

Quais os significados das abstenções?

As abstenções, que têm vindo a aumentar, podemos interpretá-las como quisermos mas, certamente não são votos que apoiem a política que tem vindo a ser praticada no país. Política há 39 anos de direita, seja ela liberal ou social democrata. Para quem andou na rua a falar com muitas centenas de pessoas sabe bem o que se ouvia predominantemente:
Eu não vou votar porque:
  • Já não acredito nos políticos
  • São todos iguais, são todos ladrões.
  • Isto não muda e por isso não vale a pena votar
  • etc., etc.,
Não seria ilógico dizer que, se a maioria das abstenções revelam inconsciência cívica e política, sobretudo revelam um desencanto com a política que vem sendo praticada.

A direita, a que está concentrada na coligação PSD e CDS, perdeu mais de 700,000 votos deixando de ter a maioria e passando para uma baixa percentagem como há muito não tinham.

Feito o balanço, não é difícil concluir que a grande maioria dos portugueses não concorda com a política de direita e pretende uma mudança, para a esquerda.

O sentimento instalado no povo

À luz do que foi dito, interpretando o sentimento de grande parte dos abstencionistas, (que totalizaram 4 milhões) poderíamos dizer que, aos que não votaram na coligação (mais de 60% dos votantes) poderíamos juntar, pelo menos, metade dos abstencionistas (2 milhões) para revelar o que é de facto o sentimento de revolta e descrença do povo. Atrevo-me a admitir, sem grande risco, que 80% dos eleitores não concordam com a política que tem vindo a ser praticada.

Tendo a Coligação menos de 2 milhões de votos (em 5 milhões de votantes), e a esquerda cerca de 2,7 milhões, para exprimir o sentimento do povo, que não apoia a política praticada, poderíamos juntar aos 2,7 milhões que expressamente votaram contra a coligação pelo menos 2 milhões de desiludidos que, por não acreditarem nesta democracia, face a esta política, por isso se abstiveram.

É de facto lamentável que existam 4 milhões de abstencionistas. É por isso lamentável que os muitos destes não se tenham manifestado para que a derrota da direita fosse ainda mais expressiva.



6 de outubro de 2015

Quem ganhou e quem pode vir a perder

As maiorias e a poeira que nos querem atirar para os olhos

Muitos, jornalistas, comentadores e pessoas que deveriam ser responsáveis, falam dos resultados eleitorais como se falassem de um jogo de futebol. Alguns não saberão ir além dessa sua vocação de comentadores de jogos. Outros, porém, sabem bem o que querem. Querem justificar que o partido que teve mais votos ganhou e por isso tem o direito de ser o escolhido para governar. Parece simples e lógico mas é falacioso e vamos ver porquê.
A democracia é mais do que um simples jogo. Então pergunta-se o que é isso de ganhar? PSD e CDS tendo mais votos que cada um dos outros partidos, não adquiriram a maioria que lhes permita sobreporem-se a todos os restantes. O povo é soberano e expressou uma vontade traduzida no conjunto dos resultados eleitorais. O ganhar ou perder é o que o povo vai sentir e não este ou aquele partido.

Afinal quem ganhou? ou... o que é ganhar?

A PAF sabe bem que não ganhou. Isso foi dito por Coelho e Portas a ponto de, com fingida humildade, se proporem dialogar com o PS para tentar a maioria que o povo não lhes deu e permita que formem um Governo que não corresponde aos resultados eleitorais.
PCP e BE propuseram ao PS acordo com pontos essenciais que entendiam ser imprescindíveis para um programa de esquerda que não traísse a vontade dos eleitores. PS ainda não respondeu.  Se António Costa, que fala em nome do PS, não faltar à sua palavra e abandonar, de facto, a política de direita, a maioria na Assembleia da República, corresponderá à maioria de esquerda expressa na votação.

A desculpa da ingovernabilidade

Por isso a ingovernabilidade é uma ameaça ou chantagem que nos querem fazer. Uma democracia parlamentar, permite recursos alternativos aos que só sabem governar em maioria absoluta, como partido único e totalitário. Para esses a discussão dos assuntos e a procura de soluções com outros partidos é factor de instabilidade. Como se na Assembleia da República existissem duas qualidades de deputados. Os que estão em maioria e que aprovam o que quiserem e os que estão na oposição e apenas Têm a possibilidade de protestar.



O povo manifestou as suas opções e escolheu deputados que representam os seus desejos e vontades. Por isso a Assembleia da República, composta por 230 deputados deve representar as vontades de todos os eleitores. Todas as combinações ou coligações formadas por partidos que respeitem os seus compromissos, são possíveis e legítimas.
Também por isso não podemos aceitar a classificação de coligações negativas, tal como não aceitamos o rótulo de partidos da contestação aos partidos na oposição. Essas tentativas de mascarar atitudes legítimas da democracia são um sinal da fraqueza de quem não gosta do pluralismo, da democracia e quer governar sem ter que dar contas e sem atender à pluralidade de vontades que os deputados representam. Isso é típico nas maiorias absolutas, e por isso o Presidente da República se esforçou por meter medo aos portugueses que, segundo ele, deveriam dar a maioria absoluta ao partido vencedor com o argumento da estabilidade.

Os factos e os fantasmas

Analisemos os factos sem as mascaras que lhes querem pôr.
PSD/CDS, coligação governamental, perdeu 730 mil votos, mais de um quarto do seu eleitorado de 2011.
Estavam habituados a uma tranquila maioria governamental de 132 deputados. Foi com essa maioria absoluta que fizeram a desgraçada política que arruinou o país e os portugueses.
Castigados, têm agora uma minoria de 107 deputados.
O Bloco de Esquerda e a CDU foram recompensados por propostas sérias apoiadas por um eleitorado que lhes deu um conjunto de quase 20% dos votos (10,27 para o BE e 8,22 para a CDU).
O PS que se comprometeu com abandonar a sua habitual política e não aceitar alianças com a direita, teve uma votação que cresceu de 28 para 32, 38%. Assim, o conjunto destes partidos, formam uma maioria de 53%, correspondente ao expresso pelos eleitores.

Agora vamos ver...

Ainda que possa haver deputados que venham a trair os seus eleitores, o que é certo e insofismável é que a população aumentou o seu apoio às políticas de esquerda e, reprovou a austeridade, reduzindo o apoio à direita que ficou sem a sua maioria absoluta.
O resultado é claro e não pode ser artificialmente corrompido.
A direita perdeu a legitimidade para continuar a sua política. Só o poderá fazer se deputados traírem os seus eleitores e os ajudarem a voltar a ter a maioria absoluta que os eleitores não lhes quiseram dar.

5 de outubro de 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

2 de outubro de 2015

Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

22 de setembro de 2015

Gente séria

Porquê confiar na CDU. Porque é gente séria

Jerónimo de Sousa caracterizou assim as pessoas que compõem a CDU:

Gente séria porque honramos a palavra dada. Com a CDU, os trabalhadores e o povo sabem com que podem contar, conhecem que o que dizemos cumprimos, que não andamos a semear promessas e mentiras para ganhar votos, porque na CDU o voto de cada um é integralmente respeitado.

Gente séria porque estamos na política não para nos servir, mas para servir os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Na CDU não fazemos dos cargos públicos uso para garantir privilégios. Os nossos eleitos e deputados recebem de remuneração o mesmo que ganhavam nas suas profissões e empresas. Gente reconhecida pelo seu trabalho, a sua honestidade, a sua competência.

Gente séria porque leva a sério os problemas dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, dos jovens, porque na sua acção a CDU dá resposta às suas inquietações e justas aspirações, porque ligada à vida conhece e responde às suas preocupações e intervém na defesa de todos os que são atingidos pela política de direita.

Gente séria porque não vira a cara à luta. Porque como os portugueses sabem foi com a CDU que contaram nas horas más, foi na CDU que encontraram a coerência e a coragem quando mais difícil era resistir e combater a política de destruição das condições de vida, porque é na CDU que reside a garantia de pesar na hora de se bater por uma política patriótica e de esquerda.

Gente séria porque não precisa de esconder o seu percurso. Sim porque a CDU não precisa de disfarçar as suas posições passadas, mandar para trás das costas responsabilidades pelo rumo de declínio, porque precisa de se pôr em bico de pés para procurar apresentar-se agora como aquilo que não é. A CDU apresenta-se de cabeça levantada com a razão acrescida que vida lhe deu e dá razão, com a clareza de quem denunciou e combateu a política de desastre de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, com a autoridade de quem tem afirmado e defendido soluções e medidas que se tivessem sido aprovadas teriam poupado os portugueses a tantas dificuldades e teriam contribuído para construir um país menos desigual e mais justo.

Gente séria com uma política a sério para dar resposta aos problemas nacionais. Gente que não se refugia na mentira, no semeio de desilusões e falsos fatalismos mas que pelo contrário afirma com confiança que há solução para os problemas do País, que Portugal tem recursos e meios para assegurar um futuro melhor, com mais produção e uma distribuição de riqueza que beneficie quem trabalha.

Gente séria porque não desiste de um Portugal a sério. Porque na CDU não prescindimos de lutar pelo direito inalienável do País a afirmar-se como nação soberana e independente, de colocar os interesses nacionais à frente dos projectos daqueles que querem manter o país submetido ao capital transnacional e ao directório de potências.

20 de setembro de 2015

Abertura da Campanha Eleitoral da CDU

O Comício Festa da CDU encheu o Coliseu em Lisboa, encheu com as pessoas, com o entusiasmo e com as intervenções da Juventude, da Intervenção Democrática, dos Verdes e do PCP.

Todos os intervenientes mostraram, cada um à sua maneira, que o voto útil é o que fortalece a política patriótica e de esquerda e consequentemente enfraquece a política de direita seja ela praticada pelo PSD/CDS ou pelo PS.

Heloísa Apolónia caraterizou esta política como um medicamento contra indicado para o povo e trabalhadores em que o PS é uma espécie de genérico, que tem o mesmo princípio activo do PSD e CDS.

Nos discursos ficou patente que nesta luta, de um lado está a CDU que tem defendido o povo e os trabalhadores e, do outro, os que aumentaram o desemprego, a dívida e a pobreza, implementaram medidas de austeridade, cortaram salários e pensões, destruíram o Estado social, depauperaram serviços públicos, como a saúde e a educação e continuam a submeter-se aos ditames da União Europeia, que representa os interesses dos Bancos e Banqueiros. Para esses há sempre dinheiro, dinheiro esse que é roubado aos trabalhadores aos pensionistas e que em vez de ser canalizado para desenvolver a economia é dado aos Bancos.

"Foram mais de 20 mil milhões de euros que desde 2008 os governos do PS e do PSD/CDS canalizaram para a banca e para os banqueiros! " disse Jerónimo.

"O PCP e o PEV levaram à AR o aumento do salário mínimo nacional, a defesa de um programa de combate à precariedade, um nova política fiscal e para reforço da solidez financeira da segurança social, o alargamento da atribuição do subsidio de desemprego, o fim dos cortes nos salários, o aumento das pensões de reforma, a renegociação da dívida. Propostas e iniciativas que se tivessem sido aprovadas significariam uma vida melhor, num Portugal mais desenvolvido mas que esbarraram sempre na oposição do PSD e CDS mas também, e temos de o lembrar, na oposição do PS, disse Jerónimo de Sousa que caracterizou esta política de direita do PS, PSD e CDS, que dura há 39 anos, lembrando: “Sim, chegámos onde chegámos em resultado das suas opções de política europeia e nacional, dos seus acordos tácitos, das suas conivências e arranjos, da sua política de submissão nacional e de restauração monopolista”[...] “Podem empurrar uns para os outros, dizerem e desdizerem tudo o que fizeram. Nada pode apagar a sua comum responsabilidade nas feridas sociais que abriram na sociedade portuguesa.” [...] “Aí estão todos tão empenhados a tentar limpar a folha das suas responsabilidades, a pôr o conta-quilómetros a zero, a encobrir as suas reais intenções em relação ao futuro”. Esses três partidos responsáveis insistem em continuar a mesma política de mais exploração e empobrecimento uma vez que os seus programas, nesses aspecto pouco diferem. Se um diz mata outro diz esfola, caricaturou Jerónimo, mostrando que PSD, CDS e PS em questões fundamentais dizem o mesmo com palavras diferentes.

Tanto o PS como a coligação de direita, pedem a maioria absoluta, para terem as mãos livres para poderem fazer o que quiserem.

Jerónimo insistiu que o voto na CDU é o que dá segurança e garantia […] que não acabará em qualquer uma das vielas da políticas de direita mas que, pelo contrário, esse voto somará para dar força a uma política patriótica e de esquerda.”

"Nestas eleições para a Assembleia da República está cada vez mais clara a opção que está colocada aos portugueses: permitir que se prossiga o rumo de afundamento, empobrecimento, exploração, dependência que PSD, CDS e PS têm imposto ao País [...] ou agarrar a oportunidade de, agora com o seu apoio e o seu voto na CDU, abrir caminho a uma ruptura com a política de direita..." disse Jerónimo que acrescentou: "não basta mudar de governo, é preciso também mudar de política!".

25 de agosto de 2015

A Lei do Funil

A direita faz batota. Trapaceiros

A lei do funil é uma das principais leis porque se regem os políticos de direita. O lado largo do funil voltado para a direita e o estreito para a esquerda. 

Fazer batota, ou trapaça, significa usar de vantagem ilegítima ou indevida para ultrapassar parceiros ou competidores. Não cumprimento das regras de um jogo, de maneira que outro ou outros jogadores não se apercebam.

Em Comunicado, de ontem, 24 de agosto, de que se faz uma síntese, a CDU – Coligação Democrática Unitária – manifestou:
- a sua disponibilidade para estar presente, em pé de igualdade, nos debates e "frente a frente" com as forças políticas que estejam dispostas a participar.  Assim no "frente a frente" com a Coligação PSD/CDS em que participará o líder do segundo partido da coligação, a CDU participará também com o líder do segundo partido Heloísa Apolónia em representação do PEV.
Resumidamente, a CDU sublinhou:
 - Desde a primeira reunião, das três realizadas com a sua participação, o PCP manifestou inteira abertura e interesse na concretização de uma solução que assegurasse o conjunto de debates que permitisse o pleno esclarecimento e o desejável confronto de projectos e posicionamentos em discussão nas eleições legislativas de 4 de Outubro.
- É falso o que dizem o CDS e PSD, o PCP tenha vetado a participação do CDS nos debates.
- Para o PCP só são aceitáveis dois critérios objectivos:
 - o da participação nos debates de 4 candidaturas (CDU, PaF, BE e PS) ou,
- ou dos seis partidos com representação parlamentar (PSD e CDS, PCP e PEV, PS e BE).

Duma forma manhosa, desonesta, a coligação PSD/CDS-PP queria o privilégio de ter dois representantes e a CDU apenas um.
Qualquer pessoa honesta compreende que:
- Se a Coligação PSD/CDS quer ter dois representantes nos debates, por ter dois partidos, também a CDU deve ter dois representantes uma vez que também tem dois partidos, o PCP e o PEV.
Quem se opôs à solução de haver representantes dos partidos foram PS e BE que concorrem isolados.
Esclarecida a questão do número de representantes, por Coligação ou por Partidos, as televisões prepararam nova armadilha:
- Realizar programas “frente a frente” com Passos Coelho e António Costa, nos principais canais, deixando de fora os outros partidos que apenas falariam nos canais cabo, com muito pouca audiência.

No comunicado da CDU, recorda que a nova legislação sobre cobertura jornalística de campanhas eleitorais foi cozinhada entre PS, PSD e CDS contra os votos do PCP e PEV. No entanto os três partidos da troika aprovaram a legislação que está a dar estes problemas. Não acusem a CDU de querer um tratamento igual, lá porque eles tentam aplicar a Lei do Funil.

20 de maio de 2014

As eleições para o Parlamento Europeu

Um passo, possível, para a mudança

Creio que é por uma boa causa que tenho escrito pouco e falado mais. A luta em que me empenho, para mudar esta política, está a passar por momentos decisivos. Estas eleições são um factor que pode contribuir para isso.
A constante omissão por parte da Comunicação dita Social, pela Televisão, da maioria das manifestações populares em apoio à CDU, mostra que a direita está a usar todas as armas para manter muitos eleitores na ignorância.

Não podemos deixar para outros o que deve depender de nós. Se votar é uma arma, votar bem é defender os nossos justos interesses.
Como tem dito João Ferreira, votar na CDU é votar na verdadeira mudança. Votar na CDU é votar diferente! É votar para romper com este ciclo de destruição que dura há 38 anos.

A CDU é diferente dos que são todos iguais. 

A CDU é diferente dos que levaram o País à ruína para defender interesses que nos são estranhos. Votar CDU é para defender o que é do País, e resgatar o Portugal da dependência.

Reforçar a CDU em número de votos é levar às urnas a exigência de demissão deste Governo, é abrir caminho para uma nova política. É construir a alternativa, patriótica e de esquerda.

Por isso C de... , mais do que aqui, tem estado na rua a Comunicar e Convencer os desiludidos a lutar votando, votando bem na alternativa que os defende.

6 de março de 2013

Há mortos quer não morrem

Comentário que recebi de um amigo

Recebi de Rogério Pereira do blogue amigo http://conversavinagrada.blogspot.pt/ um comentário muito oportuno ao texto que fiz sobre a morte de Hugo Chavez, que passo a publicar:
«Um dado interessante sobre o período "chavista" na Venezuela: a participação eleitoral passou de 60% em 1993 para 63,45% em 1998 (eleição de Chavez), 74,7% em 2006 e 80,9% em 2012. Há uma crescente politização da sociedade venezuelana e a subida dos votantes deve-se fundamentalmente à esperança que os mais pobres depositam no Pólo Patriótico. Só mais um dado: em 1998 Chávez foi eleito com 3.673.685 votos; em 2006 com 7.309.080; em 2012 com 7.444.062.» 

Nos países ditos democráticos, ou de "democracia para alguns" (grande burguesia), como o nosso, a situação é inversa. As eleições são uma farsa que cada vez mais desiludem o povo e aumentam a sua abstenção. Em Portugal a abstenção já ultrapassou os 50% e promete aumentar.Está nesse mesmo blogue "Conversa Avinagrada" um outro texto, mais completo, que aconselho a sua leitura.
Obrigado Rogério

31 de janeiro de 2013

Para que servem os deputados?

Os deputados são todos iguais?

Há muito que circulam na Internet e nos mails mensagens e petições que parecem ser muito justas. Penetram em quem não reflete e é conduzido, ou facilmente manipulado pela demagogia  populista. Estão na linha da estratégia de diversão, para desviar as atenções do que é fundamental e conduzir a indignação para casos sem grande significado. Ao contrário do que parecem não são mensagens inocentes. Vejamos porquê. 
Com base num texto de que desconheço o autor, fiz a seguinte análise:


1. Regalias dos deputados
 

Exige-se que acabem as regalias dos deputados em nome da "justiça social". Fala-se em regalias e vencimentos em geral para desviar as atenções das regalias realmente injustas e até escandalosas que poucos têm mas que valem mais do que as dos outros todas juntas.

De facto há regalias de deputados que deveriam pura e simplesmente acabar como as pensões vitalícias de Ângelo Correia, Dias Loureiro e outros, que acumulam com vencimentos milionários que ganham.
 

Há também muitos casos de pensões vitalícias escandalosas, como as dos administradores do Banco de Portugal, obtidas ao fim de pouco tempo de trabalho. Essas somadas ultrapassam em muito as regalias dos deputados. (para ver clique aqui).
 

2. Vencimentos dos deputados
 

Exige-se a redução dos deputados para poupar nos vencimentos. Diz-se que ganham demais, tendo em conta a média nacional (cerca de 3.000 euros líquidos na Assembleia da República e um pouco menos na Assembleia Legislativa da Regiao Autónoma dos Açores). Será a melhor forma de fazer justiça social a redução de deputados ou dos seus vencimentos?

Quem pensar um pouco verá que, estas mensagens, visam desviar o descontentamento que alastra, para reduzir a participação e a discussão dos problemas realmente importantes.
 

Não dizem essas mensagens e petições que só António Mexia (EDP), com os seus 260.000 euros/mês, fora os extras, ganha quase o dobro do que ganham, por mês, TODOS OS 57 DEPUTADOS da Assembleia Legislativa da RAA.
 

Se somarmos ao vencimento principal deste senhor, os vencimentos principais de Zeinel Bava, da PT (208.333 euros/Mês), de Paulo Azevedo, da SONAE (100.830 euros/mês), de Ricardo Salgado, do BES (100.000 euros/mês), de Alexandre Santos, do Pingo Doce (94.166,67 euros/mês) e de Eduardo Catroga, da EDP (45.000 euros/mês, mais os cerca de 9.000 que recebe de pensão vitalícia da A.R.), teremos que estas 6 PESSOAS ganham juntas um rendimento principal, fora os extras, de cerca de 790.000 euros/mês, ou seja, mais do que ganham juntos TODOS OS 230 DEPUTADOS da Assembleia da República!

A estes rendimentos juntar-se-ão aqueles que outra meia dúzia como estes, aufere por terem simplesmente o nome como membro do Conselho de Administração ou como gestor noutras empresas ou instituições públicas.


3. Atuação dos deputados
 

Mas, tal como os partidos, e ao contrário da ideia simplista veiculada nas mensagens referidas, os deputados não são todos iguais e resultam da reconversão representativa dos votos dos eleitores em diferentes forças políticas. 
Sem representantes/deputados (bons ou maus…) das diferentes opiniões e interesses do país e da região, não há regime democrático.
 

E se há uns que pouco mais fazem que votar, ou usam o parlamento para tratar de negócios particulares, de mãos dadas com a corrupção, outros há que, pela sua dedicação e seriedade, se esforçam permanentemente pelos interesses do povo, do país ou da região. Desses há os que prescindem de regalias e até votam contra elas, nomeadamente contra aquelas que os textos referem mas, isso não dizem. 

Há os deputados que, quando se candidatam, se comprometem, por escrito, a não serem beneficiados pelo exercício do cargo. Disso também não falam os textos que dão a ideia que os deputados são todos iguais.

Há os que se candidatam por forças políticas actualmente maioritárias, para terem oportunidade de negócio ou de uma carreira. Mas também há os que se candidatam para lutar contra esses interesses instalados fazendo da sua luta, muito mais difícil, uma honra e um compromisso político de serviço à comunidade.
 

4. Responsabilidade e poder dos eleitores

São os eleitores que elegem os deputados. 

São os eleitores que deveriam fiscalizar a sua actuação. 
Seria conveniente que dessem maior atenção à origem partidária dos deputados que não cumprem a sua missão. 

Seria importante que os eleitores exercessem essa fiscalização para que nas próximas eleições não repetir o erro de eleger deputados que não defendem os seus interesses.
 

Seria importante que os eleitores desiludidos com a actuação dos deputados que não servem, se não abstenham ou não votem. Os desiludidos que não votam estão a tirar a força aos deputados que trabalham e lutam pelos interesses dos eleitores e a deixar que a maioria permaneça a governar mal.

19 de novembro de 2012

Política de Classe pura e dura


Proibidos transportes de trabalhadores em viaturas das autarquias.
Ministros, secretários de estado, quadros superiores do Estado, técnicos e assessores, esses, podem ter carros e motoristas pagos pelos contribuintes.
Pessoal operário das autarquias não pode ter transporte gratuito.

O Tribunal de Contas, embora saiba que são comuns nas empresas (mesmo entre empresas públicas) o transporte dos funcionários e que isso também acontece, por exemplo, nas Forças Armadas, entende – de forma "inequívoca" – que estes serviços aos seus próprios trabalhadores podem ser considerados ajudas remuneratórias e como tal são proibidos. 
Adiantam os Juizes do Tribunal de Contas que a legislação não permite as autarquias a realizar despesas com o transporte do seu pessoal.

Quem ganha bem pode ter carro e motorista 

Contudo é legal a distribuição de carros e de motoristas para os eleitos, presidentes de Câmara e para muitas das categorias de funcionários superiores do Estado e do Governo.

Nesta sociedade, dita democrática, o poder é exercido por uma classe que explora quem a elege. Ou seja: Há 36 anos, desde que há eleições livres, o povo elege quem mais o rouba.

Por isso:
Os aumentos de impostos são mais elevados para os menores rendimentos.
Os bancos, multinacionais e grandes capitalistas, têm menos impostos que as pequenas empresas.
O roubo e a corrupção não é punida para os muito ricos, normalmente gente do PS, do PSD ou do CDS, aqueles que os eleitores escolhem para (des)governar este país. 
Veja-se a lista dos corruptos, ladrões e dos "tachos" (bem pagos) para concluir quem são eles.

Pobre que rouba um pão, é ladrão e vai preso.
Rico que rouba um milhão...

Nesta sociedade, as leis são feitas para proteger os muito ricos, para defender os privilégios da classe no poder, a classe exploradora, (minoritária) contra a maioria dos trabalhadores.

Os trabalhadores, os explorados, os desempregados os reformados, esses, apenas têm o direito de eleger os seus exploradores, sejam eles do PS, do PSD ou do CDS. Aqueles que se vão alternando no poder há 36 anos.

Um "bom exemplo"

O vídeo da Ratolândia é bem o exemplo do embuste em que os eleitores vêm caindo anos e anos a fio. Quando aprenderemos?

2 de abril de 2012

O 1º de Abril e a verdade

Como se ganham eleições

Procurei nas notícias dos Jornais e Televisão qual a mentira de 1 de Abril e, vi tantas que, fiquei sem saber qual escolher.
Lembrei-me então que nesta nossa "democracia" ganham eleições, não os que têm mais mérito, mas, os que mais mentem e conseguem enganar. Para isso não precisam de esperar pelo 1º de Abril. Mentem todos os dias. Por isso sugiro que o 1 de Abril passe a ser o dia da verdade. Ao menos que haja um dia no ano em que a vergonha recorde que a verdade existe.
  
Onde e em que dias, ouvi isto:

" O IVA, já o referi, não é para subir"
 
"Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a carga fiscal será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas"
 
"Do nosso lado não contem com mais impostos"
 
"Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"
 
"Eu não quero ser primeiro-ministro para proteger os mais ricos"
  
"Quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"
 
"Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim"
 
"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam"
 
"Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos"
 
"etc, etc, etc....
 
Que legitimidade para governar pode ter quem ganha eleições por muito mentir?

8 de janeiro de 2012

Onde está o poder do povo?

Esta "democracia" é uma farsa, uma enorme fraude

Hoje, ao ler as notícias, "perdi a cabeça" e, indignado, tenho que desabafar. Afinal onde estamos?
Consultei o dicionário Aurélio (online), e outros de referência e vi: Democracia é ”1-Governo do povo; soberania popular; democratismo. 2-Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder.”
“É o governo do povo, para o povo, pelo povo”. “Governo do povo” quer dizer governo com um sentido popular; “para o povo” significa que o objetivo é o bem do povo; “pelo povo” quer dizer realizado pelo próprio povo. Na democracia é o povo quem toma as decisões políticas importantes - direta ou indiretamente por meio de representantes eleitos.

De uma forma mais condensada como diz o Dicionário Priberam, Democracia é: "Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente."
Muitas outras definições podem ser invocadas mas, em todas elas, é respeitado o princípio geral do "poder do povo" através de um "governo para o povo", decidido pelo povo. 

Acontece que, todos os dias, verificamos que cada vez o povo tem menos poder a ponto de se concluir que não manda nada.

Cingindo-me apenas à forma mais restrita de ver a democracia como a capacidade do povo escolher os seus representantes através do voto, o que vimos é o povo ser mais enganado nas escolhas que faz. Vota em quem promete fazer uma política e depois faz outra. Vota em quem engana melhor. Vota em quem tem mais apoios financeiros para enganar. 
Banqueiros e grandes capitalistas, financiam as campanhas eleitorais de alguns para, depois, cobrarem com juros, o que investiram.

Uma vez colocados os "representantes do povo", que melhor mentiram, como é que o povo exerce o seu direito de punir os falsários? Apenas através dos próprios representantes que escolheu, o que quer dizer que, se são os vigaristas que foram eleitos, só esses mesmo trapaceiros, se podem destituir a si mesmo. Esta é a lei desta “democracia”.
 
Mas afinal, quem é que efectivamente manda nos representantes do povo? Será o povo? Não, porque, como se vê, não tem poder para isso. Se o povo quiser mandar os deputados da Assembleia da República aprovar leis que defendam o povo, como por exemplo para punir os corruptos, impedir a fuga de dinheiro, impedir a acumulação de reformas milionárias, como é que o pode fazer, se a maioria se estiver nas tintas para o povo, se for corrupta e não quiser aprovar essas leis? A maioria, ao serviço dos grandes capitalistas, que ganhou as eleições enganando, tem que cumprir as ordens desses seus "chefes" em Portugal e no estrangeiro. 
  
São as ordens dos chamados "mercados" (banqueiros), dadas através de órgãos em que o povo nada decide, como por exemplo da troika, da Merkel, do Sarkozy, e agora descobrimos que também através de algumas lojas Maçónicas. 
Esta “democracia” formou uma rede de organizações nada democráticas e até secretas ou de cariz mafioso, que têm, na realidade, muito mais poder que o povo e, por isso, formam um sistema (identificado na gíria como "o polvo", não confundir com povo) de vários tentáculos que dominam a nossa vida.

9 de outubro de 2011

População de Oeiras

Alguem disse que, feito um estudo sociológico em Oeiras, se concluiu que a população do Concelho se divide em dois grandes grupos:


O minoritário é dos que sabem que Isaltino é corrupto e por isso não votam nele, e
O maioritário é dos que sabem que Isaltino é corrupto mas votam nele.


Creio que este estudo vai ser adaptado e complementado com outros estudos como os da medição do QI e ser aplicado noutras regiões do país (como a da Madeira).


Disse Pablo Picasso"Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte."

Eu responderia: Um rato não, mas um eleitor...


8 de junho de 2011

As eleições e quem vai pagar a crise

Para enfrentar o que aí vem, o PCP alerta e apela à organização


O Comité Central do PCP apreciou os resultados das eleições e através de um Comunicado, reafirmou a sua determinação de lutar contra as medidas impostas pela troika. 

Na análise foi referida "a descarada mistificação que a corte de analistas e comentadores ao serviço do grande capital" que tem vindo a envenenar a opinião pública quer antes quer depois das eleições, "procurando assim desvalorizar o resultado da CDU".


Eleições não são cheque em branco

O Comité Central do PCP denunciou a abusiva interpretação dos resultados eleitorais como uma aceitação pelo eleitorado das medidas impostas pela troika. Salienta que esta manobra não tem cabimento pois sempre esconderam o acordo que fizeram com o FMI e UE. Os portugueses não puderam votar uma coisa que foi escondida. E foi escondida justamente porque se o povo a conhecesse os resultados seriam outros.


Presidente da República de alguns portugueses

O Comunicado informa que "o Comité Central do PCP sublinha e condena com particular veemência a atitude e declarações do Presidente da República, na véspera e no dia das eleições", que mascarou a realidade quer das soluções políticas como das próprias eleições que foram apresentados como eleições para a escolha de Primeiro Ministro e governo e ainda por cima para aplicarem o Programa da Troika. 


Aumentar as desigualdades?

O CC do PCP alertou para os "tempos difíceis esperam os trabalhadores, o povo e o país. Sobretudo porque a intenção da política de direita... é a de carregar mais e mais sobre as condições de vida dos portugueses à custa das benesses e apoios destinados aos grupos económicos e ao capital financeiro". 


Reafirmou ainda "a  determinação do PCP" para o apoio à luta pela "defesa dos direitos e o emprego, valorizar salários e pensões de reforma, apoiar os pequenos e médios agricultores e empresários, fazer pagar à banca, aos grupos económicos e às grandes fortunas o preço pela crise que eles próprios criaram"


Golpe constitucional, cuidado!

Alerta ainda o PCP para as tentativas de desrespeito da Constituição da República, e possivelmente de prepararem "um verdadeiro golpe constitucional".


O PCP recorda que a ser aplicado o acordo da troika, verificar-se-á  "uma regressão sem precedentes nas condições de vida do povo", para transferir para os Bancos "12 mil milhões de euros, para lá dos 35 mil milhões de euros de garantias do Estado para a banca... remetendo para o erário público prejuízos que podem atingir mais de cinco mil milhões de euros depois de mais de dois mil milhões de euros de dinheiro público enterrado no BPN e BPP". A ser aplicado este programa será agravado "o desemprego nos próximos anos que poderá atingir mais de um milhão de trabalhadores" e a recessão económica o que tornarão mais difícil o pagamento da dívida. 


Renegociação da dívida.

O PCP, insite na proposta feita em 5 de Abril, da renegociação da dívida pública externa portuguesa e afirma que apresentará na Assembleia da República uma proposta nesse sentido. Reafirma também que as propostas de alternativa que apresentou e que foram silenciadas, nomeadamente a acção “Portugal a produzir”, continua a ser a mais sólida e consequente proposta para tirar o país do rumo de definhamento e retrocesso e continuará a bater-se pela concretização de um vasto conjunto de medidas e políticas, nomeadamente por um forte  investimento público, pelo accionamento de cláusulas de excepção que salvaguardem o aparelho produtivo e as MPME's e pelo controlo e diminuição dos custos dos factores de produção.


Esclarecer, mobilizar, organizar, resistir

Por isso, o comunicado diz "Os tempos que se avizinham exigem um PCP mais forte, dinamizador da resistência e luta contra a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda".


O Comité Central termina o comunicado salientando a importância da organização, como mais uma vez foi evidenciado nas lutas de massas e na acção eleitoral e aponta a necessidade de prosseguir a concretização da acção “Avante por um  PCP mais forte” e da realização da Festa do “Avante!” a 2, 3, e 4 de Setembro.

25 de maio de 2011

Uma entrevista curiosa

Conversa com um reformado esclarecido.


Uma jornalista da Rádio da Terra, (RT), entrevista o presidente da Associação de Reformados, o senhor Sousa. A Conversa foi a seguinte:


RT - O senhor Sousa é o presidente da Associação de Reformados cá da Terra e certamente conhece bem os problemas dos reformados.


Sousa - Eu faço por isso. Leio muito. Mesmo quando estamos a jogar às cartas procuro ir conversando sobre os nossos problemas.


RT - Então está informado sobre a situação do País e da crise económica.


Sousa - Procuro ler ouvir e discutir os assuntos. Mas muitas vezes a televisão e os jornais mentem e só falam no que lhes convém. Tenho que andar a descobrir o que é verdade e o que é mentira.


RT - Mas sabe que todos os partidos se aliaram para fazer cair o Governo.


Sousa - Não foi assim. Não houve nenhuma aliança. Cada partido tinha as suas razões, umas boas outras más. É preciso saber destrinçar as coisas. A mim não me enganam com essa de serem todos iguais. Tenho apenas a quarta classe mas conheço a vida e estou atento às manigancias que vão por aí.


RT - Então quais foram essas razões?


Sousa - Os partidos da direita PSD e CDS sempre apoiaram o PS que fazia a política que eles queriam. A única diferença é que cada um quer lá meter os amigos. Mas o PSD e o CDS deixaram o PS queimar-se com a política que eles pretendiam fazer. A menina sabe que há 35 anos são sempre os mesmos a governar? Quando um está queimado, o povo vota no outro, esquecendo-se que o outro já tinha feito o mesmo. Isto é como um balancé. Ora está um em cima e outro em baixo mas não saem do mesmo sítio. O que já está cheio fica mais pesado e vai para baixo ajudando o outro a subir.


RT- Mas o PCP também votou contra o PEC e ajudou a fazer cair o Governo do PS.


Sousa- Sim mas isso foi por outras razões. O PCP sempre votou contra os outros PECs enquanto que o PSD e CDS sempre tinham votado a favor do PS. Desta vez quem votou ao contrário foi o PSD e o CDS. O PCP não se aliou à direita! Porque não me perguntou porque é que o PSD e o CDS desta vez votaram com o PCP? Eles votaram contra o PEC porque ainda queriam pior, como já disseram.


RT - Mas então porque é que o PCP não apoiou o PS?


Sousa - Porque o PCP não é como os outros que umas vezes se aliam a uns e outras a outros. O PCP vota sempre de acordo com os interesses do povo e não para apoiar este ou aquele. O PCP votou contra as propostas do Governo porque eram más. Porque o PEC não é a solução que o país precisa.


RT - Já vi que o senhor é apoiante do PCP. Mas não acha que a votação do PCP foi ajudar a direita e fez cair o Governo?


Sousa - Não! Não acho! Eu tenho cabeça para pensar. Já lhe disse que apesar de ter a quarta classe sei ler e informar-me. Primeiro, o Governo demitiu-se porque quis. Não foi por perder a votação que se tinha que demitir. Depois, o PCP votou contra uma proposta que era errada e injusta pois o PS queria resolver os problemas que criou a retirar mais dinheiro ao povo. Queria mais cortes nos apoios sociais; mais cortes nos salários dos trabalhadores, queria aumentar os impostos. Mas não aos bancos. Queria facilitar os despedimentos. O PCP podia votar a favor disto? O Governo não tinha que cair. O PS podia ter avançado com outras medidas, ou aprovado as medidas alternativas que o PCP propunha.


RT - Mas agora o FMI veio dizer que é preciso fazer esses sacrifícios. E as medidas de austeridade não são tão graves como pareciam.


Sousa - Não é verdade, porque o que eles chamam “ajuda externa”, não vai ajudar nada o país e o povo. É ajuda apenas para os Bancos. Essa "ajuda" vai baixar os rendimentos dos trabalhadores e reformados. Vai entregar aos privados as melhores empresas do Estado e permitir os negócios com os serviços de saúde e outros. Os ricos e os bancos é que vão ganhar. Como é que vamos pagar a dívida com mais desemprego e menos produção. Só se passarmos a não comer. Eu tenho só a quarta classe mas sei o que estou a dizer. Isto qualquer pessoa vê.


RT - Mas o senhor Sousa não acha que este empréstimo a Portugal é uma oportunidade para sair da situação em que o País se encontra?


Sousa - Não! Não é! Dos 78 mil milhões de euros do “empréstimo”, 55 milhões são para os Bancos. Estamos a pedir empréstimos para pagar os empréstimos anteriores e para pagar juros. Eu bem tenho visto o que dizem os economistas que só em juros Portugal terá de pagar, ao fim de 7 anos, mais de 100 mil milhões de euros. Também na Grécia e na Irlanda, eles diziam que era uma "ajuda" e, como já se está a ver, com essa "ajuda" ainda ficaram pior.


RT - Então acha que os três partidos PS, PSD, e CDS que assinaram o acordo com o FMI estão a mentir aos portugueses?


Sousa - Eles umas vezes mentem, outras vezes dizem meias verdades, outras escondem o que vai acontecer. Os trabalhadores e os reformados vão ser muito penalizados. Vão congelar o salário mínimo e diminuir os salários por via da alteração da legislação de trabalho e das horas extraordinárias não pagas.
Vão diminuir todas as pensões e reformas, porque aumentam os impostos e os preços das coisas. Isso não dizem eles.
Aumentar o IVA é o mesmo que diminuir os salários e as pensões, pois as coisas ficam todas mais caras. 
Para os mais idosos vão ainda fazer cortes nos apoios e prestações sociais. Vamos ter que pagar mais taxas moderadoras. Os medicamentos vão ficar muito mais caros. E muito mais que vamos ver.


RT- Mas acha que há outras soluções?


Sousa - Claro que há outras soluções. Mas essas eles não querem. O PCP e a CDU têm propostas alternativas que ajudam os trabalhadores, os reformados e a economia do País. Eu ouvi o Jerónimo dizer na televisão que deveríamos exigir a renegociação da dívida pública, dos seus prazos, dos juros e valores a pagar. Eu sei perfeitamente que quando não posso pagar uma dívida tenho que pedir para a pagar em prestações e em mais tempo. Não posso deixar de comer para pagar a dívida senão acabo por morrer de fome e não pago a dívida. Também sei que se uma pessoa tiver prestações para pagar e estiver desempregado não as pode pagar. Não sei como é que eles querem pagar a dívida sem aumentar os rendimentos e aumentando o desemprego. Com estas medidas vamos produzir menos e vamos ter que pedir mais empréstimos para pagar os empréstimos. Por isso a solução tem que ser ao contrário como diz a CDU. Temos que apoiar as empresas e não os bancos, apoiar a agricultura e as pescas para produzirmos mais e termos mais receitas, em vez de gastar o dinheiro com as compras ao estrangeiro. Onde é que já se viu, termos as terras abandonadas, pessoal desempregado e comprarmos tudo no estrangeiro. Acha que isto tem que ser assim?


RT - Eu creio que isso tem lógica mas porque é que o Governo, o PS, o PSD e o CDS insistem nas medidas de austeridade?


Sousa - Porque são partidos dos grandes patrões que querem aproveitar esta oportunidade para retirar os direitos que os trabalhadores conseguiram com o 25 de Abril. Querem ganhar mais dinheiro à custa dos trabalhadores e do povo em geral. Para eles é mais fácil reduzir salários e aumentar os preços do que obrigar os patrões a modernizar as empresas e criarem postos de trabalho. Aumentando o desemprego eles têm sempre os trabalhadores na mão. 


RT - Mas temos que gastar menos. Os salários têm que ser reduzidos...


Sousa - Eu tenho uma vaca que dá leite. Acha que se eu reduzir a ração para poupar dinheiro e disser à vaca que tem que se habituar a comer menos a vaca vai dar mais leite? Ou a vaca morre ou deixa de dar leite. O que é que eu ganho com isso? No primeiro mês ponho no banco o dinheiro que poupei na ração mas nos meses seguintes já não tenho dinheiro para por no banco e ainda tenho que lá ir buscar o que tinha amealhado. Temos que poupar é nos gastos com submarinos e nos negócios para os amigos, como os das empresas público-privadas.
Não é no que produz que se deve poupar. Se me ajudassem a comprar outra vaca podia pagar o empréstimo desde que os juros não fossem demasiado altos. O país também ganhava pois não ia comprar leite à Itália e a Espanha.


RT - Mas se o PS, PSD e CDS são a maioria e não aceitam as propostas da CDU então não temos outra alternativa.


Sousa - As propostas do PCP e da CDU são realistas e viáveis no interesse do País, dos trabalhadores e das novas gerações. Se o povo não abrir os olhos quem vai sofrer são os nossos filhos e netos. Nas eleições de 5 de Junho o povo pode votar na CDU para mudar esta política. Se a CDU tiver mais votos, o PS, o PSD e o CDS-PP têm menos deputados e não podem fazer tudo o que querem. 


RT - Mas se o País não tem dinheiro, como é que se faz? Onde vamos buscar o dinheiro?


Sousa - O país tem dinheiro. Está é mal distribuido. Os lucros dos bancos foram quase quatro milhões de euros por dia! Por dia! Note bem! A fuga aos impostos das grandes empresas que têm muitos lucros representam milhares de milhões de euros por ano.
Muito desse dinheiro foge do país pela mão desses senhores que dizem defender Portugal. São traidores que vendem o país. Tem milhares de milhões de euros nos bancos estrangeiros. O Governo o PS o PSD e o CDS estão feitos com eles e não aprovaram as leis que a CDU apresentou para os obrigar a pagar impostos sobre os rendimentos. Só o Senhor Amorim mais o Belmiro e o Soares dos Santos, ganham mais que dois milhões de reformados com 227 euros de reforma. Veja bem se o dinheiro não existe. Está é mal distribuído. Viu os milhares de milhões que tivemos que pagar por causa dos roubos feitos no BPN? Não sabemos da missa a metade. E os ordenados de muitos milhares de euros dos amigos do PS do PSD e CDS? Quase 80% dos reformados por velhice e invalidez recebem, uma pensão inferior a 400 euros. São quase dois milhões de reformados. Eu como Presidente da Associação tenho ido a muitas reuniões onde estes assuntos são discutidos. Quase um milhão de mulheres recebem apenas 293 euros por mês. Por isso. mais de dois milhões de portugueses vivem na pobreza. Acha isto justo?


RT - Mas o Governo também reduziu as pensões a partir de 1.500 euros.


Sousa - Em primeiro lugar, quando se fala em pensões elevadas dever-se-á diferenciar as que resultam do trabalho de uma vida e aquelas que têm sido arranjadas por artíficios e fraudes dos amigos do PS, do PSD e do CDS-PP, com valores escandalosos. O congelamento das reformas e os cortes nas pensões a partir de 1500 euros, pode ser injusto se rouba o dinheiro das contribuições de cada trabalhador durante toda a vida. Os que ganham 5.000 e 10.000 euros de reformas acumuladas e que não descontaram deviam ser presos. Mas se um pobre roubar um pão é logo preso. É uma vergonha.


RT - Eu sei que o voto é secreto mas já vi que vai votar na CDU, mesmo que a CDU não ganhe. Porquê?


Sousa - Essa é boa. Voto na CDU por tudo o que já lhe disse. Eu voto no partido que sei que melhor defende os trabalhadores e o país. O meu voto é uma grande responsabilidade para a vida dos meus filhos e meus netos. Não é por mim que estou no fim da vida. Não quero ficar com um peso na consciência de que não fiz tudo o que podia para os defender. O voto é secreto mas não tenho medo de dizer que vou votar no quadradinho do PCP-PEV ao lado do girassol! Eu não me engano!

24 de maio de 2011

A Alternativa

Uma política Patriótica e de Esquerda


Renegociação imediata da dívida pública portuguesa – com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar – no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego.


Transformação de créditos externos de entidades públicas.


Intervenção junto de Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, para adopção de medidas que libertem os países visados das inaceitáveis imposições e políticas da União Económica e Monetária e do Banco Central Europeu.


Diversificação das fontes de financiamento, emissão de Certificados de Aforro e do Tesouro para a captação de poupança nacional, bem como diversificação também das relações comerciais, mutuamente vantajosas, com outros países, designadamente de África, Ásia e América Latina.


Reforço do investimento público, voltado para a indústria, a agricultura e as pescas, para a criação e recuperação de infra-estruturas necessárias à produção, que aposte na substituição de importações por produção nacional.


Aproveitamento dos recursos nacionais, com combate ao desemprego, ao trabalho precário, à desvalorização dos salários, com o aproveitamento do mais importante potencial nacional – a capacidade criativa e produtiva de milhões de trabalhadores.


Defesa de um forte e dinâmico Sector Empresarial do Estado, recuperando para o sector público sectores básicos e estratégicos da nossa economia, designadamente na banca, na energia, nas telecomunicações e transportes.


Apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME) e a dinamização e defesa do mercado interno, pela melhoria do poder de compra dos trabalhadores e reformados.


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