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20 de maio de 2017

Para que fique registado III

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump" disse Maduro, presidente da Venezuela

Em geral os órgãos de comunicação, pertencentes às grandes cadeias controlados pelos interesses do grande capital, não referem as grandes manifestações de apoio a Nicolás Maduro e à sua política popular. Procuram pela especulação ridicularizar Maduro. Contudo, perante a grande contestação a Trump surgem oportunidades para trazer à superfície as políticas em confronto. De um lado os que estão com o povo, de outro as classes mais abastadas sempre à espera das migalhas dos multimilionários.
A Venezuela é um exemplo actual.
Da nossa comunicação social retirei algumas notas para registo:

"Tira as tuas mãos daqui Donald Trump. Go home Donald Trump, fora da Venezuela", disse o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no palácio de Miraflores, sede do Governo.
Pouco antes o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela já tinha qualificado como um "absurdo de antologia" as declarações de quinta-feira de Donald Trump após um encontro em Washington com o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Donald Trump disse na quinta-feira que fará "o que for necessário" em cooperação com outros países do continente para resolver a situação humanitária na Venezuela, que considerou uma "desgraça para a humanidade" e o Departamento de Estado norte-americano impôs, sanções a oito magistrados do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela, o que Caracas condenou "inaudito e inadmissível".

Se pesquisarmos a imprensa alternativa, não controlada pelas multinacionais da comunicação, ficamos a saber muita coisa que os jornais e a Televisão escondem. Leia-se por exemplo o recente texto do Avante.
«As iniciativas em defesa da paz e de rejeição da violência têm registado ampla adesão popular na Venezuela, com concentrações, marchas e manifestações a ocorrerem com esse propósito. É o caso da levada a cabo pelas mulheres no sábado, 6, cuja terminou com a entrega de um documento na Defensoría del Pueblo, órgão constitucional de defesa e promoção dos direitos humanos no país.

A recusa da ingerência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela, e designadamente da Organização de Estados Americanos – estrutura da qual a Venezuela se está aliás a desvincular, acusando-a de desrespeito pela sua soberania e de responder às directrizes do imperialismo norte-americano com métodos e orientações de recorte colonial –, e bem assim a condenação do suporte dado pelos EUA e por governos seu vassalos na América Latina a grupos violentos e à oposição mais irascível, têm sido igualmente centrais nas iniciativas promovidas pelos bolivarianos.
 


11 de novembro de 2015

Caiu o Governo mas a luta continua

A ofensiva ideológica da direita exige resposta acompanhada de maior compreensão da luta de classes que está no centro desta batalha

Há 40 anos no poder, após 48 anos de Salazarismo, a direita tem montada uma máquina poderosa de manipulação, de desinformação que ilude muitos trabalhadores e largas camadas do povo.
Neste momento histórico, com a queda do Governo caíram muitas máscaras, desfizeram-se mitos e abriram-se novos espaços de debate.

Novas vitórias dos trabalhadores e do povo dependem da capacidade dos mais conscientes sensibilizarem os menos conscientes para o que está a acontecer, à luz da luta de classes e sua justificação ideológica. É preciso criar as condições para organizar e trazer à luta os trabalhadores e o povo explorado, focalizando-os na defesa dos seus verdadeiros interesses e direitos.

Os «superiores interesses do País», cassete tão apregoada pela direita, nada têm a ver com os verdadeiros interesses do país que é o povo e os seus trabalhadores, na medida em que os interesses do grande capital, nada têm a ver com os interesses do povo explorado. É com estas e outras deturpações e mistificações que a direita engana os menos conscientes. Foi assim que Cavaco, Passos e Portas centraram a sua política e agora, derrotados, argumentam. Com a falsa justificação de defender os «superiores interesses do país», na realidade, defendem os «superiores interesses do grande capital» o que tem permitido que uma dúzia dos muito ricos sejam cada vez mais ricos à custa dos milhões de pobres cada vez mais pobres.

Estamos no auge de uma luta de classes que só poderá será vencida se os mais conscientes conseguirem alargar a consciência ideológica das massas de forma que possam compreender o que está em jogo. Apesar dos poderosos meios que a direita controla, o momento político que vivemos é-nos favorável e não o podemos desperdiçar.

9 de novembro de 2015

Sai PSD/CDS ficam os seus publicistas

Uma das tarefas prioritárias:
Desmascarar os que há anos manipulam as consciências, desinformam, mentem e têm conseguido enganar.

Apesar das mentiras e manipulações foi conseguido o resultado das eleições que permitiu eleger uma maioria de deputados que se recusa a continuar a política do PSD/CDS que arruinou o país. Apesar das vergonhosas campanhas e chantagens tão difundidas na Comunicação Social, foi conseguido o acordo para viabilizar um governo do PS que se compromete a romper com a já extenuante política de direita. Agora é preciso, é urgente, curar a peste que as forças reacionárias propagaram nos órgãos de comunicação social, em especial na Televisão. Comentadores, cronistas e politólogos, ao serviço dos interesses que arruinaram o país e, com isso bem se governaram, transmitem todos o pensamento único, mascarado de várias linguagens, sem permitirem o verdadeiro contraditório em igualdade de condições. A generalidade dos meios de comunicação e em especial os privados, propriedade de grandes grupos económicos, foi sistematicamente invadida por gente com opções de classe bem definidas, que servem a ideologia da direita, muitas vezes da extrema direita fascizante. O que deveria ser um instrumento da democracia, de debate onde as opiniões contraditórias se expressassem em igualdade de oportunidades, passou a ser um instrumento de uma ideologia, de uma classe dominante que pretende eternizar o seu domínio para bem explorar e ainda fazer com que os explorados agradeçam a exploração, como lei de divina ou, natural.
A maioria dos meios de comunicação, Televisões em especial, são hoje um instrumento de domínio das consciências, quase sempre pago com o dinheiro dos manipulados.
O papel de informação e formação que os meios de comunicação social deveriam ter inverteu-se para promover a mentira, a desinformação, a "distração" e a deformação.


Diz a Constituição da República que:
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão..."
"Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações".
"O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura".
"A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião."
É isto que se impõe.

29 de outubro de 2015

Oposição? Quem é a oposição?

Mudaram as maiorias, não mudaram os "fazedores de opinião"

É preciso insistir, de forma simples e clara, para que a direita, os comentadores e jornalistas não consigam continuar a confundir os telespectadores.

Os factos:
A direita, perdeu a maioria. Teve, menos votos e menos deputados que a esquerda.

Se considerarmos oposição, quem se opõe à maioria, a esquerda tem mais votos, e mais deputados na Assembleia da Republica. A oposição é a direita.

Na base desta mudança está a mudança que o PS anunciou na campanha eleitoral, de não continuar a apoiar a política de direita. Isso abriu a possibilidade de unir a esquerda.
O povo votou na mudança e retirou a maioria ao Governo do PSD+CDS.

O PCP de imediato tomou a iniciativa de propor ao PS a formação do Governo. BE fez o mesmo.
A direita, sem a maioria, está apavorada, e tenta manipular.
Até já promove manifestações de rua.


O papel das Televisões

Os Governos montaram uma poderosa máquina ideológica na comunicação social, em especial nas Televisões, para ludibriar e fazer campanha ideológica da direita.
Encheram-se de comentadores e jornalistas de direita, conservadores, agora, cada vez mais agressivos na defesa dos argumentos do Governo PSD/CDS.

A esquerda, tem urgentemente que tomar medidas para defender a democracia, a liberdade de expressão e a sanidade pública.

25 de outubro de 2015

Cavaco e seus comentadores

Que querem eles dizer? Estabilidade ou Instabilidade. Continuidade ou Mudança?
Querem confundir-nos?


Uma nota prévia:
O PS, depois da eleição de Costa e na campanha eleitoral, informou que não daria apoio à política de direita. Isso alterou muita coisa, incluindo a expressão do voto dos eleitores.

Cavaco, no desespero de querer voltar a colocar o seu partido no Governo, contra o resultado das eleições, mete medo aos portugueses com a instabilidade, que ele próprio criou ao indigitar Passos Coelho para formar um governo com apoio minoritário.
Antes das eleições disse que só empossaria um Governo que desse garantias de estabilidade e acabou, depois das eleições, por decidir empossar a Coligação do seu partido, em minoria. Portanto sem garantir a estabilidade que o País precisa.
Logo vieram às Televisões,  jornais e os comentadores da falange ao serviço de Cavaco, lançar a confusão entre estabilidade e instabilidade argumentando que a maioria dos deputados constituída por PS+BE+PCP+PEV não garantia a estabilidade.
O desenho que Cavaco e seus comentadores não querem perceber

Quem forma o Governo é a Assembleia da República

Pergunta-se muito simplesmente:
Se a maioria dos deputados não garante a estabilidade como é que a minoria garante?
Não faltaram argumentos imbecis. Os  principais são dois, que estão interligados:
- Os partidos da esquerda ainda não apresentaram um documento que garanta a estabilidade e,
- Não está garantida que essa estabilidade seja para quatro anos.
Esta dúvida, que parece rasoável, é, na verdade, muito capciosa, falsa e enganadora. Porquê?
Se aplicarmos a mesma pergunta ao partido de Cavaco, a dúvida fica desfeita:
- A coligação, que está em minoria, não tem nem terá um documento que garanta a estabilidade porque a maioria dos deputados já declarou que não o aceita.
- Não o aceita hoje, o que fará cair o Governo e, portanto, nem para amanhã quanto mais para quatro anos. Como garantem a estabilidade?
Pelo lado da coligação, do "presidente da república", o caso estará arrumado se os deputados dos partidos de esquerda, em maioria, cumprirem o que anunciaram aos eleitores. O Governo cai e lá se vai a estabilidade da cadeira onde Cavaco se apoia.

As confusões para enganar

Mas então onde estão as confusões que Cavaco e comentadores, querem criar?
São também claras se recordarmos o (miserável, criminoso, e antipatriótico) discurso de Cavaco Silva.
A confusão que ele quer lançar aos portugueses é que pensem em Estabilidade quando ele pensa em Continuidade. Rima mas não são a mesma coisa. Ele e os seus falangistas comentadores, não podem falar de Continuidade porque é evidente que as eleições traduziram a vontade de Mudança. Por isso tentam baralhar com a Estabilidade. As referências que faz à nossa submissão à Europa, aos tratados europeus e aos "mercados" mostra exactamente o que Cavaco quer. Mas... o seu problema é que, o que ele quer, não foi aceite pelos portugueses, que votaram pela mudança.
 
Gato escondido com rabo de fora!

Não é a Estabilidade que ele, Cavaco, quer para o Governo, mas simplesmente a Continuidade das políticas de empobrecimento, de austeridade como lhe chamam, para continuarem a roubar os salários dos trabalhadores, as pensões, para dar esse dinheiro aos Bancos, aos "mercados" e, portanto, aos que cada vez estão mais ricos à custa do continuado aumento da pobreza dos portugueses.
Esse Cavaco que, no Governo, destruiu a nossa Agricultura, as Pescas, a Indústria, as Empresas nacionais para as entregar aos ricos da Europa, a quem temos que comprar o que precisamos, quer agora que o seu partido continue a fazer o mesmo com o argumento de termos que nos submeter aos "mercados" e decisões que os portugueses nunca votaram, porque eles impediram que fossem referendadas.

Esse Cavaco e os seus falangistas de comentadores instalados e bem pagos nas Televisões, querem que os portugueses, que votaram pela Mudança, sejam obrigados a aceitar a Continuidade desta política de desastre.

Concluindo:
A Continuidade que eles não se atrevem a nomear foi firmemente regeitada pelos portugueses que, nas eleições de 4 de outubro, retiraram a maioria à coligação PSD+CDS e deram-na aos partidos de esquerda, que assim estão em melhores condições para garantir a estabilidade e a mudança que os portugueses desejam.

15 de outubro de 2015

Notas sobre os resultados das eleições (II)

Os contos da carochinha que os eleitores enterraram

Na publicação anterior fez-se um ensaio sobre a expressão dos resultados eleitorais e também da abstenção.

Nestes dias, saudavelmente agitados pelo debate democrático, a direita, que tem a capacidade de dominar a comunicação social privada (quase toda), tem tornado pública uma campanha para amedrontar os portugueses que votaram maioritariamente por políticas de esquerda e, mais expressivamente, contra a política de austeridade desenvolvida pela coligação PSD/CDS.

Ainda no tempo da “outra senhora” se contavam contos que moldaram as consciências. Quase todos contos de terror, do Inferno e seus Diabos, de injecções atrás da orelha, de criancinhas comidas ao pequeno almoço e outros do mesmo estilo. Para muitos esses contos poderiam parecer de atrasados mentais. No entanto a panóplia era muito variada e estava ajustada para entrar nos mais variados cérebros.

Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, muitos desses contos ficaram adormecidos face à dinâmica desses tempos. No entanto a direita, a contra revolução, aguardava a oportunidade de ir ao sótão buscar as velhas arcas dos contos de Salazar, António Ferro (e sua Política do Espírito), e outros Goebbels, mais ou menos modernos.

Com as devidas adaptações, apoiados pelo IV Poder, a Comunicação Social, voltaram esses Goebbels a acordar os medos escondidos nos subconscientes dos vários estratos sociais. A pobreza, cada vez mais acentuada, o desemprego, a instabilidade, o pessimismo quanto ao futuro, foram entre outros o caldo onde seriam refugados os contos antigos, para que fossem bem ingeridos. Aos poucos foram fervendo preconceitos que temperaram a propaganda de papas e bolos destes últimos 40 anos. As recentes eleições foram ricas em exemplos. Nesta ementa a ordem de entrada na panela é arbitrária.

Primeira estória: O “arco da governação”

O que está a acontecer pôs a nu as mentiras e a manipulação que a direita tentou nas eleições, condicionando o voto aos partidos do “arco da governação”, como se para além desta troika PSD, CDS e PS, nada mais houvesse. O avanço da Esquerda colocou em causa o conceito de "arco da governação". Esta estória do “arco da governação” está morta e enterrada.

Segunda estória: A bipolarização ou um jogo a dois

Decorrente do modelo “arco da governação” as eleições seriam para escolher um de dois: PS ou coligação. A Comunicação Social foi ao ponto de só ouvir Passos e Costa e só eles tiveram direito a primeiras páginas. A Televisão no canal generalista, o mais visto, apenas promoveu um debate entre os dois.
A derrota da direita e a ausência duma maioria absoluta, desmascarou a ficção deste conto.

Terceira estória: As eleições para primeiro ministro

É fácil de ver que este contos de fadas envolve a mesma ideia cujos resultados pretendem ser a alternância entre, sempre os mesmos. Apesar de criado o engano das eleições para Primeiro Ministro, ou para o governo, a realidade mostrou que são os deputados eleitos de todos os partidos que vão decidir. Mais um conto que foi arrumado na arca das velharias.

Quarta estória: O voto “útil”

Na continuação da anterior, a comunicação social e comentadores de serviço, apoiados nas “sondagens” estimularam o combate entre os dois principais partidos. Estímulo acompanhado de ingredientes como o “arco da governação” a bipolarização, as eleições para primeiro ministro. Também esta estória foi desmascarada pelos acontecimentos que mostraram as eleições são para eleger deputados e são os deputados que decidem qual o governo a formar.

Quinta estória: Fantasmas e papões

Mais que uma estória da carochinha “Fantasmas e Papões é um livro de contos. … “um entendimento entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, seria um absurdo”, uma “batota política”, “um assalto ao poder”, “uma revolução”, “um mergulho no desconhecido”; a “instauração da miséria”, uma “irresponsabilidade antieuropeísta”, um “pandemónio ingovernável”, uma “aberração”, uma “vergonha nacional”, um alvo da “chacota internacional”, “mudar as regras e a tradição”, “uma conspiração”, um “delírio”, a “restauração do gonçalvismo”, “um golpe de Estado” e muitas outras que os jornalistas e comentadores inventaram. Uma evidente chantagem, que ainda não terminou para manter no governo a coligação que foi fortemente condenada pelos eleitores.

Sexta estória: O prestígio de Portugal na Europa

Cavaco, o mais desprestigiado presidente que a democracia teve, o máximo expoente do ridículo, invoca que uma maioria de esquerda desprestigia de Portugal. Para Cavaco e Passos, o prestígio de Portugal no estrangeiro é a submissão do país a Merkel, ao Junker, (a Durão Barroso que continua a conspirar) e aos “mercados”. Agora, que tiveram uma derrota estrondosa, com os piores resultados de há muitos anos, mais uma vez, estala o verniz e caem as máscaras dos que se dizem defensores da democracia, do diálogo e concertação. Perante a possibilidade de serem afastados do poder que não largam há quase 40 anos querem amedrontar com ameaças externas. Desprestigio foram as políticas que causaram o desemprego, o aumento da dívida externa, a pobreza, a corrupção dos governantes e de altos cargos políticos. Prestigiar Portugal é corrigir os erros desta política, só possível com um governo de esquerda.

Sétima estória: A estabilidade ameaçada

Novamente uma estória de medo assente nos preconceitos antigos da Política do Espírito de António Ferro. A direita não quer admitir que perdeu e que em Democracia há alternativas que defendem o país e os portugueses. A direita sabe que foi a sua política que acentuou as injustiças sociais e que desestabilizou.
Passos Coelho, agarra-se desesperadamente a Cavaco Silva que há muito perdeu a vergonha e exerce os poderes de Presidente da República para servir interesses partidários. Isso e violar a Constituição, é que desestabiliza. Cavaco que tentou influenciar as eleições com os apelos à maioria absoluta, não a teve por vontade dos portugueses. Ao contrário as eleições geraram uma maioria de esquerda que permite a estabilidade. PSD e CDS, tiveram uma grande derrota e para governar precisam de apoios. Onde estão eles?

Oitava estória: Os exemplos da Europa

Cavaco, agora “esqueceu-se” que a Europa, tem governos formados por partidos minoritários mas que estabeleceram consensos entre si para garantir a estabilidade no Parlamento. Independentemente dos exemplos que Cavaco esquece o nosso sistema político tem o Parlamento como centro. O povo elegeu deputados e é aos partidos que cabe negociar e chegar a um entendimento.

Nona estória: O partido com mais votos é que deve governar

Para além do que já se viu e dos exemplos europeus, quem manda é o povo e a vontade do povo foi a mudança de política expressa maioritariamente pelos votos nos vários partidos de esquerda.
Apesar da direita ter insistido que "a crise e a austeridade" estavam vencidas e ainda que tenham ganho votos com mais essa mentira, perderam mais de 700,000 votos. Ainda assim foram os que isoladamente tiveram mais votos. Por isso a direita, insiste numa outra mentira, de que quem "fica à frente" deve governar. Essa mentira cai pela base face à falta de apoio de um governo minoritário no Parlamento, apesar de ter “ficado à frente.”
O primeiro-ministro será quem tiver mais apoios e quem os deputados que elegemos quiserem.

Décima estória: Os comunistas empurram o PS para a direita

As declarações do BE, do PCP e do PEV mostram que ao contrário do que a direita do PS dizia, não é a esquerda que empurra o PS para a direita. Essa acusação feita principalmente ao PCP é desmentida face ao apoio para que o PS forme governo com uma política de esquerda consensual.

Décima primeira estória: A Europa connosco. A Europa é progresso para Portugal

Cada vez mais cidadãos, estão a descrer das promessas feitas com a entrada para a União Europeia e desejam uma mudança de política também na Europa. As desigualdades na Europa são cada vez maiores e muitos povos de países europeus desejam também mudanças de política.

Ficam muitas mais estórias por desmascarar. A vida se encarregará de trazer a verdade ao de cima.

5 de outubro de 2015

Resultados das eleições legislativas

Resultados... e o que vem a seguir.
Um balanço muito provisório

Nesta noite de insónias e do Aniversário da Implantação da República, todos os olhares se voltaram para a Televisão. Não para ver ou ouvir o Presidente da República que está muito ocupado, coitado, mas para ver e ouvir o que a Televisão, nos informava no meio de muito lixo tóxico. Como é habitual, manteve a sua estratégia de diminuir a esquerda continuando a lamber as botas da direita. São assim os Jornalistas que temos. Aproveitaram ou atrasaram a divulgação dos resultados onde a esquerda tem sempre mais votos, como é o caso de Lisboa, Setúbal e outros para, face aos resultados que chegavam das zonas mais conservadoras, manipular e esconder a vitória dos partidos de esquerda. Esta só viria a ser mais expressiva a altas horas da madrugada, com a maioria das pessoas a dormir.

O papel do "Quarto Poder"

A comunicação social conhecida como o Quarto Poder, acima dos poderes democráticos, Legislativo, Executivo e Judiciário, foi por isso, há muito “privatizada”, comprada pelos grandes grupos financeiros. Quarto poder que exerce a sua ditatorial função, arma do capital financeiro, para desinformar, manipular e enganar os menos atentos.
Foi esse poder, antidemocrático, que impôs que na Televisão em canal aberto, apenas se fizesse um debate entre Passos e Costa, esquecendo os outros. Foi esse poder ditatorial que impôs que nas primeiras páginas dos jornais só esses aparecessem. Foi esse quarto poder, face do poder do dinheiro, que levou jornalistas a escrever milhares de palavras, que desviaram a campanha para questões fúteis, esquecendo o fundamental e, fizeram dela um jogo de futebol, entre PAF(PSD/CDS) e o PS.

A bipolarização forçada

Assim construíram uma brutal bipolarização, fazendo crer a muita gente que só havia dois contendores, curiosamente, ambos com a mesma política: A direita, (direita do PSD/CDS) e a "esquerda" PS com a sua tradicional política de direita. Esse prato de lentilhas foi temperado com a falsa ideia de "voto útil" que Costa reconheceu que não foi suficiente para que o PS ultrapassasse o PAF.
Na realidade todos esses truques e armadilhas da Comunicação Social e Televisão não conseguiram evitar a subida dos partidos de esquerda e a descida dos partidos da direita. Mais uma vez a Comunicação Social levou a noite toda a tentar esconder isso e a continuar a intoxicar os cérebros menos defendidos.


Já hoje de madrugada procurei as declarações dos partidos. Do PS achei estranho que na sua página na Internet - Notícias e Diário da Campanha nada se refira aos resultados das eleições e nem sequer o discurso de Costa. Nada de oficial encontrei. Registei do que ouvi Costa dizer, que o PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social [que o serviu muito bem, digo eu] quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!. Desesperado apelo que a Comunicação Social tanto se esmerou a ampliar para que votos de esquerda fossem para o PS. Certamente tal esforço desesperado alguns resultados teve. Certamente muitos votos de esquerda de pessoas, ideologicamente mais débeis ou enganadas pelo "voto útil", foram desperdiçados no PS mostrando aquilo que a CDU vem tentando alertar: Votos úteis são apenas aqueles que não atraiçoam.

Objectivos e a realidade

Jerónimo de Sousa confirmou: «Não é possível deixar de assinalar que este resultado foi construído sob uma intensa campanha ideológica e de condicionamento eleitoral, de chantagem e medo».
Disse ainda: «a CDU reafirma a convicção de que a política patriótica e de esquerda que propomos para enfrentar e vencer os problemas nacionais, emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita - seja quais forem as arrumações que se vierem a revelar nos próximos dias – quer conduzir o país».
Na realidade, para estas eleições a CDU definiu 3 objectivos: aumentar votos em relação a 2011, subir em percentagem e ter mais deputados
Podemos dizer que foram objectivos modestos mas, como se confirmou, foram objectivos realistas como é timbre do PCP e da CDU. Foi pequeno o avanço, mas foi um avanço.
Para que não se prolongue o sofrimento do povo e não se acentue o declínio do País talvez fosse bom sermos mais ambiciosos. Para isso, é sobretudo preciso vencer este “quarto poder” antidemocrático, o monstro em que se está a tornar a Comunicação Social e que impede o povo de reflectir livremente sem preconceitos, medos e chantagens.

A possível maioria de esquerda

Passadas estas eleições, António Costa, vencido e, ao contrário do que o BE e PCP já disseram, parece querer entregar-se, (se não era essa a intenção) nas mãos da direita, admitindo deixar passar o governo do PSD/CDS.
Esta doença dos partidos chamados do "arco da governação" é incurável e faz com que António Costa, que durante a campanha várias vezes insistiu em que a direita não tinha com quem dialogar, e que o PS tinha, vá dialogar com a direita esquecendo os partidos em ascensão, BE e PCP-PEV.
Não deixemos que nos iludam. Recordemos que PS, CDU, BE, representam mais de 50% dos eleitores e a maioria na Assembleia da República. As soluções estão agora nas mão do PS que, se quiser fazer uma política de ruptura com a direita, como chegou a prometer, tem a oportunidade de não viabilizar um governo de direita e enveredar por uma política que possa ter o apoio da esquerda. O resto se verá.

2 de outubro de 2015

Concatena, filho, concatena...

O papel da Televisão (e da Comunicação Social) na bipolarização, ou na alternância disfarçada de alternativa.

No texto aqui ontem publicado, o jornalista Presidente da Presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, ao analisar o que a Comunicação Social tem feito, mostrou:

«Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas».
Termina dizendo:
«...isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados...»

A analise poderia mostrar muitos mais truques que há 39 anos, manipulam as ideias e as consciências (em especial as mais fracas) dos eleitores.

Assim se fabricam ideias erradas e as ideias erradas produzem decisões erradas e as decisões erradas estragam a vida de muita gente. Por isso vem a propósito dizer:
Concatena, filho, concatena...

1 de outubro de 2015

Sobre a isenção da Comunicação Social


Como se comporta a Comunicação Social relativamente aos vários partidos?
Como influencia as eleições?


A esmagadora maioria da comunicação social tem no seu estatuto editorial a procura da isenção.
É isto que praticam?


O Jornal Público editou um artigo de Joaquim Vieira, jornalista e Presidente do Observatório de Imprensa, com o título "A Comunicação Social deixa transparecer alguma orientação partidária?"
 

Em subtítulo acrescenta:

Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança.

Começa João Vieira por alertar: «Para se falar de isenção dos media face aos partidos políticos, convém assentar num pressuposto: a isenção total, 100% pura, não existe. Qualquer trabalho jornalístico contém a marca deixada pela subjectividade com que o seu autor olha a realidade. O que existe são princípios de aproximação à isenção, a tentativa permanente de ser o mais imparcial e equilibrado possível (em contraposição com o chamado jornalismo de causas, no qual o jornalista assume claramente as suas opções e relata em função delas)».

Hipocrisia?


Continua João Vieira: «Esse esforço de isenção faz parte do estatuto editorial da esmagadora maioria dos media portugueses, pelo que devemos presumir que está em vigor (o mesmo já não direi de alguns dos seus jornalistas). Os nossos órgãos de informação nem sequer tomam posição editorial a favor de uma das candidaturas a eleições, ao contrário do que acontece em muitas outras democracias. Querem assim convencer-nos de que a independência é mesmo um dos seus apanágios».

O que querem que julguemos e o que são na realidade

Continuando, o Presidente do Observatório de Imprensa, diz-nos: «Uma análise mais fina e detalhada talvez permitisse outras conclusões (acredito, por exemplo, pelo que analisei na altura, que num outro diário de referência existiu mesmo uma "secção laranja", havendo nela quem depois fosse recompensado com confortáveis cargos no aparelho de Estado, tal como já antes tinha verificado a passagem directa de jornalistas para assessores de políticos eleitos cujas campanhas tinham acabado de cobrir). Mas o que quero aqui demonstrar é que, na realidade, essa independência não existe».

A alternância para que tudo fique na mesma

E prossegue: «Os media preocupam-se sobretudo em perpetuar o statu quo político e estão pouco ou nada abertos à alternativa e à mudança. E perpetuar o statu quo significa dar predominância aos dois partidos que têm assegurado a alternância: PSD e PS (o centrão). A prova é que as televisões (e de certo modo também as rádios) entenderam, do alto da sua potestade, que apenas os líderes desses partidos tinham direito a debate em canais generalistas, os únicos a que toda a população tem acesso, ficando o resto, a existir, para o cabo, visto sobretudo pela classe média, mas só entre partidos com assento na legislatura cessante, sem inclusão sequer daqueles que as sondagens – tão acarinhadas pelos media – anunciam que entram no próximo parlamento».

As mentiras que enganam os eleitores

E assim conclui o Jornalista: «Dizem que o critério é "jornalístico", porque só um daqueles dois líderes pode vir a chefiar o Governo. Ora, isso é uma perversão do acto eleitoral e da própria democracia. Do acto eleitoral, porque as eleições não são para primeiro-ministro, são sim para deputados. Da democracia, porque se deve considerar que, em qualquer eleição democrática, à partida tudo está em aberto. A prova? O actual primeiro-ministro dinamarquês não é o líder de um dos dois partidos mais votados nas eleições de junho passado, mas sim do que ficou em terceiro lugar. Pelo critério dos media portugueses, ele não teria participado em nenhum debate pré-eleitoral para toda a audiência».

João Vieira
Presidente do Observatório de Imprensa

26 de setembro de 2015

Para refletirmos III

A "campanha negra"
Notas de um artigo de opinião de Carlos Gonçalves no Avante
 
« - As «sondagens», concebidas como armas de mistificação de massas para «fazer cabeças» e fabricar resultados nos media dominantes, que, quanto muito, indiciam tendências e nunca o «score» eleitoral, de que estão muito longe, já que as margens de erro, no caso da RTP, podem somar ou retirar a qualquer força dois por cento ... Não são sondagens, são palpites e manipulações da política de direita, para impor os «resultados convenientes"...»

«... As calúnias do Expresso à Festa, ou as agressões cobardes de quatro fascistas são expressão do seu medo de que este povo tome nas suas mãos o futuro do País».

«- As tretas dos protagonistas da política de direita, que falsificam todas as estatísticas e convergem, à beira de eleições, com a revisão reles do «rating» de Portugal pela Standard & Poors – a tal que abichou centenas de milhões com notificações falsas no Lemhan Brothers e que o próprio governo USA fez pagar 1,5 mil milhões de dólares para suspender um processo crime por fraude..

«São manobras da «campanha negra», insidiosa e perigosa...»

sublinhados meus.

31 de agosto de 2015

A festa do Avante e as FARC

Quem são os terroristas?

A comunicação social, que pouco fala da maior iniciativa política e cultural do país, volta novamente, como no ano passado, a interessar-se pela presença de representantes das FARC na Festa do Avante.

Foi notícia o facto do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ter admitido a presença na festa do Avante de membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O embaixador colombiano em Lisboa, Plínio Mendoza, pediu explicações ao Governo português sobre a presença na festa do Avante de activistas das FARC, uma organização classificada como terrorista pela União Europeia.
Jerónimo de Sousa disse que o PCP tem "uma concepção diferente de terrorismo" comparativamente à UE e Estados Unidos.
O terrorismo dos poderosos
Os que dominam, os que exploram, o imperialismo, considera terroristas os que se opõem à sua política mas, apoia como "libertadores" os que lutam contra os que não se submetem aos Estados Unidos. A história recente mostra dezenas desses exemplos, desde a Al-Quaeda para lutar no Afeganistão, passando pelos que destruíram a Líbia , pela origem do Estado Islâmico até aos fascistas que derrubaram o Governo legítimo na Ucrânia, como Pinochet, como... como... recordemos ainda o apoio que os EUA dão a Israel para matar milhares de palestinianos inocentes. Todos esses "libertadores" matam e destroem países como o Iraque e a Líbia (para não falar do Vietname). Os próprios EUA são mais terroristas que todos os terroristas juntos quando, "à lei da bomba", matam milhões de pessoas inocentes, mulheres, crianças e velhos em todos esses países. Os Estados Unidos que usam bombas atómicas para destruir cidades como Hiroshima e Nagasaqui e pussuem o maior poderio apoiado nas mais violentas armas de destruição maciça no seu arsenal nuclear, para defender os seus próprios interesses e manter a supremacia, arrogam-se no direito de chamar terroristas a quem entendem. Para os Estados Unidos da América e União Europeia, terroristas são os que como Che Guevara, Fidel de Castro e tantos outros lutaram e lutam pela liberdade e independência.

As iniciativas para o diálogo
As FARC têm feito inúmeras tentativas de diálogo com o Governo da Colômbia. Promoveu à quase três anos, os chamados "Diálogos de Paz de Havana que ainda decorrem. Pela segunda vez, este ano decretaram o cessar-fogo unilateral em todas as frentes de combate, apesar de não ter sido feito o mesmo pelo exército colombiano. Estes gestos de paz, foram anteriormente interrompidos quando o governo, ignorando esta boa vontade, bombardeou acampamentos da guerrilha.
O presidente Juan Manuel Santos, considerou, agora, positivo o cessar-fogo mas, apenas prometeu uma «desescalada das ações militares» do Exercito colombiano e ameaçou pôr termo aos diálogos de paz de Havana. Ainda assim o presidente colombiano admitiu, pela primeira vez, um cessar-fogo definitivo antes da assinatura de um acordo de paz que assinalaria o fim de 50 anos de um conflito em que pereceram milhões de colombianos. O respeito pelo cessar-fogo será acompanhado por um representante da ONU e outro da UNASUR. Estas promessas de Juan Manuel Santos, não são seguras tendo em atenção o seu passado de ter concebido e organizado, com a colaboração da CIA e da MOSSAD, o bombardeamento pirata do acampamento do comandante Raul Reyes, no Equador.

Agora, Jerónimo de Sousa disse aos jornalistas que, apesar da forma de intervenção das FARC, existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou. Quem não cumpre os Direitos Humanos é o Estado Colombiano como, reconhecidamente os EUA. Jerónimo de Sousa deplorou a iniciativa do diplomata colombiano, retorquindo que caberia ao embaixador da Colômbia "dar contas das razões que levam ao assassinato, por exemplo de 70 sindicalistas comunistas, atitudes terroristas contra o movimento sindical". Disse ainda "Pensamos que esta operação e esta deriva em relação à nossa festa procura esconder a responsabilidade deste Governo em relação a actos de terrorismo de Estado, designadamente em relação à facilidade que permitiu que em território nacional se cometam como os voos da CIA, transportando prisioneiros à revelia do Direito Internacional".

De facto o PCP, tem uma concepção diferente. Para os EUA, UE, e neste caso também a Colômbia, que não cumprem a Declaração Universal dos Direitos do Homem, os terroristas são os que se querem libertar da exploração dos monopólios.

29 de agosto de 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

27 de agosto de 2015

Censura

Os órgãos de informação escondem as responsabilidades das tragédias

As tragédias que envolvem alguns milhões de pessoas e centenas de milhar de refugiados, são fruto das guerras que a NATO, a mando dos Estados Unidos da América, com a colaboração da União Europeia, fizeram no Médio Oriente, que arrasaram países inteiros como foi o caso, entre outros, da Líbia. Recorde-se que, em 2012, a Líbia tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior produto interno bruto (PIB) (em paridade do poder de compra) per capita do continente (em 2009), atrás da Guiné Equatorial, das Seychelles, do Gabão e do Botswana. A Líbia tem uma das 10 maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e a 17.ª maior produção petrolífera (dados da Wikipédia).
Como a história tem mostrado, os EUA, promovem as guerras civis contra os governos que não se submetem às suas exigências, ou financiam e armam terroristas, criando o pretexto para a sua intervenção e domínio de países através da colocação de governos fantoches e ditaduras (como de Pinochet, e agora na Ucrânia).
É isto que as Televisões, Jornais e jornalistas, têm medo, ou estão proibidos, de dizer.
Ver ainda:
http://c-de.blogspot.pt/2011/03/guerra-no-libano.html
http://c-de.blogspot.pt/#uds-search-results



25 de agosto de 2015

A Lei do Funil

A direita faz batota. Trapaceiros

A lei do funil é uma das principais leis porque se regem os políticos de direita. O lado largo do funil voltado para a direita e o estreito para a esquerda. 

Fazer batota, ou trapaça, significa usar de vantagem ilegítima ou indevida para ultrapassar parceiros ou competidores. Não cumprimento das regras de um jogo, de maneira que outro ou outros jogadores não se apercebam.

Em Comunicado, de ontem, 24 de agosto, de que se faz uma síntese, a CDU – Coligação Democrática Unitária – manifestou:
- a sua disponibilidade para estar presente, em pé de igualdade, nos debates e "frente a frente" com as forças políticas que estejam dispostas a participar.  Assim no "frente a frente" com a Coligação PSD/CDS em que participará o líder do segundo partido da coligação, a CDU participará também com o líder do segundo partido Heloísa Apolónia em representação do PEV.
Resumidamente, a CDU sublinhou:
 - Desde a primeira reunião, das três realizadas com a sua participação, o PCP manifestou inteira abertura e interesse na concretização de uma solução que assegurasse o conjunto de debates que permitisse o pleno esclarecimento e o desejável confronto de projectos e posicionamentos em discussão nas eleições legislativas de 4 de Outubro.
- É falso o que dizem o CDS e PSD, o PCP tenha vetado a participação do CDS nos debates.
- Para o PCP só são aceitáveis dois critérios objectivos:
 - o da participação nos debates de 4 candidaturas (CDU, PaF, BE e PS) ou,
- ou dos seis partidos com representação parlamentar (PSD e CDS, PCP e PEV, PS e BE).

Duma forma manhosa, desonesta, a coligação PSD/CDS-PP queria o privilégio de ter dois representantes e a CDU apenas um.
Qualquer pessoa honesta compreende que:
- Se a Coligação PSD/CDS quer ter dois representantes nos debates, por ter dois partidos, também a CDU deve ter dois representantes uma vez que também tem dois partidos, o PCP e o PEV.
Quem se opôs à solução de haver representantes dos partidos foram PS e BE que concorrem isolados.
Esclarecida a questão do número de representantes, por Coligação ou por Partidos, as televisões prepararam nova armadilha:
- Realizar programas “frente a frente” com Passos Coelho e António Costa, nos principais canais, deixando de fora os outros partidos que apenas falariam nos canais cabo, com muito pouca audiência.

No comunicado da CDU, recorda que a nova legislação sobre cobertura jornalística de campanhas eleitorais foi cozinhada entre PS, PSD e CDS contra os votos do PCP e PEV. No entanto os três partidos da troika aprovaram a legislação que está a dar estes problemas. Não acusem a CDU de querer um tratamento igual, lá porque eles tentam aplicar a Lei do Funil.

24 de agosto de 2015

Teoria da Conspiração

A censura dissimulada

Do blog Mundo Cão retirei as seguintes notas:
A «chamada teoria da conspiração, é uma maneira de colar o mesmo rótulo de descrédito em denúncias fundamentadas sobre assuntos importantes mal contados por quem nos governa…/… Trata-se de uma manobra insidiosa para invalidar o contraditório, para amarrar a opinião pública a uma explicação única e definitiva das coisas em vez de a por a reflectir sobre as realidades que nos cercam. É interessante, por exemplo, que haja jornalistas a colaborar nesta mistificação mesmo sabendo – ou devendo saber – que estão a enviar para o grupo dos aldrabões e lunáticos os seus camaradas de profissão que fazem o que têm a fazer: investigar, procurar verdades, sobretudo quando são escondidas».

De facto a facilidade com que se aplica o rótulo de “teoria da conspiração” mostra a cobardia de quem não tem argumentos e quer fugir ao debate dos assuntos.
Questões como «…o golpe na Ucrânia ter conduzido a um governo fascista, ou a possibilidade de o MH 17 não ter sido derrubado por um míssil russo, ou a circunstância de haver produtos comercializados pela multinacional Monsanto que envenenam pessoas e o planeta, ou a invasão do Iraque ter sido baseada num chorrilho de mentiras, ou o neoliberalismo existir e ter criado a crise como regime global…» são assuntos proibidos e censurados pela comunicação social. Proibidos e censurados porquê? Por isso mesmo. Por serem incómodos para quem os censura.

A pluralidade de opiniões
Quando Ford lançou a fabricação de automóveis em série, alguem lhe perguntou se se podia escolher a cor do carro.
Ele respondeu:
Qualquer um pode escolher a cor desde que seja o preto.

Alguns dos comentadores e politólogos da "cassete" do pensamento único. Na foto não se vêm as palas que têm no cérebro, 

Não sendo a censura feita da mesma forma que Salazar fazia, esta censura actual, na Televisão e na generalidade dos meios de comunicação, o que é facto é que tem exactamente os mesmos efeitos, esconder o que não lhes interessa mas, agora, de forma ainda é mais enganadora.
No fascismo ninguém, nem os próprios fascistas, escondiam que havia censura. Por isso, quando líamos um jornal estávamos prevenidos. Agora nesta chamada “democracia”, onde a maioria das liberdades têm que ser compradas por muito dinheiro, a censura, a manipulação das ideias, a deturpação e omissão dos factos, está escondida por uma falsa capa de liberdade de informação. E quando alguém quer fazer uso da sua liberdade e direito de pôr em dúvida, essas “verdades” falsas, logo é apelidado de promotor da “teoria da conspiração” e, o mais grave, é silenciado sem que tenha oportunidade de demonstrar a sua "teoria".

 «Quando exercícios deste tipo se realizam com a participação de centrais de propaganda como por exemplo as que servem as estratégias desenhadas pelo Grupo de Bilderberg percebe-se que neles nada há de inocente. Tais órgãos justificam, nesta matéria, o porquê de se auto intitularem “meios de referência”. De facto, basta-lhes seguir o rasto para se conhecerem, passo a passo, as tendências dominantes de quem segue as regras de manipulação e intoxicação dos cidadãos ao serviço do regime único».

O país vai muito bem, o mundo nunca esteve melhor e, quem disser o contrário é “conspirador” e usa a “teoria da conspiração.

O artigo de onde foram retiradas as notas assinaladas, pode ser visto aqui.

5 de agosto de 2015

A pátria em acentuada decadência

Ainda há quem lute e não desista

No passado 31 Julho, Baptista Bastos escreveu no Jornal de Negócios uma crónica, que é importante conhecer.
Começa B.B. por acentuar o papel de desinformação da nossa Comunicação dita Social. «Se quiser saber o que realmente ocorre, tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo». 

O colonialismo ideológico

A esse propósito também o Papa Francisco disse que «A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico». Por muito que "comentadores e politólogos" tentem disfarçar, são eles próprios, que o confirmam pelas constantes mentiras com que procuram defender esta política, de direita. Muito mais disse o Papa. Por isso, não agradou a esta direita que coloniza os meios de comunicação. Os jornais e a Televisão escondem tanto quanto podem, quem, contra corrente, tem a coragem de dizer a verdade.

A realidade não pode ser desmentida

Por isso não estranhamos que, um estudo da Marktest sobre o tempo de antena dado pelos maiores canais de televisão, tenha mostrado que «os comunistas são, entre todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Partido Ecologista Os Verdes, os que menos ocupam as atenções mediáticas». Por outras palavras: Os comunistas, como outros já referidos, incomodam, agitam as águas podres deste charco em que esta política de direita, há 39 anos vem transformando o país. Muito gostariam os colonizadores que não existisse o Partido Comunista, nem que homens sérios "colocassem a boca no trombone" uma vez que os microfones e câmaras de Televisão já a Censura do poder controla.

Adormecimento e pensamento único

Baptista Bastos não é "um qualquer" como os que vão à Televisão fazer o frete ao governo. Baptista Bastos não rasteja aos pés dos "colonizadores" - para utilizar as palavras do Papa - como rastejam os sabujos, os repugnantes seres, sem espinha dorsal, que lambem as botas dos seus patrões donos dos Orgãos de Comunicação Social, a troco de umas benesses. B.B. aponta «O universo de embuste criado com o "empobrecimento" da população; a "austeridade" imposta por uma ideologia que ignora as características, a cultura e a História do país». Mostra a «apatia de desistência», planeada, para que este povo se vá habituando a ser explorado sem refilar. Tal como no fascismo, Batista Bastos evidencia que faz parte desta política de direita o adormecimento das mentalidades. Para isso, estes colonizadores, com a cumplicidade dos que dizendo-se de esquerda, sempre abriram o caminho à direita, inoculam os analgésicos «o fetiche do futebol; as revistas cor-de-rosa» acompanhado das drogas que Televisões e Jornais injectam a toda a hora nos portugueses que ainda procuram conhecer o que se passa neste país e no mundo.

Os que não se vergam

Para quem a verdade é um valor, como diz Baptista Bastos «É penoso ler a imprensa dita de "referência", estafada em desaforar o leitor dos grandes problemas nacionais e internacionais». Dá como exemplo o caso da Grécia e o que tem sido dito, para concluir «No ponto da situação, há uma luta de classes e de poder que pode arrastar a Europa para um abismo profundíssimo. A questão é que deixou de existir analistas que, pedagogicamente, explicassem o que está em jogo, e os perigos decorrentes de uma Europa atrozmente desunida, que não passa de uma cabisbaixa serventuária da Alemanha». "Sem papas na língua" e com lucidez, B.B. termina a sua crónica dizendo: «Na discórdia europeia, Passos Coelho colocou-se, obediente e sabujo, ao lado de Angela Merkel, tal como, anteriormente, o fizera José Sócrates. Nesta parada de serviçais, não o esqueçamos, o único partido que sempre recalcitrou foi, e tem sido, o PCP. Goste-se ou não, os comunistas portugueses têm pelejado contra a subserviência dos nossos governos e alertado para a urgente necessidade de Portugal sair desta Europa defeituosa. Nada desta problemática é tratada, com a seriedade exigida, pelos órgãos de comunicação sociais. Se quiser saber o que realmente ocorre tem de frequentar a imprensa estrangeira, tal como no fascismo. Este reino cadaveroso está envolvido num lamaçal de condescendências e de cumplicidades, que afecta a própria alma do que somos. "Um fraco rei faz fraca as fortes gentes", disse-o o Poeta, melhor do que ninguém».

Não deixemos que enfraqueçam a força do povo e, por todos os meios ao nosso alcance, façamos com que a Comunicação dita Social, não continue a deformar as nossas consciências. Comuniquemos!

28 de julho de 2015

30 anos em rodagem

O trampolim do Marketing

0 Expresso publicou, revista-2230, um artigo que considero de grande interesse analisar. É um trabalho importante de Ângela Silva sobre a vida do político Cavaco Silva. “30 anos em rodagem”. Não devemos desconhecê-lo. (Ver aqui) 
Este trabalho de Ângela Silva mostra como se fabrica um político que, defendendo interesses contra o povo, contra o país, consegue que o povo e o país o elevem a Presidente da República e o mantenham nos píncaros da política durante 30 anos.


O bom aluno


Isto deve levar-nos a reflectir no que falta a políticos que defendem o povo e o país para que, não consigam o suficiente para que, este povo e este país, reconheça os erros que têm cometido ao eleger quem não os defende.
Leva-me também a reflectir no poder que, as técnicas da comunicação e outras ciências como o marketing político podem ter para que prevaleça a mentira sobre a verdade.

A transformação da mentira 


Por último fico a pensar que, sendo mais fácil convencer com a verdade do que com a mentira, o que é que nos falta para que não sejamos capazes de mostrar ao povo, tantas vezes enganado, quem, verdadeiramente, defende os interesses que os outros, mentido com habilidade, dizem defender?

Sabemos que a direita têm o controlo da Comunicação dita Social. Sabemos que a cultura "das massas" tem sido adulterada por preconceitos transmitidos ao longo de gerações. Mas também sabemos que a mentira “tem perna curta” e, mesmo com as ajudas de trampolins da Comunicação Social e Marketing, a verdade pode ter muita força se for devidamente transmitida.

Como amantes da verdade, mas também do progresso, da Técnica e da Ciência, utilizemo-las com inteligência, com assertividade e eficácia.  Isso também se aprende. Num combate tão desigual não cultivemos a ignorância nem utilizemos pedras ou fisgas, para combater espingardas.

Ainda mais dois destaques do trabalho de Ângela Silva:

Como tudo começou, sempre as ajudas do PS...
... e como acaba


17 de julho de 2015

As Palavras e os Fatos

Portugal e as soluções europeias

A Televisão continua a querer formatar os cérebros dos portugueses. Em mais de 90% das informações e dos comentadores que escolhe, considera que apenas existem três partidos em Portugal. São os partidos das "soluções europeias", mais conhecidos pela troika portuguesa.
A justificação que esses atores dão, é que apenas esses partidos são do “arco da governação” ou como agora dizem “o PCP e o BE colocam-se fora de qualquer solução governativa”. E como dizem isso, sem respeitar a vontade do povo português, quer antecipando o resultado das eleições, quer ditando o que é “solução governativa”, tudo fazem para que esses partidos não contem, não sejam ouvidos.

A censura encapotada

Nos debates quase que só falam da disputa entre PS e PSD, ainda que a política não seja muito diferente. E assim vão roubando aos portugueses a informação de outras propostas e outras soluções para a política em Portugal.
E, nos debates que promovem evitam que esteja algum comunista para desmentir as suas afirmações.
Explicam também que a solução governativa é a que é ditada pela troika. Na Grécia o povo, quer nas eleições, quer em referendo mostrou que não quer mais essas “soluções governativas”. Então porque é que a televisão e os comentadores que escolhe, não aceitam democraticamente que o povo português venha a rejeitar essa “solução governativa”?
Vejamos então o que tem sido a “solução governativa” do PS, PSD e CDS (os tais que eles dizer do “arco do poder”.

Das palavras e dos atos passemos aos fatos

Essa “solução governativa” que defendem esses partidos conduziu Portugal para os níveis do século passado.
O estudo «Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspectivas», revela que o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia. E os autores do estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, antigo ministro da Economia (1996-97) e secretário de Estado da Indústria (1995-96) no Governo PS liderado por António Guterres, são insuspeitos quanto à sua ligação justamente aos partidos chamados do “arco do poder” que governam Portugal há 38 anos.

Agricultura e indústria destruídas

Esse mesmo estudo revela muitos outros dados que o PCP e o BE, (os tais que estão fora da solução governativa que a Televisão e os comentadores classificaram sem esperar pela expressão da vontade do povo português), já tinham apontado sem que isso fosse devidamente divulgado. Revela também que desde a integração europeia, a nossa indústria caiu dez pontos percentuais, e a agricultura em geral passou de oito por cento, em 1986, para apenas dois por cento actualmente.
O estudo informa ainda que a degradação das condições de trabalho, subiu em 50% relativamente a 1986 com o número de precários de 700 mil. Por isso, reconhecem eles, a precariedade do trabalho em Portugal é a terceira mais elevada da União Europeia e, a emigração ocupa o primeiro lugar, com mais de cinco milhões de portugueses que tiveram que abandonar o país para trabalhar fora.

Os portugueses trabalham pouco?

Creio estar estafada a acusação de que os portugueses trabalham pouco. No entanto não é demais referir que o estudo feito revela que Portugal é um dos países da OCDE com mais horas de trabalho em 2014. Os trabalhadores portugueses têm vindo a aumentar as horas de trabalho, muitas vezes sem as receber, embora o desemprego se mantenha num dos mais elevados. Os portugueses trabalham mais 486 horas anuais do que os alemães e menos 185 horas do que os gregos. Justamente os países que são mais explorados nesta “Europa da Coesão Social”.

A verdade começa a vir ao cimo

Todos sabemos, e eles também, que a Televisão influencia muito a forma de pensar do povo. Por isso o esforço que fazem para silenciar, para evitar que algum comunista vá à televisão defender os seus pontos de vista. É esta a sua democracia e a democracia deste sistema que tem na mão quase todos os meios de comunicação. Contudo tenho vindo a verificar que nos jornais, muitos jornalistas já se atrevem a defender soluções e opiniões que a Televisão considera estarem fora das soluções governativas. Tenho lido muitos artigos que, finalmente reconhecem a razão de muitos dos avisos que o PCP tentou lançar, mas na maioria cortados pela “censura”. Alguns já aqui foram reproduzidos, de tempos de antena que a Televisão não pôde cortar.

14 de janeiro de 2015

Atentados terroristas em Paris e manipulação da informação

No meio das campanhas mediáticas e, à parte os sentimentos emotivos justos, precisamos de um espaço de reflexão serena.

Estejamos à defesa com a actuação dos órgãos de comunicação, que jogam com a justa emotividade das pessoas, para impedir a reflexão serena sobre os factos.

O sensacionalismo intencional, tão ao gosto das nossas televisões e jornais é, como tudo o que fazem, para influenciar num determinado sentido. Para isso usam o método de empolar alguns factos e esquecer muitos outros.

É nossa obrigação, apesar dos parcos meios que temos, contrariar essa política de desinformação e raciocinar com mais cuidado.

Vamos aos factos:
O ataque contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo, que provocou 12 mortes e mais de uma dezena de feridos, é de repudiar e por isso, chocou a opinião pública mundial. É um facto!

O terrorismo é uma prática condenável e, mesmo para o que dizem defender não traz resultados que não sejam aumentar a indignação das pessoas e, porventura aumentar o medo.
Por isso seria legítimo que a comunicação social tivesse um papel pedagógico, assinalando estes factos.
Contudo, o que vimos é que, essa condenação do terrorismo internacional, é feita apenas quando convém a uma das partes dos interesses políticos que estão na origem dos acontecimentos.

Então se assim procede a comunicação social, temos que concluir que a intenção não é condenar o terrorismo mas apenas aproveitar alguns actos terroristas para esconder outros.

Vamos novamente a factos:
Que disse a comunicação social sobre actos terroristas tão atrozes como os assassinatos coletivos do grupo fascista Boko Haram? Esses assassinatos foram praticados há poucos dias, provocaram cerca de 2.000 mortos, mas foram esquecidos pelos governos e pela comunicação social. Porquê?
Que governantes são estes? Porque estiveram nesta marcha e impediram outras?

Na marcha "republicana" em Paris, contra o terrorismo, estiveram os governantes que "esqueceram" e até apoiaram outros actos terroristas mais atrozes e que vitimaram muitas mais pessoas. Vamos aos factos:
Na marcha esteve François Hollande que proibiu a manifestação pró-palestina quando do genocídio sionista, Hollande que continua a agredir o povo sírio e do Mali e a enviar armas para a al-Qaeda, Merkel com as mãos sujas de sangue nos Balcãs, o presidente ucraniano Poroshenko, tutor dos nazis que assassinaram milhares de Ucranianos civis, o primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, condenado por massacres qualificados internacionalmente de terrorismo de Estado, nomeadamente a exterminação de populações na faixa de Gaza onde recentemente morreram mais de 2 mil homens mulheres e cerca de 500 crianças palestinas, e... muitos mais. 

Estes são apenas alguns exemplos. 

Reflictamos também sobre a quem interessa que surjam estes atentados para intensificar a campanha do medo, para justificar mais meios para limitar as liberdades, para conter protestos justos de trabalhadores ou populações? 
Imediatamente ao atentado de Paris, sugiram exigências nos EUA para reforçar os meios da CIA e da NSA (Agencia Nacional de Segurança) para espiar todas as comunicações de cidadãos de todo o mundo, como vem já acontecendo, retirando mais dos seus direitos à privacidade.

Vejamos agora do outro lado:
O presidente do Hezbollah, movimento de resistência islâmica no Líbano, condenou, de imediato, o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo, dizendo que, para o Islão, foi mais nocivo do que as caricaturas do Charlie.
Disse ainda Hassan Nasrallah:
“Através de seus atos imundos, violentos e desumanos, estes grupos atentaram contra o profeta e os muçulmanos mais do que fizeram seus inimigos (...) mais que os livros, os filmes e as caricaturas que injuriaram o profeta”.

Façamos pois uma reflexão, e procuremos os factos que a comunicação social omite.

10 de janeiro de 2015

O perigo da III Guerra Mundial

A estratégia dos EUA para se salvarem do declínio

Na publicação Carta Maior, Boaventura de Sousa Santos (BSS) fez uma análise à situação internacional que o levou a concluir poder estar em germinação uma Terceira Guerra Mundial.

Diz BSS essa guerra está a ser «provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da Europa. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia». Foca a aprovação pelo Congresso dos EUA da «Resolução 758 que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia». 

Refere BSS que «Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda». 

A guerra da propaganda e domínio da informação

Sobre as sanções e o apoio ao governo fascista da Ucrânia, não vale a pena repetir o que é já conhecido. Sobre a terceira componente, salienta BSS que «os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitime a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia». 
BSS dá exemplos com a ocultação da forma como foi formado o governo fantoche da Ucrânia, como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em fevereiro passado, e o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. 
Cita o grande jornalista, John Pilger, que «dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos» e pergunta «Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?».

O esmagamento da Democracia

Lembra que 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia, contudo os seus representantes votam a favor. Acusa a Europa de estar a seguir a pisadas dos EUA.

Na segunda parte do seu trabalho aponta «As razões da insanidade». 

Assim explica que os EUA estão em declinio, e o negócio altamente lucrativo da guerra, é essencial para salvar o poder hegemónico imperialista. «A Rússia e a China, os maiores credores dos EUA, têm vindo a vender os títulos do tesouro e em troca têm vindo a adquirir enormes quantidades de ouro». Entre parêntesis, recorda que Saddam e Kadafi, que procuraram usar o euro, em vez do dólar, foram vítimas da sua ousadia, eles e os seus países miseravelmente destruídos.
O segundo indício é o facto do FMI que se prepara «para que o dólar deixe de ser nos próximos anos a moeda de reserva e seja substituída por uma moeda global, os SDR (special drawing rights)».

Aponta BSS que tudo isto indica que um ataque aos EUA está próximo e que «têm de manter os petrodólares a todo o custo, assegurando o acesso privilegiado ao petróleo e ao gás. Para isso têm de conter a China e tem de debilitar a Rússia, idealmente provocando a sua desintegração, tipo Jugoslávia». 

Os lucros da guerra à custa de milhões de mortos

E ainda que «A guerra é altamente lucrativa devido à superioridade dos EUA na condução da guerra, no fornecimento de equipamentos e nos trabalhos de reconstrução». Citando Howard Zinn, «os EUA têm estado permanentemente em guerra desde a sua fundação». Diz ainda BSS que, «ao contrário da Europa, a guerra nunca será travada em solo norte-americano, salvo, claro, o caso de guerra nuclear». Mostra que em 14 de Outubro passado, «o New York Times divulgava o relatório da CIA sobre o fornecimento clandestino e ilegal de armas e financiamento de guerras nos últimos 67 anos» e recorda que Noam Chomsky disse em “The Laura Flanders Show” que aquele documento só podia ter o seguinte título: “Yes, we declare ourselves to be the world´s leading terrorist state. We are proud of it” (“Sim, declaramos que somos o maior estado terrorista do mundo e temos orgulho nisso”).

«Um país em declínio tende a tornar-se caótico e errático na sua política internacional» a ponto de Immanuel Wallerstein dizer que «os EUA se transformaram num canhão descontrolado (a loose canon), um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para ele próprio e para os outros». 
Termina BSS com a demonstração de que a Europa «perde a relativa autonomia que tinha construído no plano internacional» e a sua economia é posta «ao serviço da política geoestratégica dos EUA»