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30 de outubro de 2015

Mais muros

Erguem-se muros em volta...

Constroem-se mais muros. Agora é a Áustria, depois da Hungria, que construiu já duas cercas na fronteira com a Sérvia e Croácia.  Também a Eslovénia não exclui a possibilidade de construir uma vedação para impedir a entrada de imigrantes se a União Europeia não lhe prestar o apoio suficiente.
Não esqueçamos que os emigrantes são provenientes de países que foram destruídos pelos bombardeamentos dos Estados Unidos e Nato com o apoio da União Europeia e contra as leis internacionais. Foi o imperialismo internacional que criou este drama a milhões de pessoas depois de ter assassinado muitos milhares incluindo crianças, mulheres e velhos.

Recordemos que ainda não faz um ano que foi festejado com pompa e circunstância a queda do Muro de Berlim. Entretanto os que festejaram permitem e apoiam a construção de 18 mil quilómetros de muros que separam países e pessoas vítimas do capitalismo.

Em 19 de novembro de 2014, foi aqui denunciada a situação em termos que são hoje ainda mais graves.
Foi então escrito:

«Hoje existem mais de 7,5 mil quilómetros de muros construídos pelo capitalismo para isolar países e povos. Muros físicos, bem sólidos, que fazem parte da política de exploração e subjugação de países e populações... Estão projetados e em construção mais de 10 mil quilómetros de outros muros».

Os muros tristemente famosos

«Os muros mais conhecidos são o que separam os EUA do México, o muro de Ceuta e Melilla, o muro da Cisjordânia e faixa de Gaza (construído pelo Governo de Israel que vai roubar mais 10% do território da Cisjordânia, que ficará dividida e isolada do resto do país), o muro da Irlanda do Norte (eufemisticamente "Linha de Paz"), o muro que divide as Coreias, O Muro da Arábia Saudita que atingirá 9.000 km e será o mais longa do mundo, altamente sofisticado com tecnologias de segurança, o muro de Chipre (Nicósia que divide a capital em duas partes, e tem 180 km.), o Wall Bagdad, construído pelo exército americano (iniciado em 2007) e tem 5 km., O Muro da Índia e do Paquistão com 2,9 mil quilómetros de arame farpado, o Muro Caxemira, o Wall Botswana e Zimbabwe com 500 km. de comprimento, o Muro Irão e Paquistão, o Muro da Tailândia e da Malásia, o Muro do Iraque e Kuwait, o Muro da Índia e Bangladesh com 4.000 km., o Muro Uzbequistão, eletrificado e minado que isola em parte o Afeganistão, o Muro Egito-Gaza e ainda outros como o do Rio de Janeiro para separar a cidade Olímpica das favelas».

Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Cruzes assinalando os mortos que tentaram passar

A derrota dos países socialistas

«O imperialismo venceu e acabou por derrotar os países socialistas. Mas que aconteceu depois disso?
O Pacto de Varsóvia foi extinto. Mas a NATO logo estendeu os seus domínios e guerras a quase todo o mundo. O tratado de Lisboa consolidou esse expansionismo.
Os EUA e a Europa trataram de lançar as suas multinacionais aos novos mercados. Meia dúzia de grandes multimilionários dominaram o poder económico e o poder político.
Lançaram o desemprego, a fome, a miséria com o nome de liberdade».

EUA, livres da União Soviética, apoiaram o terrorismo para criar a instabilidade e derrubar governos. Assim, lançaram-se em novas guerras, destruíram países e mataram milhares de pessoas, para roubar riquezas como o petróleo.

O mundo está muito pior

«O mundo passou da guerra fria para a guerra quente, violenta e assassina, sem controlo, à revelia da ONU e das leis internacionais.
Os EUA nunca respeitaram os direitos humanos, mas agora, de mãos livres a CIA (Agência Nacional de Inteligência) pratica os mais hediondos crimes e torturas, discricionariamente, em qualquer lugar do mundo capitalista. O orçamento da CIA, e militar, atinge verbas incalculáveis enquanto grande parte do povo americano vive com fome e na miséria (46,2 milhões).
Em 2013, o orçamento da CIA equivalia a mais de 52,6 mil milhões de dólares.
A NSA (Agência Nacional de Segurança), cuja missão é interceptar todas as conversas telefónicas, e-mails e mensagens de rádio no planeta. gasta muito mais.
Por sua vez a NRO (Serviço Nacional de Reconhecimento), gasta ainda mais do dobro destes valores.
Os serviços secretos do exército que tem também orçamentos equivalentes. Existem mais de 15 agências de inteligência dedicadas a áreas específicas, com mais de 107.000 funcionários que desestabilizam governos ou oposições, formam terroristas, para em seguida intervirem de acordo, exclusivamente, com os interesses dos EUA e do imperialismo».

Viva a Europa

Quem é que não quer perder os "tachos"

Do blogue "as palavras são armas" recortei o seguinte:

«Mais de um terço dos comissários que fizeram parte do segundo executivo de Durão Barroso na Comissão Europeia aceitaram empregos em empresas e organizações que os colocam numa posição em que podem fazer lóbi à Comissão Europeia.

Durão Barroso é quem acumula mais postos neste período pós-Comissão, pelo menos notificados, com 22 cargos em diferentes organizações».

24 de outubro de 2015

A "crise" e o capitalismo

O que é a "estratégia do empobrecimento" de que tanto se tem falado? 

É na realidade a estratégia do capitalismo financeiro internacional que visa, um objectivo, que podemos dividir em duas:
1 - A transferência de dinheiro de quem o produz para os que detêm os meios de  exploração e o poder representado pelos bancos ou "mercados".
2 - O enfraquecimento da luta da classe explorada.

A primeira, que se processa pela dependência crescente dos Estados face aos Bancos e "mercados", através de empréstimos e juros que são sempre crescentes, justifica que os Governos apliquem as medidas de "austeridade", instrumento decisivo no acentuar das desigualdades. Os ricos em menor número mas cada vez mais ricos, e os pobres cada vez em maior número e mais pobres.

A segunda, a que tem a principal carga política, visa retirar força e meios aos trabalhadores, para dificultar a luta contra a exploração e, portanto, impedir a transformação da sociedade que, segundo eles, é eterna (o fim da história) o capitalismo.

A estratégia do empobrecimento é, entre outros:
- Aumento do desemprego para, através da chantagem - ou aceitas ou não tens trabalho - conseguir destruir todos os direitos dos trabalhadores.
Conseguem assim, com a conivência dos governos de direita, ao seu serviço, os meios para destruir os "contratos de trabalho" e praticar as arbitrariedades que entendem. São exemplos o salário mínimo, salário justo, horários de trabalho, despedimentos, entre muitos outros.
Trabalhadores que trabalham, pois o capitalismo não pode prescindir deles, ganham cada vez menos, face ao custo de vida, e têm horários de trabalho mais longos.
Trabalhadores que não trabalham, desempregados, não têm meios de subsistência e têm que dedicar os poucos meios que têm para conseguirem sobreviver.
Reformados, que agora poderiam ter maior participação na sociedade, vêm reduzidas as pensões para que descontaram uma vida, e os seus recursos são todos voltados para a ajuda aos filhos e netos na maioria, desempregados.
São evidentes os condicionamentos criados aos trabalhadores, sem rendimentos, nomeadamente na sua capacidade de organização e luta.

Dos restantes membros da sociedade, os jovens, se são filhos de trabalhadores, têm que abandonar os estudos e encontrar meios para sobreviver.
Os jovens filhos dos ricos, no poder, terão então oportunidade de continuar a estudar, em escolas privadas, e aprender as técnicas de domínio da sociedade capitalista, nos governos, nas administrações das empresas, que os pais lhes entregam como herança.

Parece estar assim garantida a prossecução do capitalismo, pelo empobrecimento, ou melhor, pelo enfraquecimento da luta dos trabalhadores.

Em paralelo com esta estratégia financeira, funciona uma outra, mais ideológica, que lhe dá suporte. O empobrecimento ou adormecimento das consciências.
Com uma pequena parte do dinheiro que subtraem aos trabalhadores, compram os meios de comunicação social, pagam bem a jornalistas que os sirvam, publicitários, comentadores, polítólogos, fazedores de opinião, do pensamento único, e a vários outros que os servem, formando assim uma "claque" de admiradores que vivem das migalhas que os grandes lhes vão dando. Essa "claque", alimenta a campanha ideológica que sustenta esta "democracia" que não é democracia. São os que servem para enganar, para desviar as atenções dos verdadeiros problemas dos trabalhadores, dizendo as coisas que bem conhecemos, para nos convencerem, para nos adormecerem. E, infelizmente, em parte conseguem.

Outras "sub-estratégias", como a guerra, o terrorismo que o imperialismo alimenta, concorrem também para os mesmos objectivos.

Mas, há sempre um mas, apesar da força dos muito ricos e empobrecimento dos cada vez mais pobres, há algumas condições que o capitalismo não consegue controlar.
Entre elas é a diferença numérica entre exploradores e explorados, entre muito ricos e muito pobres. Outra, a principal, é a inteligência das pessoas.
Felizmente, os trabalhadores, também têm cérebro. Por isso há cada vez mais os que têm confiança, determinação, inteligência e, apesar das estratégias e força do capitalismo, apesar dos sacrifícios, transmitem essa confiança e acrescentam à luta outros explorados, num processo imparável e indestrutível.

Uma nota para futura reflexão:
Sendo indispensável, não basta a confiança, a determinação e força para combater.
É necessário inteligência, adquirir os conhecimentos e as capacidades para, em todos os domínios da nossa actividade, da nossa luta, juntar a força ao saber fazer (e bem). Aprender, aprender sempre.


2 de outubro de 2015

Papa Francisco na ONU

As palavras do Papa Francisco que a Comunicação Social, submetida aos interesses dos grandes grupos financeiros, pouco refere.  

Para bom entendedor as palavras do Papa Francisco na ONU, foram uma severa crítica ao actual sistema, referindo expressamente as organizações financeiras internacionais, que não promovem o desenvolvimento sustentável, aumentam a exclusão social e sujeitam os Estados a uma submissão asfixiante a dívidas que, longe de promoverem o progresso, submetem as populações a maior pobreza e dependência.
O Papa Francisco foi claro e, ainda que usando palavras moderadas, referiu o problema das desigualdades onde os ricos são cada vez mais ricos e os pobres são cada vez mais e mais pobres. É isto que o poder que nos domina não quer que saibamos.

A colonização ideológica imposta aos povos

Acentuou ainda que a exclusão económica e social é um atentado aos direitos humanos referindo a necessidade de acabar com a colonização ideológica que impõe modelos e estilos de vida contrários à identidade (e interesses, acrescento) dos povos. Referiu também que, os mais pobres são os que mais sofrem ao ser excluídos e obrigados a viver na pobreza.
De facto o Papa ao alertar para estes graves problemas está a dizer que é preciso uma verdadeira alternativa a esta política que é responsável pelo sofrimento de tantas pessoas.

Paz sim guerra não!

O Papa, depois de condenar os abusos contra o meio ambiente, acrescentou que a guerra é a negação de todos os direitos e insistiu que "se se quiser um verdadeiro desenvolvimento para todos é preciso continuar a tarefa contra a guerra" e para isso é preciso resolver os conflitos pelo diálogo e negociação. Também por isso o Papa Francisco criticou a proliferação das armas de destruição maciça, em especial as nucleares.
A Televisão e os jornais pouco falam disto mas, muito mais disse o Papa que sabe perfeitamente que as pessoas estão a "abrir os olhos", que o repúdio por estas políticas cresce e a Igreja não pode continuar alheia ou encostada ao poder político que, ao lado dos grandes grupos financeiros, gera as crises e explora a grande maioria dos povos.

Uma reflexão final:
Enquanto o Papa se manifesta frontalmente contra a guerra, o nosso governo, a UE e a NATO promovem enormes exercícios militares em Portugal, acirrando conflitos e gastando centenas de milhões do dinheiro que faz falta para a Educação, para a Saúde e para desenvolver o país.


7 de setembro de 2015

Os monopólios farmaceuticos

A vergonhosa política das multinacionais farmacêuticas

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos.

Privatização da saúde
A propósito recordemos uma entrevista em 2011 com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que acusa os grandes monopólios farmacêuticos de não considerarem rentáveis os medicamentos que curam. Por isso não os desenvolvem. Em troca, preferem que as doenças sejam crónicas e desenvolver medicamentos que sejam consumidos de forma constante.
Diz Roberts, que medicamentos que poderiam curar doenças não são investigados. É aquilo que conhecemos bem: a indústria privada da saúde rege-se pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, a ponto de se assemelhar ao da máfia.

É mais rentável não curar
Diz Richard J. Roberts: «Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender». E acrescenta «A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas». E explica «as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas». Em Portugal o povo conta o caso do médico que não retirava a carraça para manter o doente sempre dependente dos seus tratamentos.

Tornar crónicas doenças que poderiam ser curadas
Richard J. Roberts, diz ainda que a investigação «é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação». E ainda: «é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo».

Exemplos
A seguir dá exemplos: «Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas».

A corrupção dos políticos
A terminar a entrevista fala dos políticos: «Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…»

Publicado originalmente no La Vanguardia. 18 de junho de 2011





1 de setembro de 2015

O negócio das "ajudas"

Os cérebros do capitalismo, engendraram um lucrativo negócio:
Vamos ver como, nesta conversa

- Como sabemos a melhor forma de obter dinheiro é montar um Banco.
Com o dinheiro dos outros, e são muitos, fazem-se os melhores negócios.
Se o Banco a fundar tiver bons propagandistas, está garantida a entrada de dinheiro. Muitos poucos fazem muito.
Vou-vos explicar o esquema:
Nome do Banco: Banco Central Europeu.
A quem pertence o Banco: A uma Holding chamada União Europeia.
Accionistas: Os do costume. Os grandes capitalistas, aqueles que já acumularam muito dinheiro.
Marketing: O plano está a ser organizado.
Tema base da propaganda: A Europa connosco, a Europa solidária que "ajuda" os mais fracos.
Argumento principal: Portugal vai passar para o pelotão da frente e juntar-se aos mais ricos.
Propagandistas: Os partidos da Social Democracia. Vocês e o PSD com quem também já falámos.
Condições a criar: Uma moeda única para que ninguém possa fugir, nem alterar as condições cambiais. (chamemos-lhe Euro).
Esquema do negócio: Idêntico ao de todos os bancos. Se tem dado certo, noutros sítios com o FMI é melhor não inovar. O Banco recebe uma renda fixa para as despesas e dinheiro de outros para o guardar, Entretanto empresta a quem precisa, com juros, claro.
A grande novidade está na forma de fazer com que precisem de ajuda. Sim porque se um Banco não tiver a quem emprestar dinheiro, não faz negócio.
Então que pensaram os nossos cérebros?
Fazer acordos e regulamentos na seguinte base:
O Banco está aqui para ajudar e pôr os mais fracos no pelotão da frente (lembram-se?), mas para isso é preciso que obedeçam às nossas regras.
- Nossas de quem?
- Nossas de todos nós. Isto é democracia. Os nossos amigos sociais democratas, garantem-nos que as regras de todos são as que nós precisamos que sejam.
- Nós quem?
- Nós, os que temos o vosso dinheiro bem guardado.
- E quais são essas regras?
- Primeiro, vamos atribuir subsídios aos mais fracos.
- Isso é bom com os subsídios os mais fracos investem na produção para ficar mais fortes.
- Não, não e não! Aqui é que está uma das grandes descobertas. Nós damos subsídios para destruírem os vossos meios de produção. Para afundar barcos de pesca, para destruir culturas, para não produzirem mais leite, nem vinho, para acabar com estaleiros navais para não fazerem mais barcos, não vão vocês querer substituir os que foram afundados, acabar com indústrias, com as fábricas que já existam nos países mais ricos da União, para não terem que trabalhar. Não precisamos de concorrência. Nós, os mais ricos trabalhamos para vocês que em contrapartida recebem subsídios.
- Sempre?
- Não, isso é só para ganhar clientes, depois acaba.
- Então e depois.
- Depois vocês vendem os bens do Estado, porque o Estado precisa de emagrecer, para nós engordarmos. Vendem os bancos para os nossos accionistas, vendem os Hospitais, vendem as grandes empresas estratégicas, os transportes a energia e a água e tudo o resto que tiverem. Assim vocês não precisam de se preocupar a gerir isso tudo. E como o Estado fica sem nada, as reclamações dos utentes passam para os privados. É ou não uma boa ideia? Vocês ganham o dinheiro dos ordenados de Ministros e quase que não precisam de fazer nada pois o estado fica apenas com o que não pode dar lucro.
- Isso parece boa ideia mas não sei se o povo vai aceitar.
- Aceita, aceita. Esse é o vosso trabalho. Fazer com que o povo aceite.
- Os nossos amigos do PSD e do CDS não devem ter problemas. Mas nós somos socialistas e não sei se os nossos sócios aceitam.
- A primeira coisa que têm a fazer, e já, é pôr o Socialismo na gaveta e bem escondido. Isso do socialismo poderia ser perigoso e estraga-nos o negócio.
- Mas se não temos actividade produtiva o desemprego aumenta muitíssimo.
- Isso faz parte do Plano. Como o desemprego aumenta podem baixar os ordenados e aumentar as horas de trabalho. O aumentar os horários de trabalho vai fazer com que os trabalhadores não tenham tempo para nada nem para se organizar. E quando os ordenados estiverem bastante baixos e haja muita gente a viver do subsídio de desemprego, que é pago pelos que trabalham, nós aceitamos imigrantes. Vêm trabalhar para nós com salários baixos mas ainda assim superiores aos que têm no vosso país. Assim conseguimos também reduzir os sindicalizados e dar cabo dos sindicatos.
- Então o país vai ficar despovoado.
- Não. Como o vosso país têm um bom clima vamos nós viver para lá. Compramos as vossas casas, que devem estar ao desbarato porque vazias, e os terrenos para belas quintas devem estar também a bom preço.
- Vocês têm tudo pensado.
- Nós não brincamos em serviço!
- Mas depois de acabarem os subsídios vamos ficar aflitos.
- Aí está a função central do Banco Central Europeu que vamos criar. O Banco empresta dinheiro a juros razoáveis.
- Mas como vamos pagar os juros?
- Com novos empréstimos.
- Assim aumentamos a dívida.
- Nessa altura, vocês aumentam os impostos para pagar os juros. Calculamos que podemos captar dos trabalhadores cerca de 800 milhões de euros mensais o que pode dar 10.000 milhões anuais. Depois ainda há o que pagam indirectamente nos impostos sobre o que compram, incluindo a electricidade, a água, o gás e a gasolina e muitas outras coisas. Não se importem com a dívida. O que é preciso é pagarem os juros para que as nossas receitas sejam certas e regulares de cerca de 10 a 15 mil milhões de euros anuais. Temos ainda as receitas das empresas que foram privatizadas o que, depois da distribuição aos respectivos accionistas, nos permitirá arrecadar mais 10 mil milhões de euros anuais.
- Mas se os trabalhadores ganham menos e a maioria está desempregada, o povo não aguenta.
- Ai aguenta, aguenta.
- Mas o descontentamento aumenta muito e o negócio acaba por dar para o torto. Lembrem-se que o Partido Comunista tem muita força e não nos deixa fazer tudo o que queremos.
- Esse é o único problema que nós não temos solucionado. Não podemos controlar os comunistas. Por isso estamos a tomar medidas para comprar toda a comunicação social para vos ajudar na propaganda e a esquecer os comunistas. Depois sabem bem que Salazar fez um bom trabalho durante 50 anos, com a campanha anti-comunista que ficou na cabeça das pessoas. A Igreja faz essa campanha há muitos mais anos e pode aí dar também uma ajuda importante pois o povo mais ignorante, principalmente, é muito religioso. O que é necessário é que nas eleições vocês sejam imaginativos. Não se importem de mentir pois isso dá sempre resultado. É preciso que vão mudando as pessoas. Uma vez governam vocês outras vezes governa o PSD e depois cada um atira as culpas para o anterior. Isso pega sempre. O povo é de memória curta e a comunicação social vai entretendo as pessoas com as discussões entre vocês. Bem sabem que estamos aqui para vos ajudar, tal como ajudamos no 25 de Novembro.
- Mesmo assim a revolta será cada vez maior.
- Não se preocupem. Temos um plano B que é inventar uma crise para que sirva de desculpa para tudo. Mas, simultâneamente, nós vamos tomando medidas legais e repressivas para impedir que estale a revolução. O que é preciso é atrasar a consciência dos trabalhadores. Aí têm que ser vocês a trabalhar. Seja com UGT, seja com Futebol, ou outras coisas, o trabalho aí vai ser vosso.


30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


29 de agosto de 2015

Comentário

A censura dissimulada
  
A grande maioria dos textos aqui publicados tem merecido comentários dos leitores. Todos eles são estimulantes. A propósito do texto publicado no dia 24, um dos comentários complementa, de uma forma muito simples e resumida, o assunto tratado. Creio que vale a pena destaca-lo. Com os agradecimentos ao autor, aqui vai:
A maioria das pessoas ainda não descobriram e muito menos tomaram consciência, de que a liberdade presentemente é uma farsa, que sob a capa da democracia esconde de forma manhosa e sorrateira a censura.
Os eleitores, mesmo os filiados e que militam nos partidos, ainda não compreenderam que a censura moderna, sofisticada e mais cínica e perversa, adulterou a liberdade, anulando-a.
Efectivamente a liberdade actual está esvaziada de conteúdo pelo ardil astucioso das máfias ao serviço do grande capital.
Os Órgãos de Comunicação Social, que na sua maioria, são propriedade encapotada do grande capital, passaram a ser as grandes fábricas da censura, através da manipulação, tanto activa como passiva, praticada a uma escala global. 

17 de agosto de 2015

Assange -a história de uma luta pela justiça

A farsa das democracias

Adaptado de um documento de John Pilger

Um recente artigo de John Pilger, publicado (aqui) mostra as violações sistemáticas à lei, às Constituições de países como o EUA que se auto proclamam Democráticos. Refere como exemplos o cerco à Embaixada do Equador em Londres em Knightsbridge [NR] «é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu apenas para ostentar o poder do estado. Já custou £12 milhões». é a caça a «um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano». O seu “crime” foi ter denunciado os crimes monstruosos dos EUA em especial no Afeganistão e no Iraque: «a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado incisivamente pela fuga dos seus telegramas diplomáticos».

Tal como em relação a outros que denunciaram crimes igualmente repugnantes e revelaram documentos secretos «Assange está numa “Lista de alvos humanos a caçar”».

Para impedir a defesa de Assange, os EUA têm inventado as mais torpes acusações e classificaram este caso de "segredo de estado". Assim «o tribunal federal em Washington impediu a divulgação de toda informação acerca da investigação»- O mesmo aconteceu no processo contra a WikiLeaks. Esta técnica de violar as leis e a justiça, foi também usada contra o soldado Chelsea Manning e contra os presos ainda mantidos ilegalmente na odiosa prisão de Guantánamo.


Depois de uma demonstração exaustiva dos atropelos à lei para condenar Assange, John Pilger, refere «a perspectiva de uma grotesca perversão da justiça estava submersa numa campanha de vitupérios contra o fundador da WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, viciosos e desumanos foram lançados contra um homem não acusado de qualquer crime».

Depois de uma teia de artimanhas e ilegalidades, John Pilger refere que «A decisão do Equador em 2012 de proteger Assange floresceu num grande tema internacional. Muito embora a concessão de asilo seja um acto humanitário, e o poder de concedê-lo seja desfrutado por todos os estados sob o direito internacional, tanto a Suécia como o Reino Unido recusaram a legitimidade da decisão do Equador. Ignorando o direito internacional, o governo Cameron recusou-se a conceder a Assange passagem segura para o Equador. Ao invés disso, a embaixada do Equador foi colocada sob cerco e o seu governo abusado com uma série de ultimatos. Quando o Foreign Office de William Hague ameaçou violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, advertindo que retiraria a inviolabilidade diplomática da embaixada e enviaria a polícia em busca de Assange, o ultraje por todo o mundo forçou o governo a recuar. Durante uma noite, a polícia apareceu às janelas da embaixada numa tentativa óbvia de intimidar Assange e seus protectores».

«Durante três anos o Equador deixou claro ao promotor sueco que Assange está disponível para ser interrogado na embaixada em Londres e durante três anos ela permaneceu intransigente» exigindo que seja Assange a deslocar-se para, evidentemente, ser preso.

«Assange contestou o mandato de prisão nos tribunais suecos. Os seus advogados citaram decisões do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de que ele tem estado sob detenção arbitrária, indefinida, e de que tem sido um prisioneiro virtual por mais tempo do que qualquer sentença real de prisão que pudesse enfrentar. O juiz do Tribunal de Recurso concordou os advogados de Assange: a promotora havia na verdade violado o seu dever ao manter o caso suspenso durante anos. Um outro juiz emitiu uma repreensão à promotora. E ainda assim ela desafiou o tribunal.»

John Pilger termina o seu extenso relato de acontecimentos chocantes para quem defenda a justiça, com a denúncia de que «Em 2008, uma guerra à WikiLeaks e a Julian Assange foi prevista num documento secreto do Pentágono preparado pelo Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. Ele descrevia um plano pormenorizado para destruir o sentimento de “confiança”, o qual é o “centro de gravidade” da WikiLeaks. Isto seria alcançado com ameaças de “revelação [e] processo criminal”. O silenciamento e criminalização de uma fonte tão rara de verdades era o objectivo, o enlamear era o método. Enquanto este escândalo continua a própria noção de justiça é diminuída, bem como a reputação da Suécia». Dito de outra forma o poder do imperialismo ameaça todos os que se lhe oponham.

7 de agosto de 2015

O que a Televisão esconde dos portugueses

Quatro exemplos entre mil

1) Mais 500 mil emigrantes, ou seja a sangria do País em mais dez por cento da sua população activa e a desertificação humana equivalente a mais um distrito como o de Leiria;

2) Mais 800 mil pobres, a fazer passar esta cifra da vergonha dos dois milhões e setecentos mil que já hoje temos para os três milhões e meio (mais de um terço da população na pobreza);

3) Mais 500 mil desempregados. A fazer subir o desemprego para valores próximos dos dois milhões;

4) Mais 50 mil milhões de euros sobre a nossa dívida pública, a passar dos actuais 130,2 por cento para cerca de 160 por cento do PIB.

e muito mais
para ver aqui e nas outras páginas

15 de julho de 2015

O que acontece na Grécia

Lições que temos que aprender

Cada vez mais se reforça a convicção de que, com esta “união europeia”, não é possível resolver a crise que o capitalismo criou. A austeridade que a EU está a impor à Grécia, a Portugal e a outros países visa exclusivamente ir buscar dinheiro aos povos, aos trabalhadores, para o transferir para os Bancos dominados pelo grande capital financeiro.
A Grécia, por ser o país onde a crise mais se adiantou em relação a outros, mostra-nos o caminho que, cedo ou tarde, nos espera.
E o caminho para servir o povo não passa por Bruxelas. É o povo que terá que o abrir.

nem se constrói com salamaleques



Os planos coloniais

Numa primeira fase os grandes banqueiros que, apesar de se concentrarem na Alemanha, não têm pátria, acenaram-nos com a cenoura dos subsídios e “empréstimos” para pôr os países mais atrasados em igualdade com os mais avançados. Diziam ser a Europa da solidariedade. Era, na realidade, mais um passo no programa do imperialismo para dominar os povos.
Esses subsídios e empréstimos visavam, em especial, destruir a nossa economia já frágil, para comprarem por tuta e meia empresas que produziam. Visavam, e conseguiram, destruir as nossas actividades da Pesca, da Agricultura e Indústrias. Paralelamente passaram a vender-nos o que deixamos de produzir.
Com os empréstimos e os chamados subsídios para o nosso desenvolvimento, levaram-nos a fazer estradas e obras de grande envergadura, obras não produtivas, mas que permitiram negócios fabulosos em especial para a Alemanha. Para as fábricas e outros meios de produção, não vieram subsídios.
Recordemos os avisos como os aqui publicados em texto anterior.

Consolidação da dominação

Depois de estarmos bem endividados, credores e “mercados”, passaram a mandar em nós. E esse mandar foi feito por etapas para não dar nas vistas. Graças aos seus agentes colocados em Portugal e noutros países, representados pelos governos, impediram que o povo se pronunciasse em referendo sobre os Tratados que assinaram. A dependência económica foi-se consolidando por tratados e leis que esses governos de direita assinaram em nome do povo.
Assim esses “mercados”, esses bancos, montaram o maior negócio de sempre, com o dinheiro de quem (o) produz. E quem o produz fica em dívida.
Esta Europa não é dos europeus! É a Europa dos grandes banqueiros dos grandes capitalistas.
Chegamos aos dias de hoje com uma Grécia a caminho de ser uma colónia da Alemanha. Portugal caminha na mesma direcção. Tudo o que era nosso foi vendido. Pouco nos resta.
Em 38 anos de governos do PS do PSD e do CDS, esses partidos armadilharam a nossa economia e destruíram o nosso futuro.


"austeridade" para quem?

A solução que nos impõem é aceitar mais “austeridade” ou, traduzindo, transferir dinheiro do povo, das pensões, dos salários, dos impostos, para os seus bancos chamados “mercados” que passaram a ser chamados credores para legitimarem o negócio leonino que fizeram e a quem ficamos a dever cada vez mais. Ficamos a dever e ainda agradecemos o que nos fizeram. É a isto que eles chamam “austeridade”.
Os governos PS, PSD e CDS assinaram tratados com esses grandes capitalistas, e contraíram as  dívidas que nos amaram, dívidas para todos nós pagarmos. Aqui, na Grécia, como na Espanha e outros países. Quando ouvimos Passos Coelho a defender a Alemanha e a condenar a Grécia ouvimos o que ele diz para os portugueses: “Temos que aceitar, temos que ser mansos”. Aceitar o poder dos ricos que enriqueceram a nossa custa porque governos PS, PSD e CDS assim o permitiram e ajudaram.
Eles, todos, os grandes capitalistas e os governos e partidos que os servem, sabem bem que a dívida contraída é impagável. A eles isso não importa. O que é preciso é receber os juros que valem muito mais que a dívida.  O que é preciso é ir recebendo cada vez mais enquanto o povo aguentar. E aguenta, aguenta, dizem.

16 de janeiro de 2015

O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ (2)

O polvo que tudo quer controlar

Continuando o assunto do pretexto do terrorismo para os EUA incrementarem os seus programas de espionagem em todo o mundo, e com base no relato de Greenwald a partir das denúncias do ex-administrador de sistemas da CIA, Edward Snowden, como foi referido na publicação anterior, diz o jornalista: «Ao longo das últimas décadas, os líderes norte-americanos têm tirado partido do medo do terrorismo – alimentado pelos constantes exageros da verdadeira ameaça que este constitui – para justificar uma série de políticas extremistas. Este medo tem levado a guerras de agressão, regimes de tortura por todo o mundo, e à detenção (e até homicídio) de cidadãos estrangeiros e norte-americanos sem acusação».

O livro, publicado em Portugal e já referido anteriormente, aborda ainda outros casos como o processo WikiLeaks, de Julian Assange, e as acções do soldado Maning, que forneceram as informações sobre acções ocorridas durante a invasão do Iraque e da intervenção militar no Afeganistão. Também nesses casos comprovámos que o Terrorismo no Afeganistão foi financiado pelos EUA e os métodos que a CIA utiliza são iguais aos dos terroristas.
Como a NSA infecta nos computadores para recolher informações
Além dos casos de vigilância, espionagem e ataques informáticos, contabilizados em mais de 50.000 infecções de redes, Greenwald relata o longo processo político que acompanha os actos de vigilância e a resposta da administração do Presidente norte-americano, Barack Obama, e do Governo britânico sobre Edward Snowden, acusado de espionagem, e que se encontra actualmente refugiado na Rússia.

Para além da CIA e do Programa de vigilância global PRISM, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), fundada em novembro de 1952, é o órgão responsável pela utilização do sistema SIGINT (Signals Intelligence), que consiste na interpretação e selecção a partir de sinais, o que inclui criptoanálise e interceptação. A NSA é responsável pela base de dados obtidos pelo SIGINT, tornando-se o maior órgão de dados de criptologia do mundo.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agência_de_Segurança_Nacional
http://www.nsa.gov/about/index.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/PRISM_(surveillance_program)
http://www.defesaaereanaval.com.br/tag/cia/page/2?print=print-page
http://pt.wikipedia.org/wiki/PRISM_(programa_de_vigil%C3%A2ncia)
http://info.abril.com.br/noticias/seguranca/2013/09/metodos-de-espionagem-da-nsa-intrigam-especialistas.shtml
http://www.infoescola.com/estados-unidos/agencia-de-seguranca-nacional-nsa/
http://www.publico.pt/mundo/noticia/programa-da-nsa-recolhe-quase-tudo-o-que-um-utilizador-comum-faz-na-internet-1601891
http://www.esquerda.net/dossier/quem-%C3%A9-edward-snowden/28576
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861
http://expresso.sapo.pt/nsa-esta-autorizada-a-espiar-em-portugal=f878861#ixzz3Oo3AwW5I
http://www.ionline.pt/artigos/mais-livros/livro-sobre-ex-analista-da-cia-edward-snowden-publicado-portugal
http://port.pravda.ru/mundo/16-03-2014/36422-snowden-0/
http://www.esquerda.net/dossier/ignacio-ramonet-%E2%80%9Csomos-todos-vigiados%E2%80%9D/28557



2 de janeiro de 2015

Privatização da TAP

A venda da TAP é uma vergonha, um escândalo e mais um desastre para a nossa economia, que a maioria dos portugueses repudiam. 

O PCP apresentou na Assembleia da República uma proposta para impedir a privatização da TAP. 
Com base na fundamentação da proposta destaca-se o seguinte:

A TAP é o maior exportador nacional, com mais de dois mil milhões de euros em vendas ao exterior, assegurando mais de sete mil postos de trabalho diretos na companhia aérea e, no seu conjunto, mais de doze mil postos de trabalho diretos no Grupo TAP e mais dez mil postos de trabalho indiretos. 
Trata-se de uma empresa que faz entrar anualmente na Segurança Social quase 100 milhões de euros só da TAP SA, e outro tanto no Orçamento de Estado via IRS.
A TAP é uma Empresa que prestigia o país, e que, além disso, é fator de soberania. A TAP está ligada às empresas do grupo, SPdH, Lojas Francas de Portugal, PGA Portugália Airlines, Cateringpor.

A privatização da TAP é um velho objetivo que as multinacionais europeias têm tentado impor ao nosso país, para a concentração monopolista que está a ser imposta aos povos da Europa. Essa é a causa dos problemas nacionais.
As tentativas de privatização da TAP vêm desde 1998 - Governo PS/Guterres. 
Nessa altura era intenção vendê-la à Swissair que entretanto faliu. Se o Governo PS a tivesse vendido, hoje não existiria a TAP. 

A TAP não é uma empresa qualquer. É uma empresa que dá grande contributo para o desenvolvimento e para a sobrevivência das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O papel da transportadora aérea nacional deve ser valorizado pelo seu caráter estratégico para o desenvolvimento regional e nacional. Privatizar a TAP traria gravíssimas consequências, não só para a empresa e para os seus trabalhadores e suas famílias, mas igualmente para os utentes, que dependem do serviço público essencial prestado pela transportadora aérea nacional. 
O próprio Governo reconhece essa importância a ponto de a referir para justificar a ilegal e antidemocrática requisição civil, contra a Greve dos trabalhadores da TAP, que querem impedir a venda da empresa. 

O PCP propôs recentemente na Assembleia da República, medidas para defender e melhorar o funcionamento da TAP que está a ser estrangulada pelo Governo para facilitar a vida às empresas concorrentes. Se a TAP interessa tanto às empresas internacionais porque é que não interessa a Portugal?

No País tem crescido enormemente o número dos que defendem a TAP, contra a sua privatização. O Governo está cada vez mais isolado e fragilizado. 
A Proposta do PCP termina assim:
Nestes termos, e ao abrigo do disposto na alínea c) do artigo 169.o da Constituição da República Portuguesa e ainda dos artigos 189.o e seguintes do Regimento da Assembleia da República, os Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do PCP, vêm requerer a Apreciação Parlamentar do Decreto-Lei n.o 181-A/2014, de 24 de dezembro, que «aprova o processo de reprivatização indireta do capital social da TAP, Transportes Aéreos Portugueses, S. A.».

29 de dezembro de 2014

Breve balanço de 2014

Portugal precisa de uma política alternativa.
O Mundo está em mudança

Aproxima-se o final de 2014, fecundo em acontecimentos - para o bem e para o mal. 
Não querendo fazer um balanço, que certamente seria incompleto, aponto assuntos, avulso, mas que me parecem importantes a não esquecer em 2015. 
A nível nacional, 2014 foi mais uma dramática confirmação de que esta política de direita não serve. Não serve o País, os portugueses mas serve - e bem - para alguns.

As desigualdades aumentaram, tal como aumentou a pobreza e a fome.
Apesar dos sacrifícios a dívida não parou de crescer a ponto de ser impagável.
A direita, mais uma vez, anunciou que, agora com a saída da troika, tudo começaria a ser melhor. Mentira! Tal como se previa a situação piora com esta política.

Corruptos!
Pela primeira vez um Primeiro Ministro de Portugal (PS) foi preso.
Muitos iguais ou piores que Sócrates, dos que passaram pelos governos, desde há 38 anos, há muito que deviam estar presos.
Tinha já sido condenado Isaltino (PSD)
Foi também o Duarte Lima (PSD). Condenado e preso. E Dias Loureiro e seus amigos? 

Assinale-se que as leis deveriam ser muito mais duras para os crimes económicos, para quem rouba o país e todos os portugueses. No entanto a direita, ou os chamados partidos do "arco do poder" ou, mais prosaicamente a "troika interna", PS, PSD, e CDS, não deixam que as leis penalizem devidamente os corruptos, sabendo eles que é no seu seio que estão os criminosos. Tudo gente fina.
Este ano foi preso o banqueiro Ricardo Salgado. 

O juiz, Carlos Alexandre, que já tinha deixado passar situações graves, parece estar determinado a corrigir a incapacidade da justiça. Foi figura importante dos casos Monte Branco, das Operações Furacão, Portucale, Processo Face Oculta, Álvaro Sobrinho, Caso BPN, Processo Remédio Santo, Operação Labirinto, Caso Vistos Gold, Ricardo Salgado e Operação Marquês. Pena é que fiquem de fora tantos do BPN, como Dias Loureiro (PSD).
Também Paulo Portas (CDS) apesar da reconhecida corrupção dos Submarinos está em liberdade e no Governo. Klaus Lesker, o administrador da MPC Ferrostaal que vendeu os submarinos, foi preso preso na Alemanha. E cá?
E os vistos Gold?
A extenção de fraudes, roubos, corrupção e outros crimes é enorme e todos envolvem PS, PSD e CDS.

São todos iguais?
Da falência do BES e do GES ainda estão à solta muitos.
Do BPN (banco do PSD) nunca mais se soube nada.
Somam a muitos milhares de milhões de euros as fraudes e os prejuízos para o país e para os portugueses.
A direita, desesperadamente, tenta dizer que são todos iguais.
Por isso, os jornais que nunca falam da Festa do Avante, inventaram que o BES subsidiou a Festa do jornal do PCP! Ridículo mas sintomático. Não! Não são todos iguais!

Durão Barroso saíu da CE e a direita colocou outro igual, o Juncker organizador das fugas fiscais de muitas multinacionais e grandes empresas.
Zeinal Bava, com as trafulhices que fez, pôs a PT nas mãos de interesses estrangeiros. Ele e Durão Barroso foram condecorados pelo "Padrinho" que ocupa o lugar de Presidente da República.  

Continuam as criminosas privatizações e a venda de Portugal a retalho. 
É um escândalo o caso da TAP. A maior empresa exportadora de Portugal.

A Alternativa existe!
Num outro plano convém saber quais as alternativas.
O novo "líder" do PS, António Costa, para o público diz que vai romper com a política de direita mas, na prática, ainda nada se viu. Pelo contrário, o que faz é o mesmo que se fez. 
Propostas, como as que apresentou o PCP, para uma política alternativa, o PS não avança. Que lutas promove o PS para travar as políticas de direita? Serão lutas de gabinete que não se sabe o que tramam? Estaremos atentos no novo ano.

Censura e liberdades? Que liberdades?
Neste blogue muito se tem falado da Censura da Comunicação social e em especial da Televisão. De facto, cada vez mais, o poder financeiro controla os órgãos de comunicação. Governo, políticos de direita, comentadores, jornalistas contratados para o efeito, preenchem todos os espaços não deixando que se conheçam as alternativas e as propostas apresentadas, como soluções patrióticas e de esquerda.
Essa censura atinge não só o conhecimento da realidade portuguesa como da internacional.
O mundo piorou depois da Guerra Fria, da queda do Muro de Berlim e da derrota dos países socialistas, no final da década de 80. As guerras provocadas pelos EUA, NATO e Israel, tem dizimado muitos milhares de pessoas, destruído países e economias. 
O capitalismo em decadência, depois desta crise económica e financeira, a maior de sempre, tenta salvar-se através da força bruta das armas, e do domínio de países e das suas matérias primas, em especial o petróleo.

O capitalismo na sua fase imperialista, tem apoiado governos fascistas (Ucrânia) e ditaduras em África e América do Sul em contrapartida do domínio económico das riquezas desses países.
Os EUA através da CIA treinam e fornecem grandes quantidades de armas modernas e poderosas a terroristas. Essa política tem funcionado como o feitiço contra o feiticeiro. Os grupos terroristas, depois de armados e treinados pela CIA, muitas vezes fogem ao controlo norte americano, como foi o caso da Al-Quaeda e agora com o "Estado Islâmico" para afrontar a Síria.

Nunca o Mundo esteve tão violento, com tantas guerras com tantas vítimas, em especial civis, mulheres, crianças e idosos. Nalgumas regiões assistimos a autênticos genocídios como na faixa de Gaza e Palestina.
A lei internacional e os Direitos Humanos não são respeitados.

Decadência do capitalismo
É evidente o isolamento cada vez maior dos Estados Unidos. Todos os países na ONU condenam sistematicamente acções o bloqueio de Cuba e a invasão da Palestina por Israel. Em todo o mundo os povos fizeram inúmeras manifestações e protestos. A libertação dos Cinco Cubanos foi uma vitória dessas lutas.

O recente relatório sobre as torturas de presos nos Estados Unidos da América, foi escondido e apenas é conhecida uma pequeníssima parte. Mesmo essa pequena parte revela os crimes monstruosos que os Estados Unidos praticam, crimes só comparáveis aos de Hitler e dos ditadores que os Estados Unidos apoiam,

Esse isolamento dos Estados Unidos foi evidenciado ainda nas decisões da ONU, nas eleições no Brasil e Uruguai, pelas Organizações de apoio mútuo criadas pelos países que fogem ao domínio dos Estados Unidos. Caso dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e ainda das Organizações da América do Sul e Cuba.

Os BRICS estão a estudar moeda alternativa ao Dólar e a formar um Banco Internacional.

A China ultrapassou economicamente, os Estados Unidos em 2014. Está "de olho" nos fundos do tesouro dos EUA, pedra de toque da economia global. Está a redefinir a sua estratégia de investimento no estrangeiro e a promover o Renmimbi como moeda internacional, libertando do domínio do dólar vários países do BRICS e outros com quem está já a negociar nas moedas locais.
O apoio à Rússia é expressivo.  

Só com luta conseguiremos mudar
Nestes países a fome e a pobreza diminuiu fortemente enquanto nos EUA e outros países dominados pelo capitalismo aumenta, como aumentam as desigualdades, o crime, o desemprego, o trabalho escravo. O mundo está mais injusto e violento por acção do capitalismo mas, simultâneamente, está a aprender e a mudar.
Nós em Portugal, também haveremos de aprender com o desastre destes 38 anos de política de direita. 
Nós também haveremos de mudar. Depende dos trabalhadores e do povo. 
A luta continua em 2015.

19 de dezembro de 2014

A liberdade de explorar

Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria, diz ministra

Tereza Campello é ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil. Num debate em que participaram também outros especialistas, a ministra disse: 

“Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria”, informando que entre 2002 e 2013, o país reduziu em 82% a população de brasileiros considerados em situação de fome, restando ainda quase 2% da população nessa situação. Foram factores decisivos o aumento dos rendimentos dos mais pobres. Disse ainda “Já nasceu no nosso país a primeira geração de crianças sem fome e na escola. Elas não vão repetir a trajetória de seus pais”.

Detenhamo-nos nessa frase "Não há nada mais escravizante do que a fome e a miséria" que parece óbvia mas, para muitos não o é.

Recordo Cuba em contraponto com as "liberdades" dos Estados Unidos da América. 
Cuba acusada de falta de liberdade não tem fome. Os EUA que se auto-denominam de país das liberdades, exemplo máximo, do capitalismo, estudo de Feeding América, revela que uma em cada seis crianças norte-americanas menores de cinco anos passa fome.

Se alargássemos esse conceito de liberdade à saúde, à educação, à cultura, à habitação, à segurança na velhice, à estabilidade no emprego, e a tantos outros factores básicos como aqueles, então a diferença seria astronómica. Se ampliássemos essa comparação à generalidade dos países capitalistas, poucos se orgulhariam dos resultados, ainda que, muito do nível de vida, nos países capitalistas seja efeito da exploração de muitos povos em todo o mundo. Exploração essa que é feita, não só à custa da fome nesses países como, à custa da vida de muitos milhões de pessoas, mortas para que o domínio imperialista se estenda a todo o mundo. 




Que aconteceu com as "liberdades" nos países que eram socialistas e agora são pasto do capitalismo? Os dados objectivos, os números, são incontornáveis. 

A forma de continuar a enganar, os menos avisados, é criar uma ideia de liberdade que desvie as atenções dos dados objectivos e remeta a discussão para factores subjectivos em que a liberdade de explorar é mascarada de liberdade absoluta, liberdade que se compra por quem tem dinheiro.
Nos países socialistas, em que a liberdade de explorar não existe, dizem os capitalistas, então, não há liberdade.
Sobre estes falsos conceitos de liberdade há, ainda, muito a dizer, na mesma medida em que os preconceitos e a "cultura" burguesa estão, ainda, estão muito arreigados. Quando as pessoas "abrirem os olhos" e verificarem que é essa cultura que sustenta quem está no poder para continuar a explorar, começará então a libertar-se da escravatura, da miséria moral, social e económica e, então, irá verificar que o fosso, ou o muro, que separa os muito ricos dos muito pobres, é a melhor medida para avaliar a "liberdade" desta sociedade podre. Então descobrirá que a felicidade, objectivo supremo, não se alcança com essa noção limitada de liberdade.



18 de dezembro de 2014

A liberdade de explorar

A pobreza moral dos EUA e a pobreza económica social da sua população

A fome e a miséria

Mais algumas informações sobre o tema anterior:
No país mais rico do mundo, agora o segundo, depois da China, nos EUA, milhões de crianças estão muito abaixo do limiar de pobreza, realidade que a comunicação social procura esconder.

Mais de 12 milhões de crianças estão à beira da fome em todo o país e mais de três milhões e meio de crianças com menos de cinco anos passam fome nos Estados Unidos da América.

Segundo a USDA, National Nutrient Database for Standard Reference, 32, 5 milhões de norte-americanos recebem auxílio alimentar, mas o número pode ser bem maior devido ao aumento do desemprego e da pobreza no último ano e de uma grande parte não se ter cadastrado. 
Por outro lado a Food Research and Action Center estima que mais de 16 milhões de pessoas procuram assistência alimentar federal, mas não conseguiram inscrever-se no programa.



Ainda uma reportagem publicada pelo New York Times no dia 9 de maio refere uma enorme insuficiência dos programas de assistência nos vários estados. Na Califórnia, por exemplo, só metade das pessoas que passam fome conseguiu cadastrar-se em programa de alimentação. Noutros estados, como Missouri, onde a inscrição das pessoas é mais fácil, centenas de milhares de famílias trabalhadoras pobres inscritas recebem cada vez menos ajuda a cada mês que passa.

Desse país, exemplo supremo do capitalismo, "país das liberdades" muito há que falar. Espero em breve abordar os direitos humanos e as torturas para juntar ao "país das liberdades o "país da democraCIA". 





12 de dezembro de 2014

A Censura discreta

Em Portugal, os órgãos de comunicação social privados pertencem a cinco grandes grupos económicos que condicionam jornalistas.

Continuando o tema da publicação anterior, aborda-se neste texto, para alem do condicionamento da opinião pública o condicionamento dos Jornalistas.
O papel da Comunicação dita Social, ou dos média, na "formação de opiniões" é conduzida por interesses económicos e é tratada como mercadoria, a "produção de conteúdos". Mas que conteúdos? Conteúdos que, para além da frivolidade, encerram valores, ideologias e opiniões muito condicionados. As opiniões e pontos de vista que a generalidade dos media veiculam são sempre limitados a uma concepção política, ideológica, social e cultural do "pensamento único", dos interesses da classe no poder que coincidem com os interesses dos grupos económicos proprietários dos média.

Dizem todos o mesmo...

Qualquer telespectador, leitor ou ouvinte mais atento repara que quase todos dizem o mesmo, quer sejam as notícias ou as opiniões dos comentadores. Por vezes parecendo haver discordâncias essas são menores, de forma e não de conteúdo. A ideia transmitida vai sempre parar ao mesmo. "Não há alternativa... Temos que aguentar". Tudo isto acompanhado por fortes doses de anestesia com as notícias dos crimes ou programas para entreter. Não se estimula a análise. Os telespectadores, os ouvintes ou leitores recebem a toda a hora doses maciças de informação superficial, descontextualizada, sem análise para que não se saiba o porquê das coisas. O que é dito é como se fosse uma verdade absoluta. Não se perspectivam alternativas. 
Quem não procura informação alternativa, jornais de esquerda, sites na Internet que ofereçam confiança, e outras, está condenado a só saber o que esses média querem que se saiba e da forma como eles querem. É assim que as pessoas são moldadas por esta máquina infernal do capitalismo que nos explora porque deixamos. E deixamos porque nos convencem que não há alternativa.



Os jornalistas explorados e os sem... ética

A agravar este problema, os jornalistas que dantes tinham alguma independência, hoje raros são os que mantêm a sua tradicional ética. A precariedade aumenta, como aumenta o trabalho não remunerado de estagiários. A maior parte recebe em função do que é publicado. Se o chefe ou patrão não gostam é muito provável que o trabalho não seja remunerado. A liberdade dos jornalistas quase não existe uma vez que os editores têm poderes para decidir sobre aquilo que é publicado e como é publicado. 
O Estatuto dos Jornalistas regulamenta, a favor dos editores, as opiniões e os diferentes pontos de vista dos jornalistas.


Exige-se que a comunicação social seja "pluralista, democrática e responsável" que promova a informação e formação, com liberdade de opinião. Os média deveriam ter o papel de estimular a participação cívica em todos os assuntos da sociedade e promover a transparência da vida política, o controlo democrático da acção dos órgãos de poder. 
Para a necessária participação na vida política, os cidadãos devem conhecer as realidades, as alternativas e opções para a solução dos problemas nacionais. Devem saber pensar e tomar consciência dos seus interesses e direitos. Para isso os média teriam que ser um meio para a elevação do nível cultural da população, o estímulo para a assumpção dos valores que o 25 de Abril nos transmitiu, a solidariedade, a amizade a paz e compreensão entre os povos.




11 de dezembro de 2014

Comunicação Social - a voz do dono

Mais de uma centena de órgãos de comunicação social, em Portugal, estão nas mãos de cinco grandes grupos económicos

Referi em anteriores publicações, que os média, em Portugal como no Mundo, reflectem as ideias os pontos de vista que servem os interesses comuns a esses grandes grupos económicos, e por isso condicionam a formação da opinião dos leitores, espectadores e ouvintes.

No Brasil

Do Brasil, vêm-nos exemplos - caso da revista Veja e da capa contra Dilma na véspera das eleições - idênticos aos que no nosso país vimos, muitas vezes com subtileza para que não se dê por isso, do condicionamento da opinião pública. Poe vezes a mensagem é passada de modo subliminar. 

Laurindo Leal Filho, professor aposentado da Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, num artigo publicado por "Vermelho" diz que no Brasil (e cá de certo modo) «...os meios de comunicação agem sem limites, actuando apenas segundo os interesses de quem os controla. As vozes dissonantes ainda são sufocadas. Dessa forma, a democracia deixa de funcionar plenamente por não contar com um de seus principais instrumentos: a ampla circulação de ideias».  Por iso no Brasil é tão actual a discussão à volta da regulamentação da actividade da Comunicação Social.

Fazem o mal e a caramunha 

Diz o professor Leal Filho, «...é necessária uma regulação da mídia, capaz de ampliar o número de pessoas que têm o privilégio de falar com a sociedade». De facto os que controlam a comunicação social, os grandes grupos económicos não querem seguir regras. Eles que fazem a censura, apontam quem defende a obrigatoriedade de comunicação social promover a "ampla circulação de ideias, de opiniões. Acusam isso de censura. Ao contrário, os sectores democráticos, exigem que a comunicação social, não esteja subordinada a interesses e a posições políticas e ideológicas que são as do poder económico dos donos dos grandes grupos proprietários da média, do capitalismo, portanto.

De facto, «...a regulação tem como objetivo romper com a censura que eles praticam quando escondem ou deturpam fatos como lhes interessam» diz  Leal Filho. Tal como as empresas monopolistas que controlam o mercado, a grandes empresas da comunicação social, controlam a difusão das ideias e, portanto a Constituição e as regras devem  «...garantir a liberdade de expressão de toda a sociedade e não apenas daqueles que controlam a Comunicação Social. 

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Foram apenas destacados alguns pontos do artigo, feito para a realidade brasileira aplica-se na generalidade a todas as sociedades. Em Portugal há ainda uma especificidade que tem a ver com a sua última frase «Cabe ao Estado mediar e conduzir essa mudança». Em Portugal o Estado é dirigido pelos políticos no poder e, estes são dirigidos pelo poder económico dos grandes grupos capitalistas com interesses idênticos aos dos grupos proprietários da Comunicação Social privada. Como sabemos as Leis são feitas pela maioria de deputados que estão intimamente ligados a esses interesses e/ou ideologias. 
Terá que ser o povo, os trabalhadores, a tomar em suas mãos a mudança de política e a fazer da Comunicação Social um instrumento para servir o país, a cultura e os valores do 25 de Abril.

10 de dezembro de 2014

A Nova Escravidão, uma das marcas do capitalismo

21 milhões de novos escravos e 168 milhões de crianças obrigadas ao trabalho infantil.

Pelo menos 21 milhões de seres humanos no planeta sofrem novas formas de escravatura, denunciaram no início deste mês, especialistas das Nações Unidas em direitos humanos, considerando que é necessário vontade política para combater o flagelo.

As mulheres e crianças do sexo feminino são as principais atingidas e encontram-se em situação idêntica a dos antigos escravos, afirmou a relatora especial para as Formas Modernas de Escravatura, Urmila Bhoola. Segundo a jurista sul-africana, as estatísticas sobre este flagelo não incluem os 168 milhões de menores submetidos ao trabalho infantil, metade das quais em trabalhos perigosos, o que revela bem a dimensão do problema.

Na declaração conjunta, exige-se que os estados cumpram as suas obrigações face às leis internacionais sobre direitos humanos e se empenhem mais para eliminar o flagelo da nova escravatura. Os três especialistas pedem ainda que as negociações em curso para fixar a agenda de desenvolvimento sustentável após 2015 tenham em conta a erradicação deste flagelo.

8 de dezembro de 2014

O Muro das Desigualdades

As cada vez maiores Desigualdades, é o mais ignóbil Muro da vergonha desta sociedade. Muro que impõe a maior das violências.

Aprofunda-se o capitalismo, com o liberalismo e fundamentalismo de mercado. A política de direita algema o Estado, e entrega tudo aos privados. Os serviços criados para atenuar as desigualdades, passam a ser geridos pelo critério capitalista do máximo lucro, bem expresso na célebre a frase de um ministro "Quem quer saúde paga".

Esta sociedade capitalista reforça os muros que separam os que vivem do trabalho dos outros, dos que apenas têm como rendimento, a sua força para trabalhar.

Dum lado do Muro os muito ricos que tudo podem comprar e do outro os que nada têm e só sobrevivem enquanto trabalham. Se adoecem nem a saúde podem pagar. A sua alternativa é a morte.

Que liberdade tem quem vive desse lado do Muro? Os que não têm dinheiro, os 842 milhões de pessoas que passam fome e nem forças têm para as trocar por comida?

O Muros das desigualdades, acorrentam sonhos, encarceram a felicidade, violentam quem nasce filho de um pobre, enquanto do outro lado do Muro os filhos dos ricos nascem já ricos e com a liberdade que o dinheiro compra.

A ditadura do poder económico 
Um dos homens mais ricos da América, entrevistado por um jornalista que lhe perguntou quanto pagava de impostos, riu-se e com ar de desprezo disse: Eu já sou suficientemente rico para não ter que pagar impostos.
Os trabalhadores que produzem as riquezas que seguem directamente para os armazéns do outro lado do Muro, tudo o que compram com os tostões que recebem, nem sequer podem fugir ao IVA quando, para poderem continuar a trabalhar, têm que comprar pão para se alimentar. 

Um trabalhador que numa fábrica produz dezenas de sapatos por dia, ao fim dum mês não fica com o suficiente para comprar um par de sapatos dos milhares que produziu.


Deste lado do Muro morrem milhões de crianças, condenadas porque os pais não podem dar-lhes de comer nem pagar a sua saúde, nem obter água potável. Sim, 700 milhões de pessoas não têm água potável. Mil milhões defecam ao ar livre. As contaminações atingem em especial as crianças, deste lado do Muro. Do outro lado consomem-se milhões de litros de bebidas de todo o tipo e destoiem-se alimentos para que os preços não desçam. O mundo produz a quantidade suficiente para que não haja fome. Contudo, 842 milhões de pessoas passam fome.
85% da riqueza mundial pertence a 10% dos mais ricos que têm, em média, quarenta vezes mais que o cidadão médio do mundo. Na metade de baixo dessa pirâmide, metade da população mundial adulta tem que se conformar com 1% da riqueza mundial, distribuida por todos.
De um lado do Muro, algumas dezenas de pessoas mais ricas têm rendimento total superior ao total dos muitos milhões de pobres do outro lado.
Se os muito ricos trabalhassem, precisariam de centenas de vidas a trabalhar até aos 80 anos para acumular a sua riqueza.

Saltar o muro
Será possível um pobre saltar este muro das desigualdades. Não, esta desigualdade extrema retira a liberdade e a mobilidade. Quem nasce pobre está condenado a morrer pobre. E seus filhos e netos, nascidos ou por nascer, herdarão sua pobreza. 

Um outro Muro foi derrubado para o capitalismo conquistar mais espaço. Assim se estendeu a quase todo o mundo. De imediato, foram erguidos muitos outros muros. 7.500 quilómetros já estão acabados. Mais quase 10.000 estão a ser construídos. O Muro das desigualdades cresceu na mesma medida que a liberdade de um lado reduziu a do outro.