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30 de agosto de 2015

Aprender com a situação na Grécia

Que e como fazer?

É consensual que o estudo da situação política na Grécia é importante para compreender o que se passa na fase actual do capitalismo, das perspectivas para as lutas dos povos, em especial da Europa, e para a sua libertação no caminho da construção do socialismo.
Quer no sítio web Diario.info quer no resistir.info foram publicadas interessantes análises da situação política na Grécia em artigos de vários autores.
Edmilson Costa, começa por confirmar que «As crises têm um significado profundamente pedagógico para as sociedades. Quanto maior a crise, mais se aproxima o momento da verdade para todos». Diz também que as crises «são momentos em que chegam à superfície de maneira explícita todas as contradições da sociedade. As pessoas começam a perceber claramente aquilo que antes estava ofuscado pela manipulação dos meios de comunicação e pela viseira ideológica repetida de maneira contumaz pelas classes dirigentes». Sublinha ainda que «nesses períodos os trabalhadores aprendem em dias de luta muito mais que em anos de calmaria, pois as manifestações, as greves, as batalhas nos locais de trabalho, nos bairros, nos locais de estudo e lazer ensinam muito mais que o aprendizado formal que obtiveram ao longo da vida».

Aprender com os erros

Dimitris Koutsoumbas entrevistado por Tassos Pappas chama a atenção que «retrocessos históricos, erros, fraquezas, devem ser ensinamentos para todos nós. O movimento, a classe trabalhadora, o povo, deve ser capaz de extrair conclusões valiosas para o presente e o futuro. Este é o único caminho pelo qual serão capazes de construir uma nova sociedade, sem os erros do passado».

Edmilson Costa Faz também uma extensa e interessante análise do que foi a «a tragédia do SYRIZA, a nova social-democracia fantasiada de "esquerda radical"» para concluir com seis parágrafos, a procura de soluções para uma «verdadeira saída para a crise» através da «luta que possibilitasse a mudança na correlação de forças entre o povo grego e o imperialismo europeu». Acrescenta como objectivos «o cancelamento unilateral da dívida grega…/… a nacionalização dos bancos e dos grandes oligopólios, o desligamento da União Europeia e do euro, além do fim das relações com a OTAN, e um programa de mudanças que incluísse o resgate dos salários dos trabalhadores e aposentados e a retomada da economia em novas bases, como um via de transição para a reorganização da sociedade grega, baseada no interesse dos trabalhadores e da população em geral».

Tal como está escrito poderá parecer serem objectivos imediatos, o que seria francamente irrealista. Mais adiante veremos porquê. É claro que, sabemos, como diz Edmilson, «não existe a menor possibilidade de acordo com o imperialismo e muito menos é possível reformar a Europa capitalista a partir de dentro, especialmente neste momento de crise sistémica global». Para se atingirem esses objectivos, mesmo que não fossem de imediato nem todos no mesmo “pacote”, que seria necessário fazer?

Os objectivos mobilizadores 

Creio que essa é a grande questão, pois uma coisa é a vanguarda apontar objectivos e outra é garantir que existe a base de apoio suficiente para os poder concretizar.  Antes de abordar essa questão vejamos alguns outros artigos, dos muitos publicados sobre o assunto.
Angeles Maestro pergunta: «Que outra saída tinha o povo grego após o referendo?» para responder que a «única possibilidade de evitar o que sucedeu era ter deposto o Syriza com a luta operária e popular. Obviamente, não estavam ainda reunidas as condições». Angeles Maestro considera que «É preciso fortalecer o poder da classe operária e construir uma alternativa ao Syriza a partir da esquerda, que inevitavelmente terá como pilar o Partido Comunista e como programa suspender o pagamento da Dívida, nacionalizar a banca e as grandes empresas monopolistas e sair do Euro e da EU». Como se vê, Angeles Maestro é mais comedido nos objectivos a concretizar, e avança com a necessidade de um trabalho «de organização a partir de cada bairro, de cada povoação», e, certamente também da elevação da consciência política, esquecendo-se, contudo, do papel dos trabalhadores nos locais de trabalho, nas empresas. No entanto conclui que «esse trabalho de explicação paciente, que desespera alguns impacientes, é o único fecundo».

Discutir, consciencializar, mobilizar e organizar

Também Edmilson, aponta para a necessidade de convocação do «povo grego em praça pública em todas as regiões do País para tomar ciência dos passos que o governo iria dar e das possíveis consequências do rompimento com o imperialismo europeu. Essas assembleias teriam um papel importante na preparação da resistência, a partir da organização nas fábricas, nos estaleiros, nos bancos, nos bairros, nos escritórios, nas escolas e universidade e no campo para resistir a qualquer tipo de acção do inimigo» adiantando que esse processo seria «um exemplo para os trabalhadores que estão na mesma situação na Espanha, em Portugal, na Irlanda, na Itália e outros países, mudando assim as perspectivas da luta dos trabalhadores em toda a Europa». Conclui que «a bola está novamente com o povo grego que, por sua tradição de luta, saberá encontrar os caminhos para dar a volta por cima e buscar sua emancipação».
Nestes artigos, talvez porque feitos por comunistas não gregos, falta uma análise consistente da sociedade na Grécia, da arrumação das forças em presença e a aferição do grau de consciência social e política dos trabalhadores e em especial da classe operária.

O estudo da arrumação das forças sociais

Qualquer destes autores, pouco falam da “arrumação de forças sociais” e das possibilidades de alianças que suportem objectivos e medidas.
Em Portugal o PCP dá muita importância a essa permanente análise e no seu Programa essa preocupação está sublinhada no sistema de alianças sociais, considerando como básicas a aliança da classe operária com o campesinato, pequenos e médios agricultores, com os intelectuais e outras camadas intermédias. Daí decorre também o sistema de alianças político-partidárias que «abrange de forma diferenciada outros movimentos, organizações e partidos que, nos seus objectivos e na sua prática, defendam os interesses e aspirações das classes e forças sociais participantes no sistema de alianças sociais». Sem essa análise, tão rigorosa quanto possível, tendo ainda em conta a situação internacional, as condições do imperialismo, e em especial na União Europeia, não é possível entender as opiniões expressas nos artigos referidos, quanto aos objectivos e acções apontados. Tão pouco se vislumbra a definição de alianças estratégicas, na luta revolucionária pelo socialismo, ou tácticas no presente período da vida na Grécia.

Também essa análise da composição social, permitirá com maior rigor, intervir na formação da consciência social e política, na intensificação e alargamento da luta de massas, como foi reconhecida a importância, e na construção de alianças sociais, base para a possibilidade das alianças políticas. Também sobre isto os artigos são omissos.

Que fazer?

Miguel Urbano numa admirável análise da “tragédia” na Grécia feita em 12 de julho e publicada em www.odiario.info/?p=3705 conclui que «Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjectivas». Alerta, Miguel Urbano que, apesar dessa evidência, a curto prazo, não são «realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional». Depois, referindo o caso português, dá como exemplo que «Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo». Considera que, «hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional». E, logicamente pergunta: «Que fazer então? » para logo responder: «As revoluções não são pré-datadas. Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História…». E adianta que embora o KKE, Partido Comunista Grego, esteja consciente que «não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem».
O KKE, no seu recente comunicado de 24 de agosto, aponta como necessidade «o reagrupamento do movimento dos trabalhadores e a construção da aliança social popular entre a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os empregados urbanos por conta própria, a juventude e as mulheres das famílias dos estratos populares a fim de fortalecer a luta anti-monopolista e anti-capitalista para o seu derrube real, para a socialização dos monopólios, o desligamento da UE e da NATO e o cancelamento unilateral da dívida». Na Grécia o KKE, saberá certamente analisar, com objectividade, a sociedade grega e as condições internacionais que lhe permitam, definir objectivos realistas e traçar o melhor caminho a seguir nesta fase tão difícil para o povo grego. Nós, por cá, sabemos que a política de alianças é um processo que evolui e obriga a constantes ajustes, de objectivos, de programa, de formas de intervenção. Como dizia Álvaro Cunhal, «Aprendemos com a vida, com os factos, com as realidades, com as experiências. Corrigimos e enriquecemos as nossas análises”.


26 de agosto de 2015

Rastos do Tempo

Um trabalho que é mais que a beleza da imagem e som


Fotografias muito belas de Armando Jorge, música, arranjo, orquestração e interpretação de Chico Gouveia (sintetizadores), sobre um tema original de José Neves. A música enquadra bem a mensagem que as fotografias transmitem.
Rastos do Tempo pretende ser um singelo documento das ruínas do mundo rural português, mas também um aceno de esperança! Sim não percamos a esperança. No entanto essa esperança tem sido frustrada pela política que levou o país a uma situação de retrocesso enorme. Não basta a esperança, é preciso que tomemos consciência das causas desta realidade para que não caiamos nos mesmos erros. 
Os idosos retratados, que proporcionam as belas imagens, mostram nos seus rostos a dureza da vida que os marcou. Vida que não queremos para os nossos filhos ou netos. Esses exemplos merecem-nos essa atenção. 
Os jovens que no documentário, são o sinal da esperança, que têm um futuro à sua frente, um futuro que, inevitavelmente, terá que ser de luta para que os tempos não voltem ao passado retratado. Esperança que depende do que a geração presente lhes proporcionar e do que virão a aprender para terem vida melhor que os seus pais.
Apreciemos o trabalho de Armando Jorge e Chico Gouveia sem esquecer que as imagens são pessoas, com alegrias e sofrimentos, que representam vidas e lutas. 


21 de novembro de 2014

Será uma questão de "bom senso" o que tem faltado?

Esta é a política de classe deste governo e do PS 

Depois de vigorosos protestos, que parte da Comunicação Social escondeu, em especial os protestos do PCP, a proposta da subvenção dos políticos foi retirada.
Fica o registo de mais uma tentativa marcadamente "política de classe" tão constante nos partidos do chamado "arco do poder", PS, PSD e CDS. 
Fica ainda confirmado que vale a pena lutar, pois se nem sempre a luta vence, o que é certo é que sem luta perde-se sempre.
Fica também provado que o que tem faltado é uma política alternativa patriótica e de esquerda.


do Jornal de Notícias de hoje











11 de novembro de 2014

Derrubemos os muros e cantemos alto

Muros de pedra, muros do dinheiro, muros de injustiças

Sobre muros não diria mais nada se não fosse uma minha revisão pela leitura dos comentários do texto Berlim, 25 anos – a festa, mas não para todos  no blogue "entre as brumas da memória".

Derrubar um muro pode ser um motivo de alegria, de festa, mas, como o título indica, numa sociedade de classes nem todos terão os mesmos motivos para a festa. 
Se esse derrube significar, como significou, abrir o caminho para alguns erguerem novos muros, creio que deveremos refletir e procurar ver a floresta e não apenas a árvore.
Na realidade, objectivamente, após o derrube do muro, cresceu a ofensiva exploradora com que os trabalhadores hoje estão confrontados, deu-se uma regressão social de dimensão civilizacional, aumentou a fome e a miséria da maioria dos trabalhadores enquanto alguns, aumentaram escandalosamente as suas fortunas. Cresceu a corrupção, os crimes, fizeram-se e continuam a fazer-se guerras em vários cantos do mundo. Destruíram-se países e regiões inteiras, mataram-se milhares de mulheres e crianças inocentes, o fascismo que estava encoberto saiu à rua, mata e tortura, ergue muros de forças de segurança, tomou conta de governos. 

Muro construído pelos EUA na fronteira com o México. Cruzes assinalando os mortos que tentaram passar

Metáforas para fazer pensar

As metáforas utilizando, palavras ou expressões em sentido figurado, alargam-nos a visão e fazem-nos pensar. Com a queda do muro de Berlim puderam os berlinenses comprar jeans, frequentar os centros comerciais do lado ocidental, enquanto perdiam empregos, as casas os transportes gratuitos.
A liberdade de comprar, comprar, comprar tudo o que quiserem (desde que tenham dinheiro) estendeu-se aos direitos das pessoas também colocados à venda. Hoje quem quer saúde paga-a, quem quer assistência social compra seguros ou PPRs. Os que tiverem dinheiro. 
Para que alguns possam ter grandes fortunas a crescer, outros tiveram que ir para o desemprego, coisa que não conheciam, e tiveram que baixar os salários. Hoje tudo é mercado. Tudo se compra e tudo se vende livremente, para quem puder, claro. A liberdade é comprada. A segurança, o usufruto da cultura, do lazer, é negócio que custa muitos euros. Os berlinenses conseguiram alcançar a sociedade onde tudo é negócio, do salve-se quem puder ou tiver dinheiro.

Muro Espanha - Marrocos

Preconceitos: Muros opacos em que não reparamos

Continuando com as metáforas que nos fazem pensar, vamos pois derrubar todos os muros. Não só o da faixa de Gaza, o do México que separa os mexicanos dos Estados Unidos, e todos os outros que foram erguidos graças à queda do Muro de Berlim, como também os muros dentro dos países que separam os ricos dos pobres, muros de condomínios fechados onde só tem liberdade os que têm dinheiro. Derrubemos também os muros das clínicas e hospitais privados, que separam os que precisam de cuidados de saúde dos que têm dinheiro para ter saúde. Derrubemos também muros, portas e portagens que retiram liberdade e direitos. Mais importante ainda; derrubemos também os muros dos nossos preconceitos que nos tapam a visão e nos impedem de conhecer o que está para lá desta sociedade desumana e injusta em que alguns (sempre os alguns) exploram quem trabalha e produz.
Derrubemos todos os muros, excepto os que ergamos com a nossa luta e consciência para nossa defesa e impedir alguns de explorar todos os outros.

Nota: Depois de ter publicado este texto vi no FOICEBOOK :
http://foicebook.blogspot.pt/2014/11/os-25-anos-do-derrube-do-muro-de-berlim.html

25 de maio de 2014

Votantes e abstencionistas condenaram a política de direita

Se os todos os descontentes com esta política tivessem votado, em vez de se absterem, os partidos da troika estariam definitivamente condenados.

Como foi dito no texto anterior deste blogue,  "Para que servem umas eleições europeias" transcrevendo José Goulão, "Os cidadãos estão longe e alheados porque isso convém a quem manda. A indiferença é uma variante de docilidade; o desinteresse é outra forma da sensação de impotência perante a força do poder instalado; a passagem amorfa e conformada das horas de cada dia é a novela real no meio das outras, tudo servido com a anestesia da propaganda mainstream."

Se temos tido os governos que tivemos - e temos - a culpa é dos portugueses que não se revoltam e preferem abster-se, quer da luta quer de votar.

Contudo, apesar da abstenção - ou até por isso - foi clara a condenação desta política. Foi claro a esperança numa mudança, prometida, - mais uma vez - pelo PS, como foi claro o apoio a uma política alternativa e de esquerda, corporizada pela CDU.

4 de março de 2013

Mais desemprego

Governo insiste numa política que despede os pais e nega o emprego aos filhos 

A CGTP informa que "Os dados do Eurostat relativos ao desemprego de Janeiro confirmam que o desemprego continua a aumentar neste início de 2013. Atingiu uma taxa de 17,6%, a terceira mais elevada da União Europeia e a mais alta de sempre no país, que corresponde a 960 mil desempregados em sentido estrito e a mais de 1 milhão e meio se considerarmos os inactivos disponíveis e indisponíveis e os subempregados. Num ano o número real de desemprego e subemprego aumentou em 217 milhares".

"Passado um ano do chamado Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego, acordo entre Governo, patronato e UGT, o país está em recessão, há um número record de falências e em vez de emprego temos uma persistente destruição de postos de trabalho"
. É nisto que a UGT colabora.

O Comunicado da CGTP conclui "O que o país precisa é de uma mudança de políticas que inverta o rumo da economia, promova o crescimento, a criação de emprego e a melhoria da protecção social. Com a luta dos trabalhadores e do povo esta política será derrotada".



As manifestações de ontem que a CGTP apoiou confirmam que o povo está a acordar e a reagir. A luta vai continuar e como disse Arménio Carlos "este Governo está por um fio".Contudo não basta trocar o Governo. É preciso um Governo patriótico e de esquerda que faça uma política verdadeiramente alternativa. Estaremos atentos a novas tentativas de outro governo parecido, com novas caras mas a mesma velha política de alternância, que suportamos há 36 anos. Precisamos de uma nova política para o povo e para Portugal. 

A luta continua, no trabalho e na rua.


3 de março de 2013

É tempo de luta. Quem não luta está já derrotado

A História da Humanidade é feita de lutas. Luta de classes. Dos oprimidos contra a opressão. 
Sem luta não há progresso social 

As grandes Manifestações que foram recentemente realizadas em todo o país, da CGTP-IN, sindicais e de organizações diversas de esquerda, partidos e outras como a de ontem "que se lixe(m) a(s) Troika(s)", mostraram a vontade do povo reagir contra esta política de direita que acentua as desigualdades, penaliza quem trabalha e leva o país para o desastre. 

Têm sido grandiosas manifestações, que mostram a imensa onda de combatividade e solidariedade e, a crescente consciência política dos trabalhadores e população em geral. Como diz a CGTP, é preciso defender o país do desastre e acabar com o terrorismo social.



A CGTP-IN exorta "todos os trabalhadores, todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais, a intensificar a acção sindical nos locais de trabalho...". (ver aqui).

18 de janeiro de 2013

O 18 de Janeiro de 1934

A revolta e tomada do poder dos operários vidreiros na Marinha Grande

O 18 de Janeiro de 1934, foi uma revolta dos operários vidreiros da Marinha Grande contra o Estado Novo e contra as duras condições de vida acentuadas pela crise do capitalismo de 1929. Pretendiam os revoltosos que a luta se estendesse a todo o país mas tal não sucedeu. Apenas algumas lutas, sem grande significado, não impediram que a revolta fosse dominada.

Na Marinha Grande, esta luta tomou proporções de forte Insurreição Armada. A classe operária vidreira estava bem organizada e consciente, pois tinha participado ao longo dos últimos anos, em muitas lutas sociais.
A fome, a miséria e a falta de liberdade, foram as razões para a sua unidade, organização e luta.


A crise do capitalismo em 1929

No final dos anos 20 e início dos anos 30 do século XX os tempos foram particularmente difíceis para a classe operária em geral e especialmente na Marinha Grande. A grande crise do capitalismo iniciada em 1929 teve efeitos devastadores na indústria vidreira. Muitas empresas faliram ou encerraram, deixando muitos operários no desemprego. Mas a classe operária não baixou os braços e o número de greves e manifestações foi imenso. «Não sei se houve alguma zona do País em que as lutas atingissem o grau que atingiram na Marinha Grande.» (Avante! n.º 1572, de 15 de Janeiro de 2004). Merecem destaque as «marchas da fome» e a grande greve de nove meses na Guilherme Pereira Roldão, que culminaria com uma vitória dos operários. Ao mesmo tempo, reforçava-se a unidade e organização da classe operária marinhense. 

A classe operária organizou-se no seu partido e sindicatos

As associações sindicais de classe – dos garrafeiros, vidraceiros, cristaleiros e lapidários – unificam-se, dando lugar a uma única organização da indústria vidreira, de âmbito nacional, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria do Vidro, criado em 1931. No plano político, o PCP era já a força determinante junto dos operários vidreiros
Também em 18 de Janeiro de 1934, O movimento e as lutas foram organizadas e dirigidas pelo Partido Comunista Português. Durante algumas horas, na Marinha Grande, o poder esteve nas mãos dos operários vidreiros. Contudo a insurreição não alastrou e as forças repressivas do fascismo conseguiram dominar os revoltosos. Foram feitas dezenas de prisões, em especial comunistas e a maioria dos presos foram deportados para o campo de concentração do Tarrafal.

Desenho de Dias Coelho, dirigente comunista, morto pela PIDE
 
A luta continua

No seu conjunto, as condenações ultrapassaram os 250 anos de prisão. António Guerra e Augusto Costa morreram no Tarrafal e Francisco da Cruz não resistiu às condições prisionais em Angra do Heroísmo. Os estragos provocados pela repressão na organização sindical e partidária na Marinha Grande foram profundos, mas acabaram por ser ultrapassados. Em breve, o Partido tinha reconstruído a sua organização nas principais empresas. A solidariedade com as famílias dos operários presos, que se viram privadas do salário, foi outra coisa que o fascismo não matou. Grupos organizados recolhiam contribuições à saída das fábricas.
Apesar de vencida, a revolta dos operários marinhenses permanece como um exaltante exemplo de heroísmo da classe operária portuguesa.

16 de dezembro de 2012

Grande Manifestação

A luta intensifica-se para defender a Constituição, para salvar a Democracia e o País.

Ontem, sábado 15, foi uma enorme manifestação com dois inícios, no Largo de Alcântara e no Largo do Calvário e terminou em Belém, bem longe da porta de entrada da residência oficial de Cavaco Silva. As ruas foram cortadas por muitas centenas de polícias e muitas dezenas de carros. Vedações de metal e grades impediram que as muitas dezenas de milhar de manifestantes se aproximassem do Palácio de Belém. 



Missão da Polícia: Não deixar acordar o Presidente.

Para proteger os ouvidos de Cavaco Silva dos fortes protestos e reivindicações, foi preciso guardar uma distancia de mais de um quilómetro. Eram já 16.00 horas. Havia quem dissesse que Cavaco estava a dormir a sesta e com tanta gente poderia acordar, coitado.
Um Presidente que trabalha tanto precisa de descansar. 

Aviso ao Presidente


Arménio Carlos deixou um conselho a Cavaco Silva: "Ouça o povo e exerça os poderes que a Constituição da República Portuguesa lhe confere." Os manifestantes aplaudiram e incentivaram o líder sindical a ir mais longe: "Não cometa o erro de promulgar um OE para depois solicitar a sua fiscalização sucessiva."


É preciso continuar a lutar, vamos ganhar!

Arménio Carlos realçou as "intensas lutas e acima de tudo de coragem e valentia que os trabalhadores e o povo têm demonstrado". Afirmou: "A luta não vai parar, vai prosseguir e intensificar-se". Lembrou ainda que  "hoje, mais do que nunca, é necessário engrossar este caudal de luta que é de todos e para todos" e acrescentou: "é para ganhar e vamos ganhar."

Travar o desastre

O Secretário Geral da CGTP criticou os que deixam andar à espera que o governo caia de podre e disse: "nós não defendemos a política do quanto pior melhor". O povo está a sofrer e cada dia que passa com este Governo no poder, é mais um dia de angústia e sofrimento para a esmagadora maioria dos que vivem e trabalham em Portugal"
Não podemos deixar que Portugal vá ao fundo para depois o recuperar com enormes sacrifícios. É preciso continuar a luta e para breve teremos novas e fortes lutas para travar o desastre que este Orçamento vai acentuar.

16 de setembro de 2012

A Alternativa a esta política


As grandes manifestações do dia 15 mostraram a crescente indignação contra a política de direita que agrava os problemas da economia, afundando o país numa gravíssima recessão que, se não for travada com urgência, levará Portugal ao desastre. 

Construir a Alternativa

Os cartazes, as entrevistas e as conversas com os manifestantes, mostram que é claro o repúdio por esta política de direita. Desemprego, os roubos de salários, o aumento dos horários de trabalho, os cortes nos dias de descanso, mas também a corrupção, a fuga aos impostos, a fraude fiscal, os crimes impunes dos que são cada vez mais ricos.

A comunicação social têm incidido as suas atenções no aumento da Taxa Social Única (TSU) de 11% para 18%, esquecendo que não é só esta medida que afecta a população e a economia do país. 

O aumento do IRS, por via da revisão dos respectivos escalões, têm como consequência uma violenta diminuição dos rendimentos do trabalho. 
O salário mínimo nacional, que abrange hoje cerca de meio milhão de trabalhadores, está muito abaixo do limiar de pobreza.  
O aumento do tempo de trabalho (gratuito), o eliminar dias de férias, feriados e dias de descanso, a redução de pagamento do trabalho extraordinário e redução do valor/hora de trabalho, a desregulamentação dos horários de trabalho e introdução dos bancos de horas, que para além de aumentar a exploração agravam o desemprego. 
O desemprego e a precariedade dos vínculos laborais, são também medidas da política de direita que é preciso impedir que prossigam. 

Perante a grande indignação dos trabalhadores o governo prepara-se para recuar em relação à TSU e agravar todas as outras medidas contra os trabalhadores. 

É preciso dizer BASTA!

Não basta “modelar” a TSU, de acordo com a teoria de que “é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

É preciso acabar com esta política e com este Governo, antes que este Governo e esta política acabem com o país. 

Esta manifestação foi muito importante! Mas, não podemos ficar por manifestações “espontâneas” convocadas pela Internet. Precisamos de ir mais longe. 

A Alternativa está nas nossas mãos

Pelo que vimos no dia 15 as pessoas reagiram mas, a grande maioria não sabe quais são as alternativas. A consciência política é ainda escassa, fruto de muitos anos de desmotivação, de alienação.

Precisamos de formas de luta organizada que se apoiem no aumento da consciência das pessoas, e sejam, elas mesmo, um factor para mobilizar para a participação e, assim, aumentar a consciência política e social coletiva. 

Façamos que, depois deste despertar, as pessoas, os trabalhadores saibam o que têm a fazer para construir a alternativa a esta política.

Como concluiu o Encontro Nacional da CGTP, “no actual contexto político e social é urgente desenvolver a iniciativa sindical e intensificar a acção reivindicativa nos locais de trabalho, condição necessária e decisiva para defender os direitos e melhorar as condições de trabalho, mas também para alargar o campo da luta mais geral para pôr termo a este Governo e a esta política”. 

Por isso não nos podemos limitar a convocar, seja pela Internet, seja por papeis ou notícias. É preciso organizar a luta, esclarecer, ajudar os camaradas de trabalho mais "recuados", aumentar a consciência através das mais variadas ações desde os locais de trabalho. 

É preciso lembrar que, as organizações são o que as são as pessoas que as formam. Os partidos, os sindicatos, as comissões de trabalhadores, somos todos nós que os fazemos. E, se os fazemos, é porque precisamos de estar organizados, de coordenar e conjugar forças para termos força.
Cada um isolado, pouco vale

É preciso que deixe de acontecer que muitos trabalhadores falem dos partidos, dos sindicatos e suas organizações como se eles não tivessem nada a ver com isso.

Cada um isolado pouco vale. É preciso que cada um assuma a sua responsabilidade na “construção” da organização e do caminho alternativo para defender os seus interesses e direitos.

Vamos pois “construir”  A Grande Jornada de Luta Nacional – Todos a Lisboa, Todos ao Terreiro do Paço, no dia 29 de Setembro, às 15:00 horas.
Não esperemos que sejam os outros a fazer o trabalho que é de cada um e, é de todos.  




30 de maio de 2012

Um pequeno balanço


Quase ano e meio de C de... 
Momento para refletir


Ao fim de desassete meses de vida deste blogue, vou ausentar-me por um ou dois meses. É uma boa oportunidade para uma reflexão sobre o que foi feito e como continuar.

Foi quase ano e meio de duas lutas paralelas. Uma contra o tempo, e outra contra uma política injusta, de baixos valores humanos, de uma competição com a regras dos mais fortes, da lei da selva, do salve-se quem puder, da corrupção impune, da criminalidade sem olhar a meios para atingir os fins.
Ano e meio de muitos anos de luta de classes, de luta contra a exploração.

Nesta luta ideológica do C de... inscreveu-se a luta contra a "desinformação" e silenciamento que a Comunicação Social impõe a tudo o que é contra os interesses do poder económico e financeiro que domina os média.

Perante esta luta desigual, o C de... deixou para segundo plano muita coisa que merecia reflexão. O C de Comunicar foi por vezes subalternizado o que poderá ter prejudicado a qualidade das mensagens e a eficácia da comunicação. 

Como "depressa e bem não há quem..." terei que sacrificar a quantidade para melhorar a qualidade. Eventualmente terei que me libertar da ambição de todos os dias ter, pelo menos, uma nova publicação.

A partir de 1 de junho, vou abrandar o ritmo das publicações neste blogue e repensar a forma de as melhorar e melhor Comunicar. 

É com satisfação que verifico que nestes 17 meses de vida o C de... teve mais de 74.200 visitas, 120 seguidores, recebeu 353 comentários e publicou mais de 1.000 mensagens.
 
Até breve!

25 de maio de 2012

Sábado, 26 mais um degrau

Um ano de Troika, BASTA!
  
Esta política agravou os problemas que diziam que iam resolver.

SÁBADO 26, dia de mobilizar, dia de  manifestar a nossa indignação e subir um degrau na luta para a derrota desta política.
  

28 de março de 2012

Dia da Juventude

Hoje, 28 de Março, Dia Nacional e Mundial da Juventude
Logo após a vitória dos povos sobre o nazi-fascismo, em 10 de Novembro de 1945, a Conferência Mundial da Juventude, reunida em Londres, fundava a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), representando mais de 30 milhões de jovens de 63 países de todo o mundo.
Nesse momento foi adoptado um pacto de comprometimento de luta pela paz e pela erradicação de qualquer traço de fascismo da face da terra, bem como de união da juventude progressista e anti-imperialista do mundo. Adoptou-se o dia 28 de Março como Dia Mundial da Juventude.

Juventude que sabe o que quer ..
  
A juventude portuguesa, mesmo sob as difíceis condições do fascismo, aderiu entusiasticamente aos objectivos de luta no mundo e contra o fascismo em Portugal.

25 de novembro de 2011

Greve Geral

A luta continua 

No próximo dia 30 de Novembro em frente à Assembleia da República


A Greve Geral, foi um importante abanão na consciência dos portugueses e na política da direita. A grande discussão que suscitou e a enorme adesão que teve, mostra que os trabalhadores e a população em geral adquire consciência da necessidade de lutar, apesar dos sacrifícios que isso representa, a somar aos sacrifícios impostos por esta política. Mas a luta continua, nos locais de trabalho, nas localidades e em todas as organizações com o debate sobre os problemas do país, traduzidos na política de exploração de quem trabalha e ausência de medidas para o crescimento económico. A luta continua, também, já no próximo dia 30, dia da votação final da proposta de Orçamento do Estado, numa acção promovida pela CGTP, com concentração pelas 9.00 horas em frente da Assembleia da República.


Notícia: Solidariedade que nos aumenta!

A Confederação Intersindical Galega (CIG), que é a principal central sindical da Galiza, convocou duas concentrações em solidariedade com a greve geral portuguesa;
Uma em frente ao consulado português em Vigo; A outra em frente ao consulado português em Ourense.

Também no país basco, a maior central sindical basca, a Euskal Langileen Alkartasuna (ELA), apelou à participação numa concentração, em frente ao consulado português, em Bilbau.
 
A CGTP recebeu dezenas de manifestações de solidariedade de 60 países.



11 de novembro de 2011

Manifestação da Função Pública

Frente Comum apela à luta sem medos 

É já amanhã Sábado 12 
Do Marquês aos Restauradores, os protestos são contra o roubo aos trabalhadores da Função Pública.

Quanto mais calados, mais roubados!

Perante a agressão aos trabalhadores da Função Pública, as estruturas sindicais do sector apelam à manifestação de Sábado 12 com concentração no Marquês de Pombal às 14.30 horas.

A dirigente da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, apelou a uma união forte dos funcionários públicos para que saiam à rua no sábado e lutem "sem medos". 
«Que venham para a rua, que lutem, que se indignem, que falem porque não adianta ficar parado, não adianta ter medo, não adianta encolher os ombros". A sindicalista avisou, se os trabalhadores da função pública não lutarem agora «as coisas vão complicar».

10 de novembro de 2011

Manifestação da Função Pública

Sábado, dia 12, as 14.30 horas, no Marquês de Pombal

Sábado, dia 12, as 14.30 horas, no Marquês de Pombal, trabalhadoras e trabalhadores da Administração Pública vão manifestar-se em Lisboa, respondendo ao apelo da Frente Comum e dos seus sindicatos, a que se associaram várias outras estruturas, tanto da CGTP-IN, como da UGT ou sem filiação. 
 
É uma acção de grande importância, face ao ataque brutal que está em curso, contra todos os trabalhadores e em especial, contra a Função Pública. 
 
Esta luta vai continuar na greve geral de dia 24, como apelam as organizações sindicais.

28 de setembro de 2011

Vamos continuar a comer e calar?

O Governo comemora os 100 dias de retrocesso civilizacional

Imagem do blog ferroadas

Manifestemos a nossa indignação pelos 13.000 dias de ataque ao 25 de Abril de 1974
13.000 dias de Governos de direita a destruir Portugal e a encher os bolsos dos magnatas. 13.000 dias a andar para trás. Isto tem que parar. A luta faz-se também na rua

Aumentam as desigualdades
Os ricos cada vez mais ricos com o dinheiro proveniente de quem trabalha

Américo Amorim, o rei da cortiça, ficou 800 milhões de euros mais rico. O patrão da Jerónimo Martins viu os seus bens reforçados em 635 milhões.

A soma das fortunas dos três mais ricos de Portugal, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos é 6,38 mil milhões de euros, o equivalente a 3,6% do produto interno bruto nacional. 

Estas três fortunas cresceram 1,4 mil milhões em 2010 ano de crise de aumento de impostos ao trabalhadores e reduções de ordenados.