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31 de dezembro de 2012

Ano Velho, Ano Novo

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Não é fácil em pouco espaço fazer um balanço de 2012. Foi um ano de grandes desgraças, mas também de grandes lutas. 

O desemprego bateu todos os recordes, atingindo mais de um milhão e trezentos mil trabalhadores. 
A maioria dos desempregados foi ficando sem subsídio de desemprego.
A pobreza alastrou a mais de 2,5 milhões de portugueses, (um quarto da população nacional).
A fome assumiu proporções nunca vistas em especial nas crianças.
Milhares de pequenas e médias empresas foram à falência. 
Os trabalhadores viram desaparecer direitos e aumentar a exploração com mais trabalho e menos dinheiro.

O avanço técnico e científico foi apenas para alguns

Tudo isto num período da história em que os avanços científicos e técnicos são enormes como nunca o foram. 
Tudo isto quando, com os meios de produção hoje existentes, seria fácil dar de comer a todos os habitantes do planeta, reduzir as horas de trabalho e aumentar a produção e a riqueza de cada um. 
Contudo os lucros alcançados com os baixos salários e aumento das horas de trabalho não pagas, são apropriados pelos grandes capitalistas e em especial pelos Bancos.

Os valores do 25 de Abril foram desrespeitados

As pensões e reformas foram brutalmente reduzidas e os subsídios roubados.
Os direitos laborais assaltados, foram rasgados.
Os serviços públicos essenciais na maioria fechados.
Foi o ano de maior ataque ao 25 de Abril, ao Poder Local democrático.
Foi o ano da ameaça de morte a mais de um milhar de freguesias.
Foi um ano em que continuou a impunidade para a corrupção dos políticos desta política de direita.

A civilização recuou 

A democracia foi ofendida mesmo na Assembleia da República pela maioria de direita.
A independência nacional foi humilhada e desprezada. A Constituição da República foi desrespeitada.
Por tudo isto:
Foi o ano em que mais aumentaram as desigualdades entre ricos e pobres.
Do ponto de vista de civilizacional foi o ano de maior retrocesso, nalgumas áreas só comparável ao fascismo e ao século XIX. 

Um Natal mais triste para a maioria.

Este Natal, para a imensa maioria dos portugueses, foi o pior desde o 25 de Abril de 1974. 

E 2013, como será? 
Será o que o povo quiser !

Acabou 2012, começa 2013 que a não travarmos esta política será pior que 2012. Há 36 anos que é assim, mas não há mal que sempre dure e, como o mundo é composto de mudança, troquemos-lhe as voltas... e acabemos com esta política de direita.

E com o inicio do poema de Camões aqui fica o registo desta passagem de ano.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

29 de dezembro de 2012

A crise do capitalismo

O Capitalismo num Beco Sem Saída


O Diário.info publica uma recensão do mais recente livro de Fred Goldstein, "O Capitalismo num Beco Sem Saída", donde retiro as seguintes notas: 
Trata-se de um livro publicado este ano nos EUA que analisa a presente crise do capitalismo mundial. "Uma obra que, a partir da actualidade, aborda não apenas os aspectos económicos da crise mas também os movimentos sociais e políticos que ela está a gerar".

"O Capitalismo num Beco Sem Saída" mostra alguns dados fundamentais para se compreender a crise. Passo a citar:

- Esta crise é de longa duração, estamos ainda nos seus primeiros estágios, e, pela sua natureza, não se compara aos normais altos e baixos da actividade económica.

- Na sua raiz está uma quebra na taxa de acumulação do capital, o que faz dos aspectos financeiros uma decorrência e não uma causa dos problemas presentes.

- A crise estalou depois de décadas de grande progresso tecnológico, de aumento da produtividade do trabalho e da concorrência, o que desmente a ideia espalhada de falta de produção e de competitividade, e mostra, pelo contrário, que o sistema rompe pelas costuras em resultado da sua própria capacidade de produzir em larga escala.

- Nos casos em que se pode falar de alguma retoma económica após o colapso de 2008 (como nos EUA), essa retoma faz-se sem recuperação do emprego entretanto destruído em números sem precedentes.

Daí, todo o sistema capitalista se encontrar num beco sem saída. Ou, como diz o autor, “O capitalismo chegou a um ponto em que nada de natureza económica, só por si, poderá fazer o sistema avançar e crescer mais”.

Fred Goldstein, no seu livro "capitalismo de baixos salários” mostra que, após a derrocada dos países socialistas, o capitalismo quer recuperar o que na Europa do pós-guerra tal como no Portugal pós 25 de Abril era apresentado como um “ganho civilizacional”, supostamente irreversível.

Afirma o autor, “O sistema do lucro entra num estádio no qual só consegue arrastar para trás a humanidade”. Então, “As massas da população hão-de chegar a um ponto em que não poderão continuar a seguir o mesmo caminho porque o capitalismo lhes bloqueia todas as vias de sobrevivência”. E, chegada a este ponto, “a humanidade só pode avançar limpando a estrada da sobrevivência, o que significa nada menos do que destruir o próprio capitalismo”.

22 de setembro de 2012

Atenção às manobras

A Troika de cá está a 
prepará-las

Tudo indica que o governo recua na taxa aplicada aos trabalhadores mas prepara-se para nos roubar de outra forma. Nos subsídios (férias e Natal), reformas, IRS e... vamos ver que mais.

O Partido Socialista parece estar a ir no "engodo". Finge que assim está bem. E desta forma manhosa, a troika de cá, PS+PSD+CDS ficará de novo unida para continuar a fazer a política de direita sacrificando sempre os mesmos.

A CGTP apresentou uma proposta alternativa que, tudo indica, têm melhores resultados e não afeta os trabalhadores. 
As troikas, de cá e estrangeira, o governo, os comentadores ao seu serviço nos jornais e na televisão, não podem dizer que não há alternativa.

Alternativas não faltam!


CGTP-IN APRESENTA PROPOSTAS PARA EVITAR SACRIFÍCIOS E A DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA

1 - Criação de uma taxa sobre as transacções financeiras
A criação de um novo imposto, com uma taxa de 0,25%, a incidir sobre todas as transacções de valores mobiliários independentemente do local onde são efectuadas (mercados regulamentados, não regulamentados ou fora de mercado), excepcionando o mercado primário de dívida pública. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 2.038,9 milhões de euros.

2 - Introdução de progressividade no IRC
A criação de mais um escalão de 33,33% no IRC para empresas com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros, de forma a introduzir o critério de progressividade no imposto. A incidência deste aumento é inferior a 1% do total das empresas. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.099 milhões de euros

3 - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos
A criação de uma sobretaxa média de 10% sobre os dividendos distribuídos, incidindo sobre os grandes accionistas (de forma a garantir um encaixe adicional de 10% sobre o total de dividendos distribuídos), com a suspensão da norma que permite a dedução constante sobre os lucros distribuídos (art. 51º do CIRC), o que permite às empresas que distribuem dividendos deduzir na base tributável esses rendimentos desde que a entidade beneficiária tenha uma participação na sociedade que distribui pelo menos 10% do capital. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.665,7 milhões de euros.

4 – Combate à Fraude e à Evasão Fiscal
A fixação de metas anuais para a redução da economia não registada, com objectivos bem definidos e a adopção de políticas concretas para a sua concretização. Esta medida permitirá arrecadar uma receita adicional de 1.162 milhões de euros.




Dia 29 Sábado não abandonamos a luta! Não deixemos que nos enganem!


26 de maio de 2012

Jogos Olímpicos?


Que mundo é este? Os Jogos Olímpicos transformados num negócio e numa mega operação de propaganda.


Que mundo é este cada vez mais militarizado, com mais revoltas, com uma tensão social crescente e que, esta sociedade capitalista em decadência, resolve com mais repressão.  

Londres prepara-se para os Jogos Olimpicos. Em cada esquina estão a ser montadas câmaras de vigilância. Quem percorrer Londres nos meses que antecedem e durante os Jogos Olímpicos, vai estar sempre vigiado. Cada cidadão, cada visitante é um potencial criminoso e por isso suspeito. Carros da polícia são mais que os tradicionais autocarros. 

Forças militares e militarizadas estão convocadas para intervenção urbana. 
Vão ser ensaiadas novas armas como o Dispositivo Acústico de Longo Alcance (LRAD), que não mata mas rebenta os tímpanos. O mêdo é tal que até está prevista a instalação de mísseis terra-ar nos telhados de edifícios.
O maior navio de guerra da Royal Navy vai estar no rio Tamisa em Londres. Aviões de combate Typhoon e helicópteros Linx estarão prontos para intervir. A Scotland Yard e a Polícia de Londres abasteceram-se com mais de 10.000 munições com balas de plástico. Estão previstas circular viaturas adaptadas para prisões rápidas. A Polícia prevê estabelecer "áreas de dispersão", donde poderá evacuar todas as pessoas que se concentrem.

Foram previstos 400 quilómetros de percursos especiais para uso exclusivo das personalidades, dos membros da "família olímpica", atletas, patrocinadores e outras entidades. O Comité Olimpico reservou cerca de 2.000 salas e os melhores hotéis para seu uso. 


Quem paga tudo isto? Sempre os mesmos, certamente.
Quem ganha con tudo isto? Sempre os mesmos!


Os principais patrocinadores são McDonalds, BP e Dow Chemical. Todos alvo de forte contestação pela sua actividade. A presença da Dow Chemical é um insulto para a população sul-asiática vítima do gás que matou mais de 20.000 pessoas e causou graves doenças em centenas de milhares em Bhopal, na Índia.

Neste mundo olímpico, McDonald aparece como patrocinador da saúde, a BP da sustentabilidade. 

As cidades devem reservar todos os locais de publicidade para os patrocinadores, durante os jogos e no mês anterior, de acordo com o programa de marketing estabelecido. 


Informações recolhidas em:  http://www.zcommunications.org/protests-are-coming-to-the-olympic-games-by-dave-zirin



7 de maio de 2012

A irracionalidade do capitalismo (2)

A obsolescência programada e criação artificial de necessidades de consumo


Nesta sociedade capitalista, depois da Segunda Guerra Mundial, as indústrias desenvolveram-se imenso e saturaram os mercados mundiais de bens de consumo. 
O ritmo de produção do capitalismo precisa sempre de crescimento. Por isso, foi preciso "inventar" e criar novas necessidades para aumentar o consumo (consumismo). A publicidade e o Marketing encarregaram-se disso.

Mesmo assim, isso não era suficiente para a ambição de aumentar os lucros. 
Os produtos vendidos tinham na generalidade tempos de vida de 15 a 20 anos. Duravam demasiado.
Os empresários, capitalistas, viram que, para além da criação (muitas vezes artificial) de novas necessidades, deviam reduzir a qualidade e tempo de duração dos produtos para obrigar os consumidores a deitá-los para o lixo e comprar novos com mais frequência. Assim nasceu a obsolescência programada das mercadorias e um novo salto na passagem dos utilizadores a consumidores.


A "Obsolescência", atualmente é realizada de duas formas: 
A primeira, reduzindo artificialmente a vida do produto para o tempo de duração da garantia. 
A segunda, criando modas que renovam a aparência da mercadoria para induzir os consumidores a comprar os novos modelos, ou introduzindo inovações que já anteriormente eram conhecidas mas foram programadas para ser lançadas mais tarde. A publicidade induz o consumidor a comprar o novo para, assim, manter o seu "status social". 
  
Conhecemos bem a forma faseada como as grandes indústrias lançam o seus produtos apesar de terem a possibilidade de colocar neles um conjunto mais desenvolvido de inovações tecnológicas. Nos telemóveis, nos computadores, nas máquinas fotográficas, nos automóveis, sucedem-se lançamentos de novos produtos com tecnologias já conhecidas anteriormente ao lançamento de outros mais antigos e que, propositadamente, não as incluíram.


A economia capitalista precisa de um crescimento constante e sustentado cujo limite é o infinito. Isto colide frontalmente com os recursos limitados do planeta e da sociedade. Isto vai contra a lógica da natureza, gera enormes quantidades de desperdícios, de lixo, que a Terra não pode reciclar. 

As energias, matérias primas, tempo de trabalho, gastas na produção escusada de bens é enorme e não para responder às necessidades sociais mas para dar lucro ao capitalista.

Do ponto de vista social o capitalismo tende a concentrar a riqueza em cada vez menor número de pessoas, os que tudo podem comprar, mas, por sua vez, tende a reduzir o poder de compra da grande maioria dos consumidores. Isto leva às crises, ao encerramento de muitas empresas produtivas, ao desemprego e, cada vez mais acelerado aumento da pobreza. Assim se auto destroi o capitalismo e com ele a vida das pessoas. 



1 de maio de 2012

A irracionalidade do capitalismo (1)


OIT estima em mais de 202 milhões os desempregados em todo o mundo

Entretanto o sistema capitalista que provoca esta situação continua a querer aumentar os horários de trabalho o que por sua vez aumenta o desemprego.


A técnica e a ciência actuais, com a utilização de máquinas e equipamentos modernos, permitem que a produtividade seja muitas vezes superior. Para se produzir o que é necessário, utilizando os meios técnicos actuais, bastariam 4 horas de trabalho por dia. Só um sistema irracional e explorador como o capitalismo leva a que o horário de trabalho se mantenha nas 8 horas e metade dos trabalhadores, não necessários, vá para o desemprego.


É uma "irracionalidade programada" para explorar mais os trabalhadores, criar a miséria social que permite aos grandes capitalistas dominar a vida de quem trabalha e impor as condições de exploração que pretendem.

26 de abril de 2012

A denúncia global desta política, desta democracia (1)

ABRIL OPTOU! 

Decidiu o salário mínimo. Optou pelos direitos dos trabalhadores contra os interesses do capital. Optou pelos que não tinham escola nem saúde. Optou pelos sem terra contra os que a tinham em demasia. Optou pela paz contra os interesses dos que faziam a guerra. Optou pela liberdade de todos os povos como fundamento da nossa própria liberdade.

E OPTAR É TOMAR PARTIDO


Uma crise profunda brutaliza a pátria portuguesa. Uma crise encaixada, embebida na crise do capitalismo.

Uma crise que é doença congénita de um sistema injusto, irracional, destrutivo, mas que serve para enriquecer alguns. Uma crise que é também a opção de alguns, imposta à grande maioria que trabalha e produz. Uma crise que é inerente ao sistema capitalista, que Portugal de Abril poderia ter evitado. Uma crise que em Portugal foi o resultado de uma opção política contra os valores de Abril que, aos poucos e com traições, restituiu o poder económico às "famílias" sem pátria mas "donas do mundo". O grande capital financeiro, vestido com pele de cordeiro, em nome de uma falsa democracia, está a vingar a afronta que o povo e militares lhes fizeram, quando tomaram partido a favor dos trabalhadores e do povo.

Não aconteceu por acaso. É o resultado de opções políticas. Tem responsáveis: PS, PSD e CDS/PP, os partidos, os seus dirigentes políticos, os seus governos, que assumiram ao longo dos últimos 36 anos a política de recuperação capitalista, latifundista e imperialista e golpearam o regime de Abril, com sucessivas contrarrevoluções legislativas e revisões constitucionais.


25 de abril de 2012

Defender Abril é defender Portugal


A importância das comemorações do 25 de Abril


A direita já várias vezes tentou acabar com as comemorações oficiais do 25 de Abril. 
Foi a indignação de muitos portugueses que os levou a recuar. 

Sabemos bem que governos que querem desrespeitar os valores de Abril, que pretendem rever a Constituição da República, querem também apagar da memória o que foi a libertação do fascismo.

É a contragosto que a direita celebra o 25 de Abril.

Bem sabemos que o Presidente da República, Governantes, e muitos dos deputados da direita quando discursam nestas comemorações estão a representar um papel de hipócritas.

É compreensível que a Associação 25 de Abril e os militares tenham decidido não participar nestas comemorações oficiais. O Manifesto que subscreveram, é uma justa e dura crítica à política que estes governos têm seguido contra a Constituição de Abril e contra os valores que Povo e MFA conseguiram reconquistar. 

Mário Soares e outros “históricos”, aproveitaram esta atitude para se afirmarem também muito pesarosos e solidários com esta posição. Mário Soares não é digno de tal atitude, nem ela nos faz esquecer que foi ele que esteve na origem da política de direita que arruinou o país e os portugueses. 
Mário Soares, na sua cega fúria anticomunista, aliado à CIA, Carlucci, Kissinger e outras forças da extrema direita e reacionárias - como ele próprio se gaba - encetou um plano de divisionismo dos portugueses e da unidade dos trabalhadores, para se  aliar ao poder capitalista e financeiro. Traindo o próprio Partido Socialista e a confiança que muitos socialistas tinham nele, meteu o socialismo na gaveta.

A partir de então, foi o que se viu. 

A adesão à Europa, aquela Europa que nos foi vendida como uma Europa Solidária, a Europa a que Mário Soares chamou a Europa Connosco. A Europa que nos faria enriquecer mas que exigiu a destruição da Agricultura, das Pescas, das Indústrias e nos obrigou a comprar o que eles vendiam. A Europa agiota que agora nos cobra juros especulativos impossíveis de aguentar. 

Vieram as privatizações e o roubo ao Estado e aos portugueses daquilo que era a sua riqueza. Em substituição das empresas destruídas Mário Soares ofereceu às grandes multinacionais, possibilidades de investimentos em Portugal a troco de mão de obra barata e muitas outras benesses. 
Muitas multinacionais exigiram que se aumentasse o desemprego e se retirassem direitos aos trabalhadores como referiu explicitamente o patrão da Sony japonesa. 

Assim se iniciou o aumento do desemprego, friamente calculado, para submeter os trabalhadores às exigência do capital estrangeiro. Criaram a UGT para “partir a espinha à Intersindical” e aos sindicatos, condição necessária para o poder económico retirar os direitos dos trabalhadores. Dividir para reinar foi a política imposta por Soares e executada por Gonelha.

Foram 36 anos de política de direita, sempre com a Troika PS, PSD e CDS-PP juntos ou “à vez”. Cada um destes partidos prometia fazer melhor do que o anterior. Mentiram sempre para ganhar votos. 
Uma vez no poder, compraram submarinos para encher as carteiras de alguns. 
Privatizaram e “desprivatizaram” bancos e empresas. Por cada operação o Estado e os portugueses eram roubados em milhões de euros. 
Os negócios privados e a corrupção levou milhares de milhões de euros ao país. Dinheiro pago com as reduções de salários, das pensões de reforma dos trabalhadores e tantos outros sacrifícios de todo o povo. 
Governantes do PS, do PSD e do CDS-PP deixavam os cargos, com elevadíssimas reformas e bons lugares milionários nos Conselhos de Aministração de muitas empresas. Nessas empresas, com a sua “experiência” continuaram os negócios para roubar o Estado, como nas Parcerias Público Privadas (PPP).

Estes partidos PS, PSD e CDS-PP com a sua política de direita, encheram os bolsos de uma minoria de grandes capitalistas e colocaram na miséria milhões de portugueses. 
Não são punidos pois as leis foram feitas por eles.

Arruinaram o país para as próximas décadas. 


É tempo de dizer BASTA! 
É tempo de defender os valores e conquistas de Abril. 
É tempo de rejeitar o Pacto de Agressão!
É tempo de exigir a renegociação da dívida!
É tempo de defender a nossa soberania!
É tempo de lutar!

26 de março de 2012

A crise do capitalismo no mundo



Crise económica global: Três anos de percurso

Osvaldo Martinez desmonta a argumentação dos vendedores da ilusão da "retoma económica na Europa e Estados Unidos", «a fantasia social-democrata do capitalismo mau e do capitalismo bom e de que a luta de classes acabou” analisa o "estado de senilidade do capitalismo", a fome, o desemprego e a redução das forças produtivas e aponta pistas para uma análise global económica e social do mundo.

22 de fevereiro de 2012

Nome do cão

O mundo está salvo! A crise desapareceu. As guerras e a fome acabaram.
 
A imprensa trabalha arduamente para espalhar a notícia
  
  
Mundo Cão...
  
  
Mundo de lobos!

28 de dezembro de 2011

"Passagem de Ano" dos portugueses

Um lavagante para assinalar o Novo Ano de 2012

Para os 2% de ricos:
  

Para os 98% restantes, oferta do nosso governo:


Ao que nos conduz a política de direita e das desigualdades

19 de dezembro de 2011

O que é que temos que aprender?

O Cardeal Patriarca diz-nos que temos que aprender a viver com menos.
  
Temos que aprender a reagir, antes que o Papa nos diga que temos que aprender a viver como escravos.

18 de dezembro de 2011

Auditoria cidadã à dívida pública

Convenção de Lisboa

Sob o lema "CONHECER PARA AGIR E MUDAR", reuniram-se em Lisboa centenas de cidadãos que debateram as questões relacionadas com a Dívida Pública. Do texto final da Resolução, de extraí algumas ideias que me pareceram mais significativas:

OS PROBLEMAS

O texto começa com a seguinte introdução: "Salários e pensões confiscadas, trabalho adicional não pago, mais impostos sobre o trabalho e bens básicos de consumo, mais taxas sobre a utilização de serviços públicos, menos protecção no desemprego, cedência a privados de bens comuns pagos por todos — tudo justificado pela necessidade de servir a dívida pública sem falha. Dizem-nos que cortar despesa pública, aumentar impostos e taxas, degradar o nível de provisão e de qualidade dos serviços públicos para servir a dívida sem falha, é “a única alternativa”. Mas como pode ser alternativa o que não chega sequer a ser uma solução? A austeridade, o nome dado a todos os cortes e confiscos, não resolve nenhum problema, nem sequer os da dívida e do défice público. Pelo contrário: conduz ao declínio económico, à regressão social, e depois disso à bancarrota. É chegado por isso o momento de conhecer o que afinal é esta dívida, de exigir e conferir a factura detalhada. De onde vem a dívida e porque existe? A quem deve o Estado? Que parte da dívida é ilegítima e ilegal? Que alternativas existem para resolver o problema do endividamento do Estado? Tudo isso incumbe a uma auditoria à dívida pública. Uma auditoria que se quer cidadã para ser independente, participada, democrática e transparente".

DA CRISE FINANCEIRA Á CRISE DA DÍVIDA

O texto faz seguidamente uma análise da génese dos problemas desde 2007, data em que foram evidentes os efeitos de uma crise que teve origem na especulação financeira e imobiliária nos EUA. Refere-se que, numa primeira fase, os Estados salvaram o sistema financeiro através de injecções massivas de dinheiro do Estado socializando os prejuízos da banca. O preço, destas medidas foi a degradação das contas públicas. 

A crise estendeu-se à Europa, em particular à Grécia, à Irlanda e a Portugal, Espanha e Itália. Estas economias viveram uma degradação da sua posição na economia europeia e mundial, que resultou no endividamento, público e privado. "A vulnerabilidade económica estrutural destes países, somada à crise financeira internacional, foi explorada pelos mercados financeiros através de uma euforia especulativa em torno da dívida pública de que se não conhecem precedentes".

"A resposta a este ataque foi, incompreensivelmente, a imposição de programas de austeridade brutais a estes países, agravados pelas condições exigidas nos vários resgates financeiros da troika BCE/FMI/FEEF. A austeridade condena os países intervencionados ao aumento do desemprego, à destruição progressiva do Estado social e à recessão sem fim".


CONFIRMAM-SE AS ANÁLISES DA CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCP SOBRE QUESTÕES ECONÓMICAS E SOCIAIS

A análise prossegue verificando que "a situação que se vive em Portugal resulta das condições de adesão ao euro e da sua arquitectura". 

Com base nos dados do Governo verifica-se que no início da intervenção da troika, a dívida pública portuguesa era de 97% do PIB e em 2013, prevê-se que seja acima de 106% do PIB desse ano e o desemprego situar-se-á acima dos 13%. Portugal terá uma dívida pública maior e estará mais pobre. Reconhecer-se-á então que a dívida pública é insustentável e que os sacrifícios foram inúteis, tendo servido apenas para agravar os problemas.

Estas conclusões não são novidade e têm sido constantemente repetidas pelo PCP em especial depois da Conferência Económica e Social realizada em 24 e 25 de Novembro de 2007, quando nos EUA se revelou a crise do capitalismo. Continuando as conclusões da Convenção, conclui-se que "a austeridade não oferece soluções", que se torna "urgente a reestruturação da dívida pública" alargando os prazos de pagamento, reduzindo as taxas de juro, ou mesmo reduzindo o valor da dívida. 

10 de dezembro de 2011

Os exemplo da Grécia e o que vimos em Portugal

Até onde nos podem levar as políticas neoliberais do capitalismo financeiro?



Na Grécia, tal como em Portugal, o descalabro acelerou com a submissão à Europa que se dizia da solidariedade. Se o povo confiasse mais na sua sabedoria, neste caso traduzida no ditado popular "quando a esmola é grande o pobre desconfia" teria visto que o capitalismo não dá nada sem receber o dobro em troca. 

A política destes governos ditos "socialistas" ou socialistas democráticos, ou socialistas modernos, é a do neo-liberalismo, do oportunismo que serve o grande capital financeiro, os Bancos ou os "mercados". A submissão à troika FMI/BCE/UE, quer na Grécia quer em Portugal foi a desculpa para responsabilizar "outros" pelo que está a acontecer. 

Club dos 1% ou dos "Donos do Mundo"

Aquilo que parece uma fantochada das agências de notação, Moody's & Cia, é o grande negócio dos Bancos, como o Goldman Sachs. Para justificar mais medidas de austeridade e, em combinação com os do "club", fazerem subir e descer as Bolsas para vender ou comprar consoante as subidas e descidas que eles preparam. Por cada subida e descida das ações, o grande capital financeiro, ganha milhares de milhões que entretanto os mais pequenos acionistas, os Estados e as empresas perdem. 

Degradação social, desaparece a "classe média", aumenta a riqueza dos 1% dos muito ricos

Noutra perspectiva, o processo em curso na Grécia e em Portugal, visa o aumento da exploração e um retrocesso social sem precedentes. O desemprego vai continuar a subir. 
A luta dos trabalhadores para "segurar" os seus direitos, que estão a desaparecer, é apelidada de atentado à economia. Se fazem uma greve de um dia há quem diga que o país perde 600 milhões de euros. Mas, não falam dos cerca de um milhão de desempregados, em grande parte há mais de um ano sem trabalhar. Quanto perde o país? Três milhões de trabalhadores em greve num dia são três milhões de dias de greve. Mas, um milhão sem trabalhar, durante um ano, são trezentos milhões de dias de "greve".

Laboratório social da luta de classes

O mesmo tipo de raciocínio se pode aplicar às medidas para aumentar a competitividade. Redução de salários e aumento das horas de trabalho. Tais medidas aumentam o desemprego e a recessão. Não são os 1% dos muito ricos que compram o que as fábricas produzem. São os 99% de pessoas que, na maioria, são trabalhadores cada vez mais pobres. 
A Grécia e Portugal, "os elos mais fracos", estão a ser um laboratório para o grande capital. Em toda a Europa baixam salários e retiram direitos aos trabalhadores para os igualar aos do Terceiro Mundo. O “pacto euro mais” é uma peça do plano. 
Paralelamente, o aumento do horário de trabalho é, também, uma forma de afastar os trabalhadores da vida cívica, cultural e social e reduzir a sua capacidade de organização.  As medidas restritivas, cada vez mais repressivas, visam também a destruição dos sindicatos, enfraquecimento dos partidos ligados aos trabalhadores e organizações que defendem a legislação laboral europeia.

Políticas suicidas?

Pode acontecer que o capitalismo à medida que aumenta a exploração, reduz a sua possibilidade de vender o que produz, criando no seu seio a falência de milhares de empresas e atirando para o Grupo dos 99% muitos dos pequenos e médios empresários (capitalistas). Também a agudização da luta social e o aumento dos explorados é um prenúncio do fim deste sistema de exploração. 
Resta ao grande capital financeiro o "adormecimento" a desmotivação, ou a ameaça, a repressão e a retirada das liberdades dos trabalhadores. 
A fase imperialista do capitalismo evolui e agudiza a luta de classes. Cada vez é mais claro que precisam de se apoiar em políticas de ditadura violenta, de retirada de direitos e liberdades, políticas do tipo fascista, como já começam a ser reveladas. 

A luta é inevitável.

30 de outubro de 2011

Canto da sereia ou canto do cisne?

Cada dia Passos Coelho acrescenta um ponto

Mesmo sem referir as mentiras da Campanha Eleitoral, já no Governo, Passos Coelho tem vindo dia após dia a anunciar o prolongamento da austeridade. Primeiro era 2012, rapidamente passou para 2013, já referiu o 2014 e agora são "mais alguns anos". Que política é esta? 

Se a dívida é grande há responsáveis e beneficiados. Quem são eles? 
Expliquem-nos a origem desta crise do capitalismo! O que sabemos é que as grandes fortunas estão a aumentar e as desigualdades são cada vez maiores. Porquê? O Governo eleito para nos defender tem obrigação de explicar para onde foi o nosso dinheiro. Não basta dizer que se gastou. Se se gastou alguém o ganhou. Os trabalhadores que criam a riqueza não o ganharam pois estão cada vez mais pobres. Quem o ganhou? Como? A trabalhar? 

21 de outubro de 2011

Os responsáveis pela "crise"

Viródisco e tocómesmo

Notícia do Diário Digital:

Crise: «Culpados não são todos do mesmo partido» - Rui Rio

O presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou quinta-feira à noite que «não há um culpado» apenas pela crise em que o país está mergulhado, considerando que «há muitos culpados e não são todos do mesmo partido».

Rui Rio respondeu assim a uma questão que lhe foi dirigida após dar uma conferência sobre o tema «Política e Economia: ideias para enfrentar a crise», integrada no projeto «Porto de Desafios», do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), no âmbito das comemorações dos 125 anos desta escola.

A questão era sobre a responsabilização, em sede judicial, dos governantes que tomaram decisões que vieram a lesar o país, um tema de que se tem falado nos últimos dias por causa da crise profunda em que se encontra Portugal.



Comentário:
Grande novidade! Há muito que sabemos que os responsáveis pela situação que vivemos, são os políticos da direita que há 35 anos traíram o 25 de Abril, têm vindo a desrespeitar a Constituição e as promessas com que enganam os eleitores, para fazer uma política de classe a favor dos grandes grupos financeiros, nacionais e estrangeiros. São os governos alternados do PS, do PSD e do CDS-PP. Vira o disco e toca o mesmo.

16 de outubro de 2011

"Que fazer?"

O PROCESSO HISTÓRICO TEM LEIS QUE A PRÁTICA CONFIRMA

Venerando Matos, no seu blog Pedras Rolantes em "15 de Outubro - Dia Mundial da Indignação- o fim de um ciclo, o início de quê?aborda, com realismo, as questões que se colocam hoje a muitas pessoas que, vítimas da exploração, sem perspectivas de futuro, “indignadas”, querem uma alternativa para esta sociedade. Coloca, VM, questões como os perigos da desorganização e desespero de muitos que consideram que “este tipo de manifestações parece começar a esgotar-se”. 

Diria que a desorganização e desespero estão de facto associados. Organizemo-nos e o desespero será transformado em força, em consciência colectiva, de classe, em determinação para alcançar objectivos comuns.

É também a organização que, pelo debate e partilha de ideias, levará certamente a “um programa mínimo de acção”, que substitua a ideia perigosa e inconsequente de uma “ideologia difusa dos protestos”, e tenha por objectivo agregador “uma alternativa à actual fase selvagem e neo-liberal do capitalismo” ou mesmo a alternativa ao capitalismo como fase histórica ultrapassada;



É esta forma de caminhar que, creio, resolve as outras questões colocadas por Venerando Matos:

Mas este caminho, organizado e tendente a uma plataforma de unidade anticapitalista, só é viável a partir das estruturas de classe existentes (independentemente de a dinâmica conseguida levar à sua adequação). E, para sermos realistas, essas estruturas organizadas, são sem sombra de dúvida os partidos anticapitalistas, os sindicatos e outras organizações de classe dos trabalhadores, que terão que criar a unidade necessária, para alargar as frentes de luta. O resto é conversa para baralhar e dividir.

Então, serão as massas de trabalhadores e seus aliados que pela dinâmica criada definirão os caminhos e as estratégias a adoptar. Como disse Antonio Machado “o caminho faz-se caminhando” desde que saibamos, todos, para onde queremos ir.


14 de outubro de 2011

A INDIGNAÇÃO alastra

As políticas de austeridade são um caminho errado, apenas para retirar direitos e aumentar a exploração.

Ativistas de muitos países, irão juntar-se à manifestação internacional, pela "mudança global" convocada para 15 de Outubro em várias cidades, (e em Lisboa) e solidarizam-se com a luta dos portugueses.




Em Portugal, a revolta alastra, e há fortes razões para isso. As recentes medidas do Governo, PSD e CDS com o apoio do PS mostram a natureza de classe de quem aplica uma política que serve o grande capital. 
Há 35 anos que a direita vem desviando o rumo de uma política que o povo português aspirava. 
Não bastaram as sucessivas alterações da Constituição de Abril, como os Governos e Presidente da República, têm vindo, ostensivamente, a desrespeitá-la. Os resultados estão à vista! Agravam-se as desigualdades. Os ricos cada vez mais ricos, enquanto aumenta dramáticamente o número de pobres cada vez mais pobres. 
Aumenta o horário de trabalho, apesar de aumentar o desemprego.
Reduzem-se os direitos e os salários. 
Aumentam os impostos para quem trabalha e isentam-se os dos bancos, banqueiros e especuladores. 
A fuga de dinheiros do nosso trabalho, para os bolsos de grandes capitalistas, que o levam para o estrangeiro, para os offshores e paraisos fiscais esgota os recursos do País. 
É a política da terra queimada. É a destruição do país independente. 


Temos razão para estar indignados!


Contudo, não basta a indignação! A direita, o poder financeiro não teme a indignação. Apenas teme a força organizada das massas, dos trabalhadores conscientes dos seus interesses de classe. É a conjunção dessa indignação consciente, com a organização que poderá alterar a relação de forças entre os exploradores no poder e os explorados sem perspectivas.




Os movimentos de "Indignados" são importantes e uma forma primária de despertar para a luta. Mas não se podem ficar por aí sob pena de fracassarem e desiludirem os aderentes. São precisos objectivos realistas, um programa que unifique as acções, que as torne eficazes e percorra um caminho em direcção aos objectivos para transformar a sociedade. 


A nossa força está nas organizaçóes de classe, dos trabalhadores. Partidos e Sindicatos de classe, constituidos por trabalhadores conscientes que não cedem às miragens, a oportunismos e outros truques da direita. Trabalhadores e organizações que não traem a classe que representam.


É isso que "Indignados" teremos que ter presente a continuação da luta e tornar eficaz a ação. Até lá, a direita no poder, o capitalismo, continua a sorrir e dizer: "cão que ladra não morde". 




Lutemos, manifestemo-nos em 15 de Outubro, mas tenhamos a consciência que a luta tem que avançar com as organizações de classe, nas fábricas e locais de trabalho, onde os trabalhadores, que tudo produzem, têm força, se estiverem organizados. 


UNIDOS POR UMA MUDANÇA GLOBAL – 15 DE OUTUBRO, 15 HORAS NO MARQUÊS DE POMBAL


Tomemos as ruas no dia 15 de Outubro, às 15 horas no Marquês de Pombal, para ganhar força para uma organização mais elevada. 


Em termos unitários, a CGTP, a mais poderosa estrutura sindical dos trabalhadores, está a organizar a luta com várias acções discutidas e planeadas desde as bases, com sindicatos, comissões de trabalhadores e plenários de trabalhadores nas empresas. 


Não esqueçamos as jornadas de Luta entre 20 e 27 de Outubro. 
A luta continua!

12 de outubro de 2011

As mentiras de quem afirma que só há um caminho


Estamos a ser empurrados para a ratoeira
  
A entrada para a CEE para a UE e adesão ao Euro foi um dos mais vergonhosos iscos, acompanhados de promessas de prosperidade, de solidariedade de coesão social.

Os países da "solidariedade", alargaram os seus mercados, compraram as nossas empresas, fizeram falir outras, exportaram os lucros do nosso trabalho para offshores e para os países da "solidariedade" social. Em troca venderam-nos os seus produtos e obrigaram-nos a fechar empresas nacionais.
Para dourar o "isco", os grandes da Europa da "coesão" deram-nos subsídios para eliminar a frota pesqueira portuguesa, para abater oliveiras, vinhas e destruir a agricultura. 
Deram-nos subsídios para fazer investimentos onde participaram as suas empresas.
Aumentámos as importações, e as empresas estrangeiras que investiram em Portugal, para explorar a nossa mão de obra de baixo valor, passaram a controlar as exportações para as suas distribuidoras que dominam os mercados e arrecadam os lucros.

Venderam-nos a ideia que tudo isso era bom, que tínhamos que nos juntar aos fortes para sermos "protegidos" por eles. Uma ideia a que muitos portugueses foram habituados por Salazar e que apela ao conformismo ao comodismo. 

Não quisemos acreditar que o mundo capitalista é uma selva onde, o mais fraco é comido pelo mais forte.
O que era óbvio, "ninguém dá nada sem ganhar com isso", foi afastado das atenções pelo esplendor ofuscante dos euros recebidos, como fazem os ilusionistas, criando a ideia que estes euros nos eram dados como esmolas.

Estamos agora a pagar, bem caro, os empréstimos, e as "ajudas" que a Europa nos fez. 

Estamos à boca da ratoeira. Cada vez é mais difícil recuar.
As mentiras são marteladas nas nossas cabeças, pela televisão, pela comunicação social controlada pelo grande capital: "Não há alternativa". "Foi uma desgraça de Deus a que não podemos fugir". "Alguém tem que nos emprestar dinheiro". "Quem nos "ajuda" está no direito de exigir as regras, os memorandos". "Temos que cumprir". "Temos que honrar os "nossos" compromissos". 

Tudo isto é falso. Eles precisam mais de nós do que nós precisamos deles. Porque é que "eles" não querem que a Grécia saia do Euro ou da UE? "Eles" sabem que quando os povos acordarem, deixarem de seguir o caminho da ratoeira, eles perdem o alimento que os sustenta. 

Só quem trabalha, quem produz, cria riqueza e sustento. Eles não trabalham, vivem do trabalho dos outros. O trabalho deles é a caça. É a guerra. São os predadores.

Entrámos no túnel escuro da ratoeira e, perante as ameaças que se tornam evidentes, os gatos e seus aliados predadores, insistem: "Não há alternativa, "temos" que avançar".


Ainda não estamos presos. A luz não está ao fundo do túnel mas, se olharmos para trás, vimo-la para lá da porta por onde entrámos. É preciso voltar atrás e não nos deixarmos prender na ratoeira que há 35 anos foi preparada ao Portugal do 25 de Abril(1). Os predadores não nos perdoam a tentativa de nos libertarmos e fugirmos da sua prisão(2), pois precisam de quem os alimente.

Os predadores, hoje estão enfraquecidos, pois eles próprios são vítimas das suas contradições. Com a sua gula, exploraram as suas fontes de alimento. Quem produz para eles já não pode comprar o que eles vendem, produzido por quem trabalha. Eles sabem que os que trabalham para eles são os mesmos que compram os produtos que produzem e que eles vendem(3).

Os predadores estão em crise e tudo farão para empurrar para as suas armadilhas quem possam comer.

O mundo pode ser melhor sem estes predadores. A Europa poderá, de facto, ser uma Europa de coesão social. O que todos produzimos é o que é necessário para nos alimentar. Não precisamos de quem coma os nossos corpos sugados.

(1) Recordemos o papel de Mário Soares, das confessadas conversas com o seu grande amigo, chefe da CIA, Frank Carlucci, na Embaixada dos EUA e de terem conspirado, com a Igreja e com o D. António Ribeiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, para que este desse instruções aos sacerdotes para dizerem nas missas o que deviam fazer para, alterar o rumo do 25 de Abril,

(2) Sistema capitalista, em que a democracia representativa assenta, apenas permite o poder aos que têm o dinheiro,  ganho com o trabalho de quem exploram. As grades desta prisão são as Leis que o sistema faz, os tribunais que julgam de acordo com as leis dos que as fizeram, a policia que obedece a quem tem o poder, a Igreja e a comunicação dita social, que convence os explorados à aceitação das regras dos exploradores.

(3) Um oleiro quer produzir mas não tem dinheiro para comprar barro. O proprietário das terras que tem barro, contrata-o como seu empregado. Paga-lhe 25 euros por dia. O oleiro das 8 às 9 horas vai apanhar o barro. Das 9 às 17 horas produz 50 cântaros. Das 17 às 19 vai vende-los à feira. Recebeu 250 euros. Vai a casa do patrão e entrega-lhe o dinheiro ganho. O patrão devolve-lhe 25 euros. O oleiro agradece reconhecido. Gostaria de ter comprado um dos seus cântaros mas o dinheiro não chega para tudo!



21 de agosto de 2011

A crise política e o crescimento da revolta

A crise global e sistémica do capitalismo


Desde a queda da URSS, há 20 anos, o capitalismo assumiu uma forma global, por um lado, dominado por instituições financeiras que nada produzem a não ser as dívidas e ganhar fabulosos lucros com isso, e por outro com um aumento enorme das intervenções colonialistas e armadas. Esta forma de capitalismo, como disse Marx, na sua fase superior, cria as condições para a sua auto-destruição. O capitalismo sustenta-se, agora, em capital virtual por meio dos chamados “derivativos” com que jogam os "mercados". Emprestam uns aos outros, aumentando o capital circulante, virtual e, os juros. 

Dinheiro que nada vale

O dinheiro real, dos depósitos dos clientes nos Bancos dos EUA é apenas de 3 a 5% do que circula virtualmente. Como o risco é grande, pois não têm dinheiro que cubra as dívidas, fazem-se seguros. As seguradoras aproveitam para emprestar a juros o capital (virtual) assim obtido o que aumenta o risco caso uma seguradora tenha que cobrir o valor seguro. Na realidade este esquema é sustentado pelo Estado, ou seja, por todos os contribuintes, que terá que assegurar as falhas, como já aconteceu em Portugal com o BPN. 
 
Para aumentar a especulação financeira, o mercado hipotecário entra também em cena com os empréstimos sobre as casas, empréstimos esses não cobertos por dinheiro real. Esta "industria" imobiliária especulativa alimenta-se das classes trabalhadoras a quem empresta o dinheiro.



Engenharia financeira
 

Perante tal facilidade de ganhar dinheiro sem trabalho, sem nada produzir, as empresas de produção apostam mais na "engenharia financeira" que na engenharia tecnológica. A empresa passa a ser um valor medido pelo valor das acções e o empresário procura que seja comprada por uma grande empresa que pague bem. 

Neste sistema as vendas dos passivos convertem-se em activos (virtuais) para garantir (virtualmente) outros empréstimos. Quando os empréstimos não puderam ser pagos, começam as insolvências a gerar outras insolvências como a queda das pedras do dominó.

Opções: Bancos ou quem produz?

 

É por isso que os Governos preferem salvar os Bancos à custa dos contribuintes, pondo remendos na rede de interesses do capitalismo financeiro. Claro que esta opção vai "secar" os consumidores e as empresas que produzem.

Como aumentar os impostos dá muito nas vistas, os Governos arranjam todos os artifícios para transferir o dinheiro dos trabalhadores para o capital. Recorreram aos "mercados" financeiros, aumentando sua já elevada dívida pública. O pagamento de juros da dívida, juros especulativos, é uma forma de salvar os "mercados" à custa da dívida do Estado (de todos nós). O resultado é a crise financeira dos Estados. Esta crise converteu-se, numa nova crise financeira, porque colocou em perigo as moedas (euro e dólar).






A austeridade para quem trabalha e o acentuar das desigualdades

A tentativa de impor a austeridade, acelerou a recessão, e aumentou o desemprego, reduziu salários e apoios sociais. As transferências de dinheiro dos trabalhadores e do Estado para os Bancos e "mercados" (pagamento de juros) deram lucros enormes e crescentes para o sector financeiro. Por isso, os “indignados” afirmam que o sistema não está em crise. O capital financeiro continua ganhando, e transfere os prejuízos à sociedade e aos Estados. Assim se disciplinam os sindicatos e os cidadãos. Assim, a crise das finanças torna-se crise política.

A crise é política

Na realidade a crise não é económica, mas política. Trata-se de uma luta de classes muito acentuada. O vinculo entre cidadão e governantes está em ruptura por uma opção de classe dos governantes salvarem o sistema que deu origem à crise. 

Surgem em crescendo os "indignados", que mesmo sem organização e sem grande consciência política querem manifestar a sua revolta, seja como for. A esta acção surgem as reacções dos governos que pretendem voltar as populações contra os indignados para poderem justificar uma repressão mais violenta e alargada.